Como aumentar a produção de leite materno? Que mulher em fase de amamentação nunca questionou isso, não é verdade? Pois nós podemos ajudar umas às outras a enfrentar o fantasma da baixa produção de leite. Sabe como? Com a poderosa dupla: apoio e informação! Confira, a seguir, quais são as medidas e hábitos que realmente interferem na produção do leite materno e saiba como turbinar a sua produção.

como aumentar a produção de leite materno
Foto: Mother and Baby

1) Tome muito líquido. Mas é MUITO MESMO! Só para vocês terem ideia, eu bebia cerca de meio litro de água a cada mamada da Catarina (e no começo eram 8 mamadas por dia, o que significa 4 litros de água). Tudo bem, há mulheres que tomam bem menos líquido que isso quando amamentam e têm muito leite. Mas, de qualquer maneira, vale a pena caprichar na quantidade de líquido (água, suco natural, e chás que não contêm cafeína – já que ela passa pelo leite -, como erva-doce e camomila). Esqueça o velho mito de que cerveja preta aumenta a produção de leite: o consumo de bebida alcoólica pela mulher que amamenta é contraindicado e essa ideia não tem nenhuma comprovação científica.

2) Alimente-se bem. E isso significa adotar uma dieta saudável, equilibrada e que reponha o consumo calórico extra que você está tendo (que é enorme! Em duas semanas, eu perdi todos os quilos extra que ganhei na gravidez; ao final do primeiro mês de amamentação, eu estava 4 Kg mais magra do que o meu normal. Eu tinha que comer um boi por dia para dar conta da Catarina!). Ah, e não adianta comer tudo em um horário só: você deve equilibrar a ingestão ao longo do dia. Para isso, claro que toda ajuda com as tarefas domésticas e o preparo da comida é mais do que bem-vinda! Afinal, em meio a tantos cuidados com o bebê, mal sobra tempo para tomar banho, não é mesmo?

Atualização: certa vez, uma leitora do blog deu uma dica que eu achei muito pertinente – a de comer bastante abacate durante a amamentação. Essa fruta é bastante calórica e rica no que chamamos de “gordura boa” – assim, ela é capaz de repor de modo saudável as calorias que a mãe gasta por estar amamentando. Eu, por exemplo, tinha dificuldade em fazer essa reposição calórica com minha dieta normal. Isso explica o meu rápido (e exagerado!) emagrecimento, que  certamente contribuiu para a queda na minha produção de leite. Se você também está passando pela mesma situação, esta pode ser uma boa alternativa.

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3) Amamente com mais frequência. Esse é o conselho principal, porque, quando existe pouco estímulo, nada é capaz de fazer o volume de leite crescer. Para aumentar a produção de leite materno, é preciso haver demanda. Ou seja: para o corpo entender que é preciso elevar a liberação de prolactina, o hormônio responsável pela produção de leite, é necessário que o bebê mame mais. Também por isso, a livre demanda é benéfica. Diminuir o intervalo entre as mamadas, prolongá-las e oferecer ambas as mamas (esvaziando sempre antes de trocar!) também são hábitos aconselhados para reforçar a produção de leite. Tudo bem que isso pode significar acabar com o pouco tempo que lhe resta, mas esse ritmo só irá durar poucos dias. Logo seu organismo irá sentir que é preciso fabricar mais e responderá à altura.

4) Não pule mamadas. E, quando a ideia é aumentar a produção de leite materno, isso vale inclusive para as madrugadas, já que, nesse período, ocorre o pico de prolactina. Portanto, aguente firme por uns dias e coloque o bebê para mamar de madrugada mesmo se ele estiver dormindo. (Eu sei que parece um pecado mortal, mas o objetivo faz valer a pena!)

5) Ordenhe sempre que possível. Depois de deixar o bebê esvaziar o peito, se puder, faça a ordenha no intervalo até a próxima mamada. Você pode tanto fazer manualmente quanto utilizar uma bomba elétrica: o intuito é simplesmente remover ainda mais leite da mama, para estimular o corpo a produzir mais.

6) Verifique se a pega do bebê no peito está correta. Se o posicionamento da boca do bebê estiver incorreto, a eficiência na sucção fica comprometida e, consequentemente, o bebê mama menos (e ainda machuca os seios!). Às vezes, só de corrigir isso, você já garante um aporte extra de leite para o bebê. Na dúvida, mostre para o pediatra ou uma especialista em amamentação como você está fazendo, pois certamente eles saberão orientá-la.

7) Descanse (quando ouvi da pediatra isso, quase comecei a rir! Descansar, quando?). É, além de tudo, você tem de descansar e se manter emocionalmente bem porque o estresse pode diminuir a quantidade de leite. Ou seja, contar com ajuda e relaxar não é luxo, é necessidade! Procure se cercar de pessoas que a apoiem e criem condições para que a amamentação aconteça da melhor forma possível. E, aqui, cabe dizer que o pai do bebê tem um papel fundamental. Veja só essa campanha.

8) Cuidado com o uso de bicos e suplementos.  Se o bebê tem menos de seis meses, sabemos que a recomendação é que, se possível, se alimente exclusivamente de leite materno. Então, caso ele esteja se desenvolvendo bem (e isso pode incluir períodos de menor ganho de peso, mas de ganho de estatura), em geral, não é necessário que receba complementação. Dar ao bebê leite em fórmula na mamadeira pode sim afetar a produção de leite materno, já que o bebê irá mamar menos no peito. A mesma lógica vale para o uso de chupetas: se, para esticar o intervalo entre as mamadas, a gente recorre às chupetas, isso reduz o estímulo no seio e, logo, impacta a produção de leite materno. Você pode escolher o que considera melhor para a sua família, mas é importante fazer isso ciente dessa informações, entende?

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Imagem: 123RF

Alternativas para aumentar a produção de leite materno que dependem de indicação médica

Até aqui, indicamos tudo o que a lactante pode fazer sem restrições para aumentar sua produção de leite materno. Mas, se para você, ainda é insuficiente, veja o que mais pode ser feito, caso você receba uma recomendação médica:

9) Procure alternativas, sempre com a concordância do seu pediatra. Como a pediatra da Catarina seguia uma linha mais natural, recomendou que eu tomasse o Chá da Mamãe da Weleda, um misto de erva-doce, funcho, folhas de rosa, alcarávia. Lógico que é bom, em primeiro lugar, porque é líquido (lembra da primeira recomendação?). Não dá para saber se ele realmente aumenta o leite, mas o fato é que eu gostei de usar (minha impressão é que, quando eu não tomava, tinha um pouco menos de leite).

10) Considere (junto com o pediatra, não custa repetir) usar medicamentos que induzem a produção de leite. Há dois tipos básicos de medicamentos, um mais antigo (algumas de nossas mães usaram isso), que aumenta um pouco a produção de leite. E um medicamento mais novo, da classe dos antidepressivos, que tem como efeito secundário a produção de leite. Esse aumenta bastante! Não coloco aqui os nomes comerciais justamente para não estimular a automedicação. Converse sempre com seu médico, combinado?

11) Informe-se sobre a relactação. Essa é uma técnica muito válida para mães que, por algum motivo, precisaram usar suplementos para alimentar o bebê. Na relactação, utiliza-se uma cânula com uma extremidade presa à região do mamilo e a outra acoplada a uma espécie de mamadeira. A ideia é dar o complemento de forma que o bebê o tome ao mesmo tempo em que suga o peito da mãe. É um procedimento mais usado quando, por algum motivo, a amamentação foi interrompida e a mãe quer retomá-la. Há até casos de mães adotivas que conseguem produzir leite dessa forma, olha só que incrível!

12) Veja se o problema é na produção ou na ejeção do leite. A produção é comandada pela prolactina, enquanto a ejeção é promovida por outro hormônio, a ocitocina. Para aumentar a produção, reveja os itens anteriores. Mas se o problema for na ejeção, há a possibilidade de facilitá-la com o uso da ocitocina sintética, que pode ser aplicada no nariz para ser absorvida. Mais uma vez: converse com o pediatra.

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Com isso, espero ter ajudado as mães que desejam aumentar a produção de leite materno. É lamentável como é comum ouvirmos palpites extremos quando o assunto é amamentação: ou que é difícil, ou que o leite é fraco… Ou que, se você fizer tudo certo, vai ter leite de sobra! Por isso, é tão importante que você busque informação confiável e apoio. Faça a sua parte, fique tranquila e deixe a natureza agir.

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