O parto normal ocorre por via transvaginal e dispensa a necessidade de cirurgia. Nesta modalidade de parto, a mulher participa ativamente do nascimento de seu bebê.

Atualmente, o parto normal é estabelecido como o padrão-ouro. Isso significa que ele é o que a ciência compreende como a melhor alternativa em um determinado assunto, neste caso: o parto. Ou seja, estudos e mais estudos já demonstraram exaustivamente que o parto normal acarreta em inúmeros benefícios tanto para a mãe, quanto para o bebê e até mesmo para a relação mãe-bebê.

Por isso, especialistas e ciência apoiam e defendem cada vez mais o parto normal. Não à toa, afinal, nele se respeita o tempo da criança de nascer, o que já demonstrou estar associado com crianças mais saudáveis e menos propensas a problemas futuros de saúde.

Tecnicamente falando, o parto se refere a expulsão do feto do útero. No entanto, a verdade é que este momento é muito maior do que isso. O momento do nascimento está entre os mais importantes de nosso ciclo: é a continuação da vida que foi iniciada no útero. Mas este assunto costumeiramente está rodeado de polêmicas, medos e muitas, mas muitas dúvidas.

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Como é o parto normal? Todas as mulheres podem passar por essa experiência? Dói muito ter um filho por parto normal? Veja neste artigo tudo que você precisa saber sobre a dor dessa experiência e sobre as tecnologias que utilizamos atualmente para manejar e aliviar essa dor. Boa leitura!

Sobre a dor do parto normal

médico obstetra fazendo parto normal

Médico obstetra fazendo parto normal em hospital – Crédito da foto: Freepik

A dor é um tema subjetivo e muito, mas muito relativo. Afinal, o que é uma dor insuportável para uma pessoa pode ser absolutamente tranquilo para outra, e vice-versa. Isso acontece porque cada pessoa tem seus próprios limites e condições de suportabilidade muito distintas.

Além disso, é também importantíssimo destacarmos que as condições da experiência interferem diretamente nas impressões que a pessoa terá. Por exemplo, assim como há muitas mulheres que tiveram seus filhos via parto normal e relatam experiências horríveis de dor, desamparo e maus-tratos, há também aquelas que relatam uma experiência linda, emocionante e sem qualquer lembrança de dor.

Diversos estudos realizados ao redor do mundo demonstraram que a experiência de dor no trabalho de parto costuma ter estreita relação com o modo que a mulher é tratada, as condições do ambiente para acolher as pontuações de dor indicadas pela mulher e de fazer algo para aliviar esta dor.

Quando a mulher é bem atendida, recebe suporte e apoio e tem direito a instrumentos para alívio de dor, elas tendem a ter partos mais rápidos, simples e sequer se recordam de experiências doloridas. Mas é claro que isso de nenhuma forma deslegitima os relatos de dores horríveis que muitas mulheres narram, afinal, cada experiência é única e absolutamente singular.

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Há algo que pode ser feito?

Conhecer bem a si mesma e ao seu corpo é fundamental para que sua experiência seja positiva, não seja traumática e seja o menos dolorosa possível. Além disso, há alguns cuidados que você pode tomar para se proteger e para reduzir os riscos de passar por uma péssima experiência, por exemplo:

  • Escolher um médico obstetra de confiança e que lhe transmita segurança para acompanhar o procedimento
  • Elaborar junto com o médico um plano de parto, com as informações do que você deseja e do que você não quer no momento do parto
  • Realizar o procedimento em um hospital que respeite a lei do acompanhante
  • Escolher um acompanhante de sua preferência e conversar com ele sobre seu plano de parto, informando-o do conteúdo

Confiar nas pessoas que estarão com você neste momento é fundamental. Por isso, não abra mão disso. Ainda que você não possa contratar um obstetra particular para o parto, garanta que o hospital respeite a lei do acompanhante. Diversos estudos já comprovaram que partos com acompanhantes têm menos riscos de ocorrências de violência obstétrica (uma das principais razões de traumas e dores para a mulher durante o procedimento).

Alívio para a dor: Do parto humanizado às doulas

Grávida em monitoramento na maternidade

Grávida em monitoramento na maternidade – Crédito da foto: Freepik

Mas será que não há nada que possa ser feito para aliviar e controlar as dores ocasionadas pelo trabalho de parto? Há, sim.

Com o avanço da ciência e da tecnologia, hoje contamos com uma série de estratégias excelentes para reduzir as dores deste momento. Por exemplo, é possível usar anestesia para alívio da dor causada pelas contrações. Os dois tipos de anestesias mais comuns são a raquidiana e a peridural.

Como funcionam as anestesias para a dor?

A anestesia raquidiana tem uma ação bem rápida, e ela pode ser utilizada no final do trabalho de parto. Já a anestesia peridural pode ser aplicada quando colo do útero da mulher já apresenta um pouco de dilatação.

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De modo geral, as maternidades tendem a fazer uso da anestesia peridural. No entanto, isso é algo que você pode discutir com o médico obstetra e incluir no seu plano de parto, a depender da sua preferência. Aqui vale a pena destacar que é importantíssimo que a maternidade que você for leia e respeite seu planejamento. Isso porque não raramente encontramos maternidades com protocolos de parto tão enrijecidos que elas sequer questionam como a mulher está, se sente dor ou não, mas simplesmente saem aplicando a peridural quando a dilatação começa a aumentar.

A anestesia peridural ajuda a mulher a recompor as energias e a força perdidas durante as contrações. Por isso, ela é excelente para ajudar a gestante a reaver o fôlego que será necessário para o momento de expulsão do bebê.

É possível ter um parto normal “confortável”?

Gestante recebendo massagem na barriga antes de parto normal

Gestante recebendo massagem na barriga – Crédito da foto: Freepik

Sim, é possível ter uma experiência de parto normal bastante confortável. Isso porque atualmente há uma série de opções para tornar estas experiências muito mais tranquilas e muito menos assustadoras e traumáticas. Por exemplo, a lei do acompanhante já demonstrou ter sido um passo fundamental em direção a uma experiência menos aterrorizante. Isso porque com um acompanhante, as mulheres se sentem mais seguras e os riscos de violência obstétrica são reduzidos significativamente.

Além disso, a simples presença do acompanhante serve como um suporte emocional para a mulher. O acompanhante pode conversar com a mulher, fazer massagens nela, segurar sua mão, olhar em seus olhos. E apesar de detalhes, esses são os itens que fazem toda a diferença na experiência de cada mulher, de acordo com inúmeros estudos.

Mas não é somente a presença do acompanhante que ajuda a mulher a ter uma experiência mais serena. Muitas maternidades estão oferecendo experiências diferenciadas para as mulheres. Por exemplo, há maternidades que possuem salas de parto humanizadas. Mas o que são “salas de parto humanizadas”? Basicamente, são espaços acolhedores com banheiras, som ambiente e outros elementos para alivio da dor, como itens para massagem, “chuveirinho para a dor” e bolas de ginástica.

A utilização destes elementos não somente alivia a dor física das mulheres, mas também as deixa mais relaxadas. E, claro, o relaxamento contribui muito para a redução da sensação de dor.

E se eu quiser ter um parto normal fora dos hospitais, ele também pode ser confortável?

Sim, mesmo que você não queira dar à luz no hospital você pode ter uma experiência de parto confortável e tranquila. Isso porque você não é obrigada a fazer o procedimento no hospital, se não quiser.

Por exemplo, você pode optar por dar à luz em uma casa de parto ou mesmo na sua casa. Inclusive, você sabia que a realização de partos em casa tem crescido consideravelmente a cada ano? Cada vez mais mulheres estão fazendo essa opção.

De modo geral, os partos em casa são acompanhados por doulas. A doula é uma assistente de parto que acompanha a gestante durante a gravidez até os primeiros meses do bebê. A principal função da doula é orientar e dar suporte físico e emocional para a mulher na gestação, no trabalho de parto e no pós-parto. O seu foco é no bem-estar da mulher e posteriormente do bebê, e não realiza procedimentos invasivos, como exames ou administração de medicamentos.

Importante!

Mas aqui vale ressaltar um detalhe importantíssimo: durante o pré-natal é fundamental que a mulher conte ao médico sobre seu desejo de fazer o parto fora do hospital. Isso porque ao longo desse acompanhamento de pré-natal a gestação será avaliada. Se for uma gestação de risco ou se houver indícios de possíveis problemas no momento do parto, optar por um espaço fora do hospital pode ser muito arriscado. Por isso, compartilhe com seu médico esse seu desejo, para que possam avaliar as condições de colocar ele em ação com segurança.

Além disso, a mulher também pode fazer uso de estratégias como banhos de imersão, caminhadas e massagens para combater a dor. Os estudos já demonstraram que todos eles são eficientes no controle das dores.

Por fim, vale destacar que a recuperação do parto normal é muito mais fácil e rápida do que a recuperação de uma cesariana. Além disso, complicações como dores pélvicas, infecções e hematomas são muito mais comuns entre mulheres que passaram por cesárea. Por isso, o parto normal acaba comprovando seus benefícios não apenas pela saúde do bebê, mas também pelas facilidades do pós-parto.

Sobre a humanização no parto

Gestante em trabalho de parto normal com acompanhante em hospital

Gestante em trabalho de parto no hospital com acompanhante – Crédito da foto: Freepik

O parto humanizado é um tema que se popularizou na última década, apesar de ser debatido há mais tempo. Ele se trata de uma tentativa de tornar o momento do parto mais natural e menos traumático para a mulher. Uma das principais formas de fazer isso é através da luta pela redução de intervenções médicas (normalmente desnecessárias e com objetivo único de acelerar o processo). Especialistas e pesquisadores do tema alegam que a redução das intervenções médicas é algo muito positivo, e que deve ser reforçado, desde que respeitando os limites de segurança para a mãe e para o bebê.

O parto humanizado é uma iniciativa que tem como objetivo devolver à mulher sua autonomia durante o processo, além de minimizar as intervenções médicas. Para isso, o foco é direcionado ao acolhimento da mulher, permitindo que ela se sinta o mais confortável e segura possível para atravessar o trabalho de parto de forma natural.

Alguns dos cuidados mais comuns entre espaços e equipes que realizam partos humanizados é a garantia do direito ao acompanhante, a decisão sobre a posição que a mulher deseja dar à luz, o local onde ela quer estar para fazer o trabalho de parto e os procedimentos que ela quer ou não utilizar durante o parto.

Então, vale destacar que a humanização do parto não está relacionado necessariamente ao tipo de parto/técnica (cesárea ou parto normal), mas sim, ao acolhimento que a gestante terá acesso. Ou seja, é necessário que a mulher tenha direito a um parto humanizado independente dela optar pela cesárea ou pelo parto normal (ou não-optar, nos casos em que é obrigada a fazer a cesárea por questões de saúde).

Como lidar com a dor do parto normal?

Gestante em cadeira de rodas sendo levada por equipe de saúde e acompanhante em corredor hospitalar

Gestante em cadeira de rodas sendo levada por equipe de saúde e acompanhante em corredor hospitalar – Crédito da foto: Freepik

O trabalho de parto pode durar muitas horas. Não é incomum sabermos de mulheres que ficaram em trabalho de parto por 6, 12, 15 ou até 18 horas. Então, o parto normal pode realmente ser bem demorado.

No entanto, fique tranquila que você não ficará sentindo dor durante todo esse tempo, não. Isso porque a dor sentida no parto normal é variável e sua intensidade depende do estágio em que você se encontra. Ah, e isso fora o lembrete sempre importante que também há mulheres que tiveram seus bebês em pouquíssimo tempo: há relatos de parto normal que durou 1 hora, ou 2 horas apenas.

A maioria dos médicos aplicam a analgesia justamente no momento em que a dor está mais intensa, que é no estágio final do trabalho de parto. Por isso, você também pode ficar um pouco mais tranquila, pois no momento mais difícil você terá acesso a este alívio. Mas lembre-se aqui: você pode solicitar outras estratégias para alívio de dor mesmo nas etapas iniciais – e isso pode constar no seu plano de parto.

Estágios do trabalho de parto

É importante destacar que as mulheres que escolhem pelo parto normal atravessarão o trabalho de parto.

O trabalho de parto é dividido em 3 estágios ou etapas diferentes, e a dor que a mulher vai sentir depende do estágio em que ela se encontra.

Entenda melhor cada um desses estágios, quais as suas características e que tipo de dor cada um deles acarreta.

1º estágio: Início do trabalho de parto

O primeiro estágio é referente ao início do trabalho de parto. Ele acontece quando a dilatação vaginal está com um tamanho de 2 até 3 centímetros. É possível também avaliar esta etapa pela frequência das contrações. Isso porque no início do trabalho de parto as contrações estão ocorrendo 2 vezes a cada 10 minutos, em média.

Neste estágio inicial, as dores (contrações) começam bem devagar, crescem até ficarem fortes e depois desaparecem. Aqui a dor da contração é totalmente suportável, se assemelhando com uma cólica bem forte.

2º estágio: Progressão da dilatação

Gestante em sala de parto para fazer parto normal

Gestante em sala de parto – Crédito da foto: Freepik

O segundo estágio acontece na medida em que a dilatação vai progredindo. Nesta etapa, a tendência é as contrações irem ficando cada vez mais frequentes. De modo geral, é considerado que a mulher alcançou a segunda etapa do trabalho de parto quando ocorrem cerca de 4 contrações a cada 10 minutos.

Nesta etapa, é bem mais provável que as dores comecem a incomodar realmente. Especialistas contam que a dor começa na barriga e irradia para a coluna. De modo geral, é nessa fase que a analgesia é aplicada.

A analgesia aplicada no parto normal é um anestésico que é injetado na espinha da mulher. Ele é bem diferente das anestesias tradicionais, que deixam a pessoa sem movimentos.

A verdade é que não existe uma “hora certa” para a aplicação da analgesia acontecer. Ela deve ser utilizada levando-se em conta o limiar de dor de cada mulher. Por isso, há mulheres que recebem muito mais cedo e outras que recebem nos últimos minutos. No entanto, muitos hospitais criaram protocolos para o trabalho de parto onde incluem o momento de fazer a aplicação da analgesia.

Os protocolos podem ser importantes para organização das equipes e padronização do trabalho. No entanto, eles podem acabar por negligenciar a singularidade e as diferenças entre as mulheres. Por isso, certifique-se de ter o parto em uma maternidade que a escute, e que respeite seu parecer sobre a dor que está sentindo.

Lembre-se: você tem total direito de receber a analgesia quando sentir que precisa de alívio, e não quando a equipe decidir que “está na hora” devido a um protocolo totalizante que desconsidera a sua individualidade.

3º estágio: Expulsão do bebê

A terceira etapa é caracterizada pelo momento em que a mulher fará força para expulsar o bebê de seu corpo.

Quando a dilatação vaginal alcança 10 centímetros é um indicativo de que falta pouquíssimo para o bebê sair. Isso porque é com essa dilatação que começa o coroamento – quando a cabeça do bebê começa a aparecer.

Depois de fazer força pra expulsar o bebê, ele finalmente nascerá. E nesse momento você sentirá uma cólica, pois seu útero ainda estará se contraindo. Isso acontece porque o útero está expelindo os tecidos formados na gestação.

Não é uma regra, mas há casos em que a dor pode aumentar um pouco no momento das primeiras amamentações. E também é normal que você sinta dor pra sentar ou fazer xixi. Mas fique tranquila, porque o médico vai receitar alguns analgésicos que vão aliviar esse desconforto até a recuperação total (que costuma ocorrer dentro de 3 à 5 dias).

No entanto, a cólica uterina pode demorar um pouquinho mais pra ir embora. Ela pode permanecer te causando um pouco de dor e desconforto por cerca de uma semana. A cólica uterina acontece principalmente durante as amamentações, porque é neste momento que ocorre a liberação da ocitocina.

Vantagens do parto normal

Mãe e bebê brincando em cama

Mãe e bebê brincando em cama – Crédito da foto: Freepik

Não é à toa que o parto normal seja considerado padrão-ouro pela medicina no mundo todo. Isso acontece porque as vantagens e os benefícios dele são incalculáveis. A verdade é que de tempos em tempos a ciência descobre novos benefícios para as mulheres e para os bebês que passaram por essa experiência.

O mais imediato e óbvio benefício ocorre na própria recuperação. Isso porque a recuperação do parto normal é quase imediata. A mulher que passa por essa experiência quase não precisa ficar internada: ela rapidamente é avaliada e recebe alta pra voltar pra casa.

Além disso, a mulher também corre menor risco de ter um quadro de infecção. Diversos estudos já demonstraram que as mulheres que dão à luz através de cesariana têm quase 20 vezes mais chances de desenvolver um quadro de infecção associado ao momento do parto.

A recuperação do útero também é uma vantagem adicional. Isso porque mulheres que fizeram parto normal tem seu útero recuperado muito mais rápido que aquelas que fizeram cesariana.

Mas não termina por aí, pois a produção de leite também está na lista dos benefícios do parto normal. Você sabia que o parto normal faz com que a produção de leite ocorra de forma imediata após o nascimento do bebê? Uma das principais hipóteses da ciência para esse fenômeno está associado com a própria natureza do corpo feminino. Isso porque na medida em que a mulher passa pela experiência de parto, seu organismo “sabe” o que aconteceu e, portanto, “sabe” que precisa produzir leite.

No entanto, mulheres que passaram por uma cesárea tem no organismo apenas o registro de que houve alguma invasão no seu corpo (a cirurgia). Mas não é imediatamente percebido que essa invasão resultou no nascimento do bebê. Por isso, há muitos relatos de mulheres que demoraram pra produzir leite após uma experiência de cesárea.

Mas o parto normal tem vantagens somente para a mulher?

Não, o parto normal não é cheio de benefícios somente para a mulher. O bebê também tem benefícios enormes quando submetido à uma chegada ao mundo através do parto normal.

Um dos benefícios do parto normal para o bebê mais conhecidos tem associação com a respiração. Isso porque quando o bebê passa pelo canal vaginal, ele tem seus pulmões comprimidos. Essa compressão faz com que o líquido que estava dentro do pulmão seja expelido de forma totalmente natural. Por isso, bebês que nascem com parto normal tem maior facilidade pra respirar.

No parto normal, não há data marcada nem horário agendado. O bebê vai nascer quando ele estiver totalmente pronto para sair. Desse modo, o processo todo acontece de forma absolutamente natural. Por isso, o parto normal conta com uma tranquilidade e calma existentes apenas em processos naturais, e não-replicados através de agendamentos, disponibilidade de horários e conveniência do médico.

Diversos estudos já apontaram que a chegada ao mundo através do parto normal faz um registro no bebê diferente, uma vez que ele passou por todo um processo e chegou ao fim naturalmente, no seu próprio tempo e ao seu próprio modo.

O que a ciência tem dito sobre o tema?

Além disso, há diversos estudos que demonstram que bebês nascidos de parto normal tendem a desenvolver uma relação mãe-bebê muito melhor. De modo geral, esses bebês são mais calmos, têm experiências de sono (rotina de sono) melhores e se mostram menos irritadiços ou “chorões“.

Há também uma infinidade de pesquisas demonstrando que o parto normal é um fator protetivo contra futuros problemas de obesidade/sobrepeso e doenças respiratórias. Isso porque os estudos têm demonstrado que crianças que nasceram de parto normal desenvolvem esse tipo de problema com muito menos frequência, quando comparadas a crianças que vieram ao mundo através de cesárea.

A ciência tem descoberto cada vez mais benefícios do parto normal

Mãe nua amamentando bebê em cama de casal

Mãe nua amamentando bebê em cama de casal – Crédito da foto: Freepik

A verdade é que cada vez a ciência descobre novos e mais benefícios do parto normal, tanto para a mãe quanto para o bebê. A cesárea é uma alternativa que pode e deve ser utilizada, mas preferencialmente nos casos necessários. Isso porque há diversas circunstâncias clínicas que impedem a mulher de passar pelo trabalho de parto. E isso para não mencionar os casos de mulheres que têm complicações durante o trabalho de parto e precisam migrar com urgência para uma cesárea.

Sobre a escolha de cada mulher

Evidentemente, a mulher deve ter direito de fazer a sua própria escolha. E isso inclui a mulher ser informada e conhecer as suas opções, os benefícios e os riscos de cada alternativa pra tomar uma decisão consciente.

As mulheres que são informadas e escolhem pela cesárea devem ter essa escolha respeitada e seu direito atendido. No entanto, para que a escolha seja feita é necessário que a mulher tenha sido informada e tenha tido direito de tirar todas as suas dúvidas. Infelizmente, é muito comum entre os médicos que eles façam a escolha pela mulher, colocando no seu cartão de gestante o tipo de parto sem nunca ter mencionado nada sobre isso com elas ao longo de todo o acompanhamento de pré-natal.

Não raramente, encontramos médicos que optam indiscriminadamente pela cesárea, sem qualquer critério técnico para tal devido a sua conveniência ou preferência pessoal. Em outros casos, o critério técnico adotado é defasado e não sustenta a opção de cesárea. E o pior: Na maioria dos casos, a mulher sequer sabe como será seu parto ou porquê será desse jeito. Ou seja, elas não foram consultadas, não lhes foi perguntado o que elas preferem, ou se elas têm dúvidas.

O tipo de parto é uma escolha da mulher, e essa escolha precisa ser tomada após ela ter sido adequadamente informada. E mais que isso: A escolha precisa ser respeitada.

Independente do tipo de parto, o bebê deve ser colocado em contato direto com a pele da mãe. Esse contato pele com pele é fundamental para o recém-nascido. E neste momento, o bebê também pode ser amamentado pela primeira vez – no caso das mulheres que já estão com leite.

Todas as mulheres podem dar à luz através de parto normal?

Mãe abraçando bebê

Mãe abraçando bebê – Crédito da foto: Freepik

Não, não são todas as mulheres que têm indicação clínica para passar pelo parto normal. No entanto, são raros os casos de mulheres que precisam descartar essa possibilidade. De acordo com a Organização Mundial de Saúde (OMS), apenas 15% das mulheres não possuem condições clínicas para a realização desse procedimento.

Infelizmente, a realidade é bem diferente. A maior parte das mulheres acaba sendo conduzida para a realização de uma cirurgia de cesárea agendada. De modo geral, isso acontece por aspectos associados a preferência e conveniência médica. Isso porque é muito mais cômodo colocar na agenda um dia e hora pra fazer uma cirurgia do que aguardar o tempo do bebê e a natureza da mulher. Por isso, é muito importante que você realize o acompanhamento com um médico que confie e que lhe permita tomar sua própria decisão.

Como saber se tenho ou não indicação para parto normal?

O modo mais seguro de descobrir se você pode passar pelo parto normal é fazer o acompanhamento pré-natal corretamente. Isso porque com o acompanhamento mensal adequado, você fará diversos exames. Com isso, o médico poderá compreender o seu quadro clínico e poderá analisar se é viável passar por um parto normal.

No acompanhamento pré-natal, a mulher realiza exames que vão denunciar caso haja algum problema de saúde da mamãe ou do bebê que possa complicar o parto normal. Por exemplo, caso você tenha alguma infecção que possa ser transmitida durante o parto, nestes exames isso aparecerá e o médico vai saber que precisa descartar o parto normal das suas alternativas. Mas se não houver nenhum problema que possa afetar, complicar ou inviabilizar o parto normal, você poderá optar por ele (desde que esteja sendo acompanhada por um médico que não seja cesarista – médicos obstetras que trabalham exclusivamente com cesáreas).

Uma forma bacana de evitar os cesaristas é pedir indicação para quem ganhou bebê recentemente. Dessa forma, você corre menos riscos de cair nas mãos deste tipo de profissional. E com isso, você poderá ter o parto do jeito que sonhou e sem indicações cirúrgicas desnecessárias.

O parto normal é a melhor opção?

Gestante em quarto de parto da maternidade

Gestante em quarto de parto da maternidade – Crédito da foto: Freepik

De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), o parto normal é o mais indicado. Isso porque ele é um procedimento fisiológico e que ocorre de acordo com o tempo do próprio bebê. Ou seja, o parto normal acontece somente quando o bebê está efetivamente pronto pra vir ao mundo.

Assim como mencionado, cerca de 85% das mulheres chegam na etapa final da gestação com condições clínicas para realizar o parto vaginal. Mas isso não quer dizer que todas essas 85% das gestantes precisam passar pela experiência. Isso porque é a mulher que decide sobre o caminho que quer tomar, depois de receber informações e ter suas dúvidas sanadas. Então, o que vai definir o tipo de parto que cada mulher atravessará é a sua expectativa, os seus sonhos e a sua preferência. Isso nos casos das mulheres que podem fazer o parto vaginal, é claro.

O pré-natal e sua importância na decisão da mulher

As especialistas relembram que o acompanhamento pré-natal não serve somente pra verificar o andamento da gestação e os possíveis problemas de saúde ocorridos nessa época. Na verdade, é no pré-natal que a médica obstetra pode também conhecer sua paciente.

Ou seja, esse acompanhamento também serve pra que a gestante possa falar de seus medos, dificuldades, limitações, angústias e frustrações. Nesse sentido, a médica deve aproveitar esses encontros regulares pra tirar dúvidas, orientar e acolher a gestante. E é claro que boa parte dos medos e dúvidas das mulheres têm associação com o parto, principalmente entre as mamães de primeira viagem.

Algumas das dúvidas mais frequentes entre as mulheres tem relação com:

  • Tipos de parto, suas características, diferenças e etc
  • Locais mais adequados para dar à luz
  • Aspectos associados com as dores e com a recuperação
  • Procedimentos para a preparação pra amamentação
  • Quando será possível voltar às atividades habituais e à vida sexual ativa

Portanto, é no pré-natal que boa parte das angústias, dos medos e das dúvidas das gestantes devem ser acolhidas e respondidas.

Além disso, é importantíssimo levar em conta que parto “anormal” é aquele que desconsidera a mulher e/ou é inseguro para a mãe ou para o bebê. Por isso, o acertado é obter informações, tirar dúvidas e tomar a decisão baseada naquilo que você prefere. O parto é um momento muito importante para a mulher, e não existe escolha certa ou errada. O que existe, infelizmente, é o respeito pelo direito de escolha da mulher ou a imposição arbitrária do médico/equipe de profissionais, desconsiderando a gestante, suas preferências e suas angústias.

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