O novo Coronavírus tem causado níveis de contaminação cada vez maiores ao redor do globo. Felizmente, os números de casos graves entre crianças são consideravelmente mais baixos do que em adultos e idosos. Entretanto, é inegável que mesmo os casos graves entre crianças têm aumentado nas últimas semanas.

Ao que tudo vem indicando, as crianças se contaminam tanto quanto os adultos. O que parece acontecer é que por alguma razão as crianças não chegam a desenvolver os quadros mais sérios da doença. Na verdade, a maior parte das crianças contaminadas têm sintomas semelhantes a um resfriado normal.

Basicamente, ainda são poucos os casos de crianças infectadas com o novo Coronavírus que desenvolveram problemas graves. Esse fenômeno um tanto “esquisito” tem gerado algumas dúvidas nas pessoas. Por que será que isso está acontecendo? Será que as crianças podem ser fonte de contaminação, uma vez que são pouco afetadas pelo vírus? Descubra aqui o que pode estar acontecendo. Boa leitura!

As crianças com o novo Coronavírus apresentam sintomas mais leves, ou nem apresentam sintomas. Elas podem transmitir o vírus?

Menino com máscara de proteção devido a coronavírus com placa escrito "fique em casa" na janela de casa

Menino com máscara de proteção e placa “fique em casa” na janela – Foto: Freepik

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Sim, elas podem transmitir o vírus.

É importante iniciarmos por este ponto porque essa é uma dúvida crescente entre as famílias. Mesmo que a criança não tenha nenhum sintoma ou tenha sintomas super tranquilos, ela continua sendo uma fonte do vírus. Ou seja, essa criança é uma pessoa que pode transmitir o vírus para outras pessoas.

Inclusive, muitos cientistas acreditam que esse é um ponto crucial. Roberts é médico pediatra e especialista em infecções infantis. Ele afirma que “Essa é a grande questão. Muitos acham que as crianças são de baixo risco e por isso não precisamos nos preocupar com elas. Sim, isso pode ser verdade para crianças que não tem problemas médicos crônicos, como imunodeficiências. Mas as pessoas esquecem que as crianças são provavelmente uma das principais rotas pelas quais a infecção está se espalhando pelas comunidades.”

Justamente por apresentar poucos sintomas ou por não apresentar sintomas, os adultos não estão tomando os cuidados necessários com as crianças. Muito disso se deve a noção de que “mesmo que a criança pegue, ela ficará bem”. Isso até pode ser verdade, mas a questão é que a criança pode infectar outras pessoas (e essas outras pessoas talvez não fiquem tão bem assim).

O novo coronavírus é transmitido através de gotículas respiratórias (pela tosse, espirro ou fala, por exemplo) e pelo contato com superfícies contaminadas (como portas, paredes e objetos, por exemplo). Isso quer dizer que as crianças infectadas podem passar a doença para outras pessoas, mesmo aquelas sem nenhum sintoma.

Fechamento de escolas devido ao novo coronavírus. É realmente necessário?

Roberts também comenta que “Crianças com sintomas leves provavelmente serão uns dos maiores contribuintes para espalhar o vírus. É por isso que o fechamento das escolas é crucial, para reduzir o ritmo de contaminação.” Muitos outros médicos pediatras, cientistas e especialistas concordam com Roberts neste ponto.

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De acordo com eles, manter as escolas fechadas é uma forma de garantir que as crianças contaminadas não tenham livre acesso a dezenas ou centenas de outras pessoas para contaminarem.

Aproveite e leia agora mesmo estas super dicas do que fazer com as crianças durante a quarentena.

Então as crianças apresentam sintomas leves (ou não apresentam sintomas), mas são grandes fontes de transmissão do novo coronavírus mesmo assim. Isso já aconteceu com outros vírus?

Menina sentada na cama tossindo em lenço

Menina sentada na cama tossindo em lenço – Foto: Freepik

Sim, isso já aconteceu no passado com outros vírus. Inclusive, um dos casos mais conhecidos pela ciência deste fenômeno ocorreu justamente com o vírus da influenza. Para aqueles que não sabem, influenza é o vírus do que nós conhecemos por gripe.

Roberts relembra que “A influenza em uma criança com frequência se restringe a um nariz escorrendo. Dificilmente a criança sofre mais que isso com este vírus. Mas na população mais velha ela (influenza) pode levar à hospitalização, à UTI e pode ser fatal”.

O especialista lembra disso para explicar que um dos principais objetivos das campanhas de vacinação contra a gripe entre as crianças é justamente evitar que elas transmitam o vírus aos mais velhos. Ou seja, no momento que a criança se vacina ela não está somente cuidando para não ficar gripada. Na verdade, ela também está garantindo que não infectará uma pessoa mais velha que provavelmente sofrerá com o vírus.

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Veja aqui quais as diferenças entre um resfriado, uma gripe e a H1N1.

A covid-19 afeta de modo diferente crianças de diferentes idades?

Sim, tudo indica que a doença causada pelo novo Coronavírus (Covid-19) afeta as crianças de forma diferente, a depender das suas idades.

Depois de perceber que as crianças não eram afetadas do mesmo jeito que os adultos, pesquisadores chineses decidiram investigar o novo Coronavírus na infância. O objetivo destas pesquisas foi justamente compreender como o vírus se comporta entre as crianças.

Diversos dados obtidos nestes estudos sugerem que as crianças pequenas (principalmente os bebês) são mais vulneráveis ao novo Coronavírus. Isso quando elas são comparadas com outras crianças, mais velhas. Entenda melhor um pouco destes resultados:

  • 10% dos bebês infectados com o novo Coronavírus desenvolveram quadros graves da doença
  • Entretanto, o número de casos sérios cai para 3% quando as crianças estudadas possuem mais de 5 anos

Vale destacar que os bebês estudados tinham idades que variavam de 1 mês até 1 ano de vida. Esses achados sugerem que os bebês em seu primeiro ano de vida (e as crianças com menos de 5 anos) correm mais risco se infectadas do que as crianças com mais de 5 anos de vida.

De acordo com Roberts, “A doença (Covid-19) parece ter uma predileção para com crianças em idade pré-escolar. Elas (as crianças pequenas) têm vias aéreas menores. Elas são menos robustas que as mais velhas em combater a infecção. Também têm maior probabilidade de serem hospitalizadas, por serem tão novas.”

O especialista acredita que o fato do sistema imunológico ainda estar muito mal formado faz com que essas crianças não consigam lidar bem com a doença. Obviamente, estes achados derrubam por terra aquela falsa sensação de que as crianças “são imunes” ou “estão protegidas” do novo Coronavírus. Os dados demonstram que as crianças pequenas podem ser severamente afetadas por este vírus.

E quanto aos adolescentes? Como o novo Coronavírus se comporta entre os jovens?

Pré-adolescentes com máscaras e toucas

Pré-adolescentes com máscaras e toucas – Foto: Freepik

O primeiro ponto a destacar é a recordação de que os adolescentes apresentam uma série de aspectos biológicos que vai se assemelhando ao funcionamento fisiológico do adulto. Inclusive, o sistema imunológico do adolescente é bastante parecido com o sistema imunológico do adulto. Naturalmente, esse é um “ponto negativo” porque o vírus está mostrando que o sistema imunológico adulto não consegue lidar bem com ele (com o novo Coronavírus).

Roberts acredita que é justamente o fato do sistema imunológico do adolescente ser tão parecido com o adulto que faz com que os jovens não consigam combater de forma efetiva a Covid-19. O especialista afirma que “Nos adolescentes, vemos uma maturação do sistema imunológico para um padrão mais adulto, que é menos eficiente no combate ao vírus. É importante lembrar, porém, que sabemos muito pouco sobre o vírus – estamos especulando no sentido de entender os padrões epidemiológicos que estamos observando.”

As pesquisas chinesas sobre o novo Coronavírus nas crianças estudou desde bebês de 1 mês de vida até crianças de 9 anos. Isso porque diversos estudiosos consideravam que a pré-adolescência inicia aos 10 anos (apesar desta ser uma marca não consensual na ciência). Os estudos com crianças não registraram nenhuma morte devido a Covid-19. Ou seja, nenhuma criança (9 anos ou menos) participante dos estudos foi a óbito devido ao vírus.

Principais óbitos de adolescentes devido ao novo Coronavírus no mundo

Em relação a adolescência, não há nenhum estudo até o momento que tenha pesquisado esta faixa etária especificamente. Entretanto, sabe-se de ao menos 4 casos de adolescentes vítimas da Covid-19, sendo dois deles brasileiros:

Este último caso do menino de 12 anos do Rio de Janeiro é até o momento o caso da vítima mais jovem do estado do Rio. Além disso, há casos de óbito de jovens de 10 e 11 anos sob suspeita de coronavírus. Até o momento, no entanto, não há confirmação de que foi o novo Coronavírus o causador do óbito.

A Covid-19 afeta bebês recém-nascidos também?

Bebê com máscara de proteção em quarentena devido ao novo Coronavírus

Bebê com máscara de proteção – Foto: Freepik

Sim, com toda a certeza. Em relação a isso parece não haver realmente dúvidas, uma vez que já há alguns casos apontando nesta direção.

Há ao menos dois casos que foram amplamente divulgados na mídia sobre recém-nascidos com novo Coronavírus confirmado, são eles:

No Brasil, há ao menos dois casos de recém-nascidos que também foram diagnosticados com o novo Coronavírus:

Entretanto, ainda não se sabe se os bebês contraíram a doença no útero materno ou se ocorreu depois de nascerem. A verdade é que ainda se tem muito pouco conhecimento sobre as formas que o novo Coronavírus pode (ou não pode) afetar os bebês ainda no útero.

Há algumas evidências científicas que demonstram que outros tipos de coronavírus podem causar abortos espontâneos, partos prematuros e baixo crescimento nos bebês. Todavia, não há estudos a respeito dos efeitos deste novo Coronavírus nas gestantes e nos bebês intrauterinos. Por isso, não é possível saber se este vírus causa efeitos similares ou não.

Apesar das muitas dúvidas sobre o tema, parece ser verdade que as gestantes correm maior risco de desenvolver sintomas graves da doença, se infectadas. Por isso, é recomendado que as mulheres grávidas sejam extremamente cautelosas durante a quarentena.

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