Pregorexia: o risco da anorexia na gestação

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Você provavelmente já ouviu falar de anorexia. E talvez também saiba, como mostrei aqui no blog, que o problema merece atenção desde a infância. Mas você sabia que nós, mulheres adultas, estamos tão sujeitas ao transtorno alimentar quanto os nossos filhos? E pior, que isso pode nos acometer durante a gestação, colocando a nossa saúde e a do bebê em risco. O problema tem nome: chama-se pregorexia, a anorexia durante a gravidez (mistura das palavras anorexia e pregnancy, gravidez em inglês).

Esse termo como está conhecido hoje – pregorexia – é novo. Contudo, trata-se de um distúrbio recorrente há bastante tempo nos consultórios. O que acontece é que o cuidado com a alimentação durante os meses de espera do bebê e o medo de engordar se tornam exacerbados, transformando-se em uma verdadeira obsessão pelo controle do peso.

E é aí que mora o perigo: a pregorexia é considerada ainda mais grave que a anorexia, afinal, são duas vidas colocadas em risco como consequência do distúrbio. A seguir, você conhece melhor o problema: quais os sintomas, a forma de tratar e como distinguir os cuidados realmente necessários com a alimentação durante a gravidez e o mal.

Imagem: 123RF

Os sintomas da pregorexia

Assim como a anorexia em outras etapas da vida, a pregorexia é caracterizada pela obsessão sobre o controle do peso. Com isso, o medo de engordar faz a mulher recorrer a medidas drásticas, como diminuir a quantidade de comida consumida (e necessária), praticar exercícios físicos excessivamente, induzir vômitos e fazer uso de laxantes.

Outros comportamentos excessivos, como a contagem constante de calorias, é mais um indício de pregorexia. E é muito importante destacar essa diferença: a preocupação com uma alimentação saudável durante a gravidez, assim como com o controle do peso são necessárias, sim. O risco está em ver os quilos a mais e as mudanças no corpo (naturais da gestação) como problemas, e tentar evitá-los ao máximo, recorrendo a atitudes como as que citei acima (e que não são nada saudáveis!).

Vale ressaltar ainda que mulheres que já sofreram algum tipo de transtorno alimentar ou emocional antes de engravidar estão entre as mais propensas a desenvolver pregorexia.

Diagnóstico e tratamento

O profissional de saúde que acompanha a mulher durante o pré-natal geralmente é o primeiro a desconfiar de um quadro de pregorexia, por meio do acompanhamento de peso que é feito nesse período. Há médicos que relatam que é muito difícil, quando questionada, que a paciente admita recorrer a medidas drásticas para controlar o peso. Contudo, se ela estiver abaixo do peso, ele recomendará uma dieta mais adequada.

O diagnóstico de pregorexia é muito importante porque, além de adaptar a alimentação, a mulher precisa de um acompanhamento multiprofissional, pois estamos falando de um problema de natureza emocional. Com isso, além do próprio ginecologista e de um nutricionista, ela deve também ser tratada por um psicólogo ou psiquiatra, para que realmente entenda pelo que está passando e a real necessidade de se preocupar com a saúde dela e do bebê.

Se não tratada adequadamente, a mulher com pregorexia pode sofrer de desnutrição ou mesmo ter um aborto espontâneo. Já o bebê pode ter um mau desenvolvimento, com sequelas para o resto da vida.

Dicas

Infelizmente, a pressão pelo “corpo perfeito” ainda é forte e isso pode contribuir para o aparecimento do transtorno. Por isso, durante a gestação, vale deixar de seguir aquela página no Instagram que cultua esses tipos físicos inatingíveis, para que você não se incomode. Vale lembrar que, na gravidez e depois, o que importa de verdade é a sua saúde, e que mudanças no corpo durante esse período são naturais e necessárias para o bom desenvolvimento da criança (e também transitórias).

É evidente que a prática de exercícios físicos durante a gestação e o cuidado com uma alimentação equilibrada são muito importantes, como já falei diversas vezes aqui no blog. Mas que esses cuidados visem sempre a saúde, e não a estética baseada em modelos de corpos “perfeitos” (que, muitas vezes, são doentes!).

E se a ideia de mudanças no corpo te incomodar, vale a pena procurar um psicólogo para relatar as queixas (e até prevenir uma possível pregorexia). Para finalizar, vale ainda refletir sobre uma declaração da atriz americana Blake Lively, meses após o nascimento do segundo filho, hoje com três anos: “Você não precisa se encaixar no padrão Victoria’s Secret de imediato, porque você simplesmente fez o milagre mais incrível que a vida tem para oferecer. Você deu à luz um ser humano”. É não é verdade?


 



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