Talvez você esteja na fase final da gravidez, se perguntando se seu corpo voltará a ser o mesmo. Ou pode já ter passado pelo parto, e visto que retomar as antigas formas não é tão fácil quanto parece.

De qualquer forma, saiba que está tudo bem. Que isso é normal, e faz parte do processo. Que se a atriz da TV ou a influenciadora que você segue no Instagram conseguiram, isso não faz de você menos mulher, nem uma preguiçosa com o próprio corpo.

Vem dar uma espiada no texto de hoje, que aborda esse assunto. Compreenda-se. Relaxe. Você é linda como é!

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Por Fabiana de Toledo

Repita com força: você não precisa voltar ao seu corpo de antes da gravidez. A gente pre-ci-sa entender verdadeiramente isso e programar nossa mente para que essa ideia domine nossos pensamentos. Porque o fato é que aceitar a nossa nova identidade – e isso inclui um corpo transformado – é algo essencial para o nosso equilíbrio e nossa plena realização.

O maior acontecimento da nossa vida acabou de acontecer e um espetáculo da natureza se concretizou no nosso corpo – porque fabricar um ser humano é, sem sombra de dúvida, um evento chocante de tão poderoso (mesmo para quem não se encantou com a gravidez ou não tem boas lembranças do parto).

corpo gravidez

Imagem: 123RF

Não é natural nem saudável que a gente se apresse para emagrecer e endurecer os músculos, quando a prioridade e urgência é nutrir e cuidar da sobrevivência e bem-estar de um bebê. Mas, ainda assim, a gente se deixa enganar e se martiriza com a imagem que vemos no espelho. Mesmo com os peitos cheios de leite e a vagina ou a barriga ainda se recuperando do fenômeno grandioso da gestação e do nascimento da nossa cria, a gente não pega leve com a nossa autoimagem.

Dane-se o rebuliço hormonal, danem-se os mecanismos (e ritmos) fisiológicos do pós-parto! Ora, celebridades recém-paridas ficam estonteantes rapidinho e a publicidade nos diz que é possível, então, não existe “desculpa” para as nossas curvas “desalinhadas”, não é mesmo? Não, nada disso!!! Existe razão de sobra para tanto tumulto corporal e a gente não merece ficar sofrendo, achando o contrário.

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Sabe a quem interessa que estejamos perseguindo padrões quase sempre inalcançáveis, que nos oprimem e condenam a rotinas rigorosas e desprovidas de prazer, tão logo a gente se torna mãe? Interessa principalmente a corporações gigantes (quase sempre conduzidas por homens), que sobrevivem da venda de cosméticos, roupas, tratamentos de beleza, intervenções estéticas, dietas mirabolantes, programas intensivos de exercícios e serviços e produtos afins.

Claro que existem sim mulheres com predisposição genética, alimentação favorável, histórico de atividades físicas e outras condições específicas que conseguem retornar ao peso de antes da gestação (e às vezes ficam até mais magras) e conquistam os contornos que gostariam em pouco tempo e sem sacrifícios. Mas, definitivamente, elas são exceção. O mais comum é uma transformação lenta e gradual do corpo após o nascimento do bebê. O útero leva um mês e meio para voltar ao tamanho normal, os músculos abdominais demoram pelo menos dois meses para retomar a posição original (isso quando não acontece uma diástase), os cabelos ainda enfrentam um bom período de queda, as estrias tardam a clarear, os seios estão longe de seu formato definitivo… Isso sem falar naquilo que mais se transforma e que nunca, mas nunca mesmo, volta a ser como antes: a nossa mente!

Ser mãe é uma experiência que modifica tudo e que faz com que a gente se despeça da vida pré-filhos – na boa ou na marra. Então, se pararmos para pensar, chega a ser simbólico e significativo que, nesse processo de renascimento, a gente leve um tempo para atravessar a nossa metamorfose de corpo e de alma. Não há regras nem prazo de validade para isso.

Cada mulher deve ser acolhida e respeitada na sua cadência própria, sem pressões ou rótulos. Aquelas que quiserem de fato se dedicar ao seu corpo, em um gesto real de autocuidado, que o façam, livres e tranquilas. Mas aquelas que sentirem que não desejam pensar em sua estampa no início da vida materna, que possam fazer essa escolha, sem julgamentos ou chateações. Que a gente alimente, acima de tudo, o nosso amor próprio, sabendo que isso nada tem a ver com seguir padrões. Que a gente possa celebrar a potência desse nosso corpo, que deve ser amado e exaltado porque, entre outras proezas, simplesmente realiza o que há de mais divino na existência feminina: o milagre da vida!