Teste de gravidez com sal é seguro? Médica responde!

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Você já ouviu falar sobre o teste de gravidez com sal? Bastante difundida na internet, a prática consiste em coletar um pouco da urina da mulher e acrescentar algumas pitadas de sal – para indicar uma possível gestação em curso. Caso se forme uma espécie de nata sobre a urina, a mulher estaria grávida, de acordo com algumas publicações da internet.

Mas será que essa história faz sentido mesmo? Para sair de achismos e entender se, realmente, o teste de gravidez com sal é eficiente, conversei com a médica Maria do Carmo Borges de Souza, diretora médica do Centro de Reprodução FERTIPRAXIS, do Rio de Janeiro.

Entre as explicações, ela destacou um ponto muito interessante. De acordo com ela, embora esses testes caseiros, que misturam ingredientes à urina para atestar gravidez, sejam tidos como novidades, eram muito comuns em períodos longevos da história, como na Idade Média ou mesmo no Egito Antigo. Naquela época, esses povos utilizavam até mesmo vinho para fazer o teste, o que hoje as pessoas adaptaram para o vinagre (outro teste caseiro comum de gravidez).

Mas, enfim, será que essa prática milenar pode ser mais eficiente do que os testes atuais, que usam tecnologia capaz de precisar inclusive o tempo da gestação? A seguir, confira as respostas da especialista sobre o teste de gravidez com sal e mais informações úteis acerca da comprovação da gestação:

Imagem: 123RF

O teste de gravidez com sal é realmente eficiente? Há evidências científicas que comprovem sua eficácia?
Os testes caseiros (como o que usa o sal misturado à urina), amplamente descritos na internet, podem sugerir algumas mudanças na urina como resultado da interação de algum produto no organismo da mulher, amplificado pela gravidez. Isso poderia mesmo corresponder a alguma precipitação de proteínas ou interação com micro-organismos, mas o fato é que não há qualquer comprovação científica ou segurança no diagnóstico. Há muitas falhas que não resultaram em testes validados e seguros para uma prática corrente.
 
Ainda segundo as publicações, a urina da gestante fica com essa aparência diferente por conta da presença de beta-HCG. Faz sentido?

Já se tinha a noção clara de que na mulher grávida pode ser detectado “algo” que se cristalizou, como um hormônio chamado de HCG (Hormônio Gonadotrófico Coriônico), produzido inicialmente por células do embrião, que aumenta de forma impressionante a partir da fixação dele no útero (chamada de implantação). E posteriormente pela função da placenta, que vai cuidar das trocas entre o bebê e o organismo materno. Esse hormônio é eliminado pela urina, o que rapidamente se mostrou uma forma atrativa de acesso à identificação de gravidez de uma forma precoce.  

A gonadotrofina coriônica humana na sua fração chamada de “beta”, o β-hCG, é quimicamente uma glicoproteína que pode ser detectada no sangue e na urina e que aumenta rapidamente durante a gestação. A grande questão é que o hormônio βhCG atesta presença da gravidez em níveis crescentes com o passar dos dias. Mas, na medida em que a ansiedade leva à busca por uma confirmação mais precoce da gravidez, há pontos importantes a se considerar: por exemplo, o teste positivo não é suficiente para atestar uma gestação que vá evoluir normalmente, especialmente se tiver sido realizado antes de um atraso menstrual. O próprio exame de sangue pode ser mal interpretado, tal o nível de emoções  presente.

Vale lembrar ainda que o hormônio HCG pode ser produzido pelos ovários de uma mulher em condições de tumores específicos, como os teratomas. Pode também ser importante acompanhar sua regressão quando persistem níveis presentes após uma perda gestacional já eliminada pelo útero e até em homens, em situações tumorais específicas. 

E qual a melhor medida para atestar uma gravidez?
A melhor sinalização é o atraso menstrual. Para uma mulher que não está utilizando métodos anticonceptivos e tem um ciclo regular (configurada uma exposição de risco para gravidez), um dia de atraso já resulta em grande expectativa para fazer um teste de urina comercial. No caso dos tratamentos de reprodução assistida, observe se houver atraso no dia indicado por seu médico. E fique atenta também a sintomas clínicos como náusea, vômitos, sonolência e dores nas mamas, além de avaliar níveis no sangue, se eles aumentam em períodos de 24 a 48 horas, que poderiam ajudar a entender uma evolução aparente.
E qual a orientação médica acerca de testes caseiros?

O teste caseiro pode ser realizado como uma espécie de antecipação, mas não pode ser considerado definitivo. Pode ser parte de uma forma até lúdica de se lidar com a gravidez, mas com cautela. As detecções na urina hoje podem ser realizadas por uma mulher em sua própria casa, com testes preparados para detectar o hormônio, seja através de tirinhas que mudam de cor ou canetinhas com visores que podem inclusive definir o tempo de gravidez em semanas, a partir da implantação.

Na dúvida procure uma orientação médica. A medicina evolui, os conhecimentos vão aumentando, mas as pessoas permanecem iguais em seus desejos e necessidades. Contar com uma orientação mais segura neste momento de expectativa de gravidez é tudo de bom!

Resumindo: vale fazer o teste de gravidez caseiro com sal (ou outros) como uma forma lúdica de tentar descobrir uma gravidez, mas só confie no resultado se vindo de um teste de farmácia e, posteriormente, de um exame de sangue.


 



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