Em abril, o Ministério Público compartilhou um guia de prevenção de acidentes domésticos e instruções para primeiros-socorros. Principalmente, pela grande quantidade de crianças passando tempo integral em casa por causa do isolamento social contra o coronavírus. 

Segundo o documento, em 2015 o Sistema de Informações sobre Mortalidade (SIM) do Ministério da Saúde (MS) registrou cerca de 2.441 mortes de crianças de 0 a 14 anos, causadas por acidentes domésticos, e 100.558 internações da mesma faixa etária pelo mesmo motivo. O guia mostra que, segundo estudos, cerca de 90% desses casos poderiam ser evitados por meio de medidas simples de segurança, orientação e prevenção. 

Confira a seguir, qual os procedimentos de primeiros-socorros recomendados pelo Ministério da Saúde para acudir as vítimas dos acidentes domésticos mais comuns:

Primeiros-socorros para crianças vítimas de engasgo e asfixia 

Criança com bolacha na boca. Foto: Freepik

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O engasgo acontece pela obstrução por alimentos ou objetos das vias respiratórias, seja ele parcial ou total. Segundo o Ministério da Saúde, as recomendações são:

  • Caso a obstrução seja parcial, e a criança ainda consiga respirar. Incentive-a a tossir e expelir o motivo da obstrução. 
  • Se a criança estiver incapacitada de respirar, aplique a manobra de heimlich: ajoelhe na altura da vítima e a abrace-a por trás, feche a mão e posicione um pouco acima do umbigo, com o polegar virado para a barriga da vítima. Com essa mão, em forma de punho, comprima a barriga da criança de baixo para cima “em formato da letra j”, até que o objeto ou alimento seja expelido. 

Caso a criança fique inconsciente durante a manobra:

  • Inicie a reanimação cardiopulmonar e dirija-se imediatamente a um hospital ou serviço de saúde. 
  • Posicione a criança de barriga para cima, deitada em uma superfície rígida. Apoie o dorso da mão em meio aos mamilos da vítima e sobreponha a outra mão entrelaçando os dedos, fazendo compressões.

Como agir quando for um bebê vítima de engasgo ou asfixia 

Pais preocupados com bebê pequeno. Foto: Freepik

Caso aconteça com um bebê pequeno, o Ministério da Saúde recomenda outros protocolos de primeiros-socorros. Confira a seguir. 

  • Coloque a criança para baixo, apoiada em seu antebraço. 
  • Deixe a cabeça do bebê mais baixa que o resto do corpo, e bata cinco vezes entre as escápulas do bebê e o dorso da mão. 
  • Vire o bebê de barriga para cima e examine sua boca, para conferir se algum objeto ou alimento foi expelido. Tome cuidado para não introduzir o alimento ainda mais na garganta do bebê. 
  • Com ele ainda de barriga para cima, com a cabeça mais baixa que o tronco, efetue cinco compressões torácicas com dois dedos posicionados entre os mamilos do bebê. 
  • Repita o processo até que o motivo do engasgo seja expelido. Feito isso, lateralize o bebê e o acalme. 

Se a vítima perder a consciência:

  • Prossiga com as compressões torácicas até a chegada ao hospital ou unidade de saúde. Ligue 193 (corpo de bombeiros) ou 192.

Como prosseguir em caso de queimaduras 

Enfermeira tratando a queimadura de um bebê. Foto: Freepik

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Os acidentes com queimaduras envolvem alimentos e bebidas quentes, água do banho, tomadas, fios desencapados e até brinquedos de ferro excessivamente expostos aos sol. Para cada tipo e gravidade, os procedimentos de primeiros-socorros devem ser diferentes, conforme o recomendado pelo Ministério da Saúde. 

A classificação das queimaduras: 

  • Primeiro Grau: quando afeta apenas a parte mais superficial da pele, deixando-a vermelha e com um leve inchaço. 
  • Segundo Grau: as consequências da queimadura evoluem para bolhas, inchaço mais agressivo e dor localizada. 
  • Terceiro Grau: além da camada superficial, a queimadura atinge a parte mais profunda da pele, não dói tanto quando a queimadura de segundo grau (porque destrói as terminações nervosas) e tem como consequências a pele seca, dura, escurecida ou esbranquiçada e vermelha em volta. 

As formas de tratamento: 

  • Caso a queimadura seja feita por excesso de calor, o necessário é resfriar a área queimada e cobri-la com um curativo. Em seguida, ser encaminhado para um hospital ou profissional da saúde capacitado. 
  • Se a queimadura for resultado de um choque elétrico, a vítima deve ser transportada imediatamente para uma unidade de saúde. 
  • Evite passar loções ou cosméticos na região afetada, não estoure as bolhas das feridas, evite contato com bijuterias e acessórios. 
  • No caso da vítima estar pegando fogo, instrua ela a deixar no chão, rolar e abafar o fogo, com possível um cobertor. 

O protocolo para intoxicações 

Balde com produtos de limpeza. Foto: Freepik

A intoxicação não acontece apenas pela ingestão de produtos químicos ou alimentos contaminados. Ficar muito tempo dentro de um local com alta concentração de venenos ou produtos de limpeza pode causar reações aversivas do corpo também, por inalação. Os sintomas mais comuns incluem irritação nos olhos, garganta e nariz, vômito, diarréia, convulsões, asfixia, tontura e sonolência e excesso de salivação. 

Em situações de intoxicação, é necessário identificar o agente e encaminhar-se imediatamente a uma unidade médica ou ligar para o Disque Intoxicação 0800-722-6601, que funciona 24h.

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Como atender uma vítima de escoriações e fraturas 

Enfermeira cuidando do pé de uma criança machucado. Foto: Freepik

As escoriações são os famosos cortes ou ralados. Já as fraturas, é quando o osso perde a continuidade e ocorrem de duas maneiras. Uma exposta, quando é possível ver o osso fraturado. E outra fechada, com a pele não se rompe. 

No caso das escoriações:

  • Ao se cortar ou se ralar, os primeiros-socorros iniciais é lavar a ferida com água e sabão ou soro fisiológico. 
  • Em seguida, se não tiver necessidade de pontos, deve ser feito um curativo com um band-aid, por exemplo. Caso o corte seja profundo, a vítima deve ser encaminhada imediatamente a uma unidade de saúde. 

Para as fraturas, os cuidados são diferentes:

  • Independente do tipo da fratura, ambas precisam de atendimento médico especializado. 
  • Até a chegada do socorro, mantenha a área lesada imóvel. 
  • Em hipótese alguma tente colocar o osso no lugar ou mova a vítima sem a instrução médica. 

Fraturas expostas com hemorragias ou grandes cortes com muita perda de sangue merecem uma atenção maior:

  • Se for o caso de uma fratura exposta, estanque o sangue com um pano limpo. 
  • No caso de um corte, use uma gaze ou um curativo para estancar o sangue, pressionando-o em cima do machucado. 
  • Ao notar a perda excessiva de sangue, chame ou encaminhe-se imediatamente para uma unidade de saúde. A perda excessiva de sangue pode causar a morte. 
  • Evite que no trajeto até o hospital, a vítima durma. Também evite oferece comida ou bebida. 
  • Caso o sangramento seja na cabeça, mantenha-a reta e não assoe o sangue, estaque-o com um papel. 

Desmaios e convulsões em crianças 

Criança passando mal recebendo um copo de água e um remédio. Foto: Freepik

Os desmaios representam perdas de consciência repentina e podem ser causados por desidratação, esforço físico excessivo, calor ou longos períodos de jejum. Já as convulsões são contrações violentas, incoordenadas e involuntárias de parte ou da totalidade dos músculos, segundo o Ministério da Saúde. Causadas principalmente por doenças neurológicas ou não. 

No caso dos desmaios, as recomendações são: 

  • Evitar que a criança atinja o chão. Então tomar cuidado com a cabeça e tentar deitá-la ou sentá-la em uma cadeira. 
  • Afastar possíveis aglomerações em volta da vítima. 
  • Não oferecer algo para comer, beber ou cheirar. Nem dar tapas no rosto, chacoalhões ou jogar água. 
  • Ligar para a emergência, caso a criança não acorde em poucos instantes. 

Se for uma situação de convulsão: 

  • Proteja a cabeça e o corpo da criança de objetos que podem machucá-la. 
  • Retire os óculos dela e afrouxe suas roupas. 
  • Lateralize a cabeça da criança para evitar que aspire secreções. 
  • Não tente abrir a boca da criança, nem introduzir objetos ou imobilizar os membros. 
  • Se a convulsão vier acompanhada de febre, aplique compressas frias no pescoço, axilas e virilha. 
  • Encaminhe a criança imediatamente para uma unidade de saúde. 

O que fazer se a criança for picada por animais peçonhentos 

Close up de uma aranha. Foto: Freepik

Para identificar uma picada, é importante ficar atento aos sintomas. Nem sempre o local afetado pelo animal vai ter marca, mas a criança pode sentir dor na região acompanhado de vermelhidão, inchaço, hematoma e formação de bolhas.

Os primeiros-socorros incluem:

  • Contato imediato com o serviço de emergência, bombeiros (193) ou SAMU (192).
  • Higienizar a região com água e sabão.
  • Evitar que a criança faça movimentos bruscos no membro que foi picado, e mantê-lo elevado. 
  • Não tentar sugar o veneno, nem colocar café, urina, terra ou outras substâncias em cima da picada. 
  • Se seguro, capturar o animal para que o diagnóstico da picada seja feito corretamente. 

Primeiros-socorros para choques elétricos 

Tomada exposta sem proteção. Foto: Freepik

A passagem de corrente elétrica no corpo pode causar queimaduras, arritmias (desbalanço no ritmo do coração) e a morte. Se associado à água, o choque pode ser ainda mais grave. 

O protocolo recomendado pelo Ministério de Saúde: 

  • Antes de socorrer a criança certifique-se que a corrente elétrica já foi interrompida. Não toque no local que causou o choque, nem nas extremidades da vítima logo após o acontecimento, porque a carga elétrica pode ser transferida e causar outro choque. 
  • Se a interrupção for necessária, use um instrumento isolante como cabo de vassoura e materiais de borracha. Certifique-se também que a sola do sapato que está usando é de borracha. 
  • Caso a vítima tenha perdido a consciência, comece o processo de reanimação cardiopulmonar com compressões torácicas. 
  • Chame imadiamentamente o corpo de bombeiros ou o SAMU. 

Reforçamos que essas recomendações fazem parte do Guia de Primeiros-Socorros do Ministério da Saúde Brasileiro. Independente do acidente, é extremamente importante a avaliação de um profissional.