Nesses tempos de H1N1 nós, mães, nos sentimos entre a cruz e a espada. Se o filhote fica doente, você não sabe se corre para o pronto-socorro, para tentar diagnosticar um problema sério ainda no início, ou se o observa um pouco mais em casa, para não correr o risco de que ele pegue algo pior nas salas de espera dos hospitais!

Aqui em casa também sinto o mesmo conflito (desde que Catarina nasceu tem sido assim, e agora, com o surto de H1N1, ainda mais). E uma dica inicial que queria deixar é dar preferência a levar o filhote ao pediatra, e não ao PS (onde, em geral, os casos são mais graves e as chances de transmissão de doenças indesejáveis são maiores). Claro que nem sempre isso é possível (eu costumo dizer que sofro da síndrome da sexta-feira: sempre que esse dia da semana vai chegando, eu morro de medo de não poder recorrer diretamente ao médico da minha filha no fim de semana). Mas vale ficar de olho no filhote, e marcar uma consulta se ele não melhorar dentro do intervalo de tempo que você considera normal para isso acontecer (no fundo, a intuição de mãe sabe se há algo errado!).

Outra dica que eu acho importante para ser compartilhada é que existem algumas diferenças básicas entre os sintomas de um resfriado e de uma gripe (seja ela comum ou a H1N1). E sabendo reconhecê-las, fica mais fácil para uma mãe ou um pai saberem se é hora de procurar um médico. No caso de suspeita de gripe, sempre vale a pena levar o filhote ao pediatra, pois a indicação de medicamentos faz parte do tratamento. E outro ponto fundamental: quanto mais nova a criança, menos você deve esperar para procurar ajuda, pois a piora do pequeninos ocorre muito rapidamente.

Por isso, nesse post, reuni informações que ajudam a distinguir um resfriado de uma gripe comum, ou causada por H1N1. Espero que elas sejam úteis aí na sua casa (compartilhe para que mais mães tenham acesso!).

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Imagem: 123RF

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Resfriado não é gripe

Antes de tudo, é importante saber reconhecer as diferenças entre resfriado e gripe. Os dois casos são causados por vírus, que causam mal-estar, coriza nasal, espirros, dor de cabeça, febre… Mas o que diferencia uma gripe de um resfriado é a intensidade desses sintomas. Quando alguém está gripado, a febre atinge níveis altos (ultrapassa os 38,5°C) e é constante (no caso do resfriado, o paciente apresenta picos de febre, que, em geral, não atingem os 38°C). Além disso, todos os sintomas descritos se manifestam de maneira muito intensa na pessoa gripada, o que impede que ela execute suas atividades de rotina. Os bebês ainda podem apresentar olhos vermelhos e dor de garganta, em caso de gripe.

Diferentemente do resfriado, a gripe (mesmo a comum) é uma doença séria, pois pode evoluir para quadros graves, como pneumonia (pois o vírus se manifesta em todo o sistema respiratório). E as nossas crianças compõem um grupo vulnerável para as duas doenças, pois a a resistência deles é menor, com o sistema imunológico em formação. Fique atenta aos sintomas (para ajudar no tratamento, ofereça a ele bastante líquido e deixe-o descansar) e, mesmo achando que se trata de um resfriado, leve o pequeno ao pediatra, se ele não melhorar dentro de poucos dias. A ida ao médico deverá ser urgente se o filhote tiver menos de três meses (e manifestar qualquer sinal de que não está bem), ou se a desconfiança for de gripe.

Também vale ressaltar que um resfriado é diferente de manifestações alérgicas, como rinite. Quando a pessoa está com rinite, ela espirra várias vezes durante um curto período de tempo, e pode até apresentar sinais semelhantes aos do resfriado, como nariz obstruído ou coriza. Contudo, os sintomas param aí: ela não terá dor de cabeça, febre e mal-estar.

 

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Gripe comum x H1N1

Os sintomas da H1N1 são bem parecidos com os da gripe comum. Mas, em alguns casos, o indivíduo com H1N1 chega a apresentar manifestações ainda mais fortes, como diarreia e vômito. Para confirmar se seu filho (ou você) está com H1N1, é necessário fazer exames (que serão indicados pelo médico, se ele desconfiar do quadro depois de uma avaliação clínica).

A H1N1 tende a ser mais grave que a gripe comum, pois o vírus que a provoca tem uma capacidade maior de alterar o sistema respiratório, levando a internações (e até mesmo a óbitos) mais frequentemente. O tratamento, feito com medicação, varia de acordo com o tipo de gripe.

 

Por que gripe é comum no frio?

Manter o filhote bem agasalhado quando as temperaturas caem é uma medida muito importante; contudo, vale saber que não é o frio, propriamente dito, que faz com que os casos de resfriado e gripes aumentem nos meses mais gelados. O que acontece é que, por conta do frio, as pessoas passam a se aglomerar mais em locais fechados, o que faz com que a transmissão de vírus seja mais frequente.

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Nesse ano a proliferação do vírus se antecipou (como vocês estão vendo, o país inteiro estava há pouco tempo sob ondas de calor constantes, e o número de casos já era muito maior do que os do ano passado), e os profissionais de saúde ainda não têm uma explicação definitiva para esse fato. Alguns apontam que uma possível causa seria o aumento de viagens dos brasileiros a outros países, o que faz com que eles se contaminem lá fora (a Inglaterra, por exemplo, está até suspendendo aulas em algumas cidades, por conta do aumento de casos de H1N1) e tragam os vírus pra cá.

 

Como se prevenir?

Para se prevenir contra resfriados, a gripe comum e a H1N1, as regras de higiene são basicamente as mesmas (lembrando que é importante manter as medidas de prevenção sempre, mesmo no calor). Evite ambientes fechados e aglomerações, lave as mãos com água e sabão constantemente (e faça o pequeno fazer o mesmo), coloque o braço em frente à boca ao tossir ou espirrar (ao invés das mãos), evite compartilhar objetos de uso pessoal (como garrafinhas d’água), não leve os olhos ao nariz ou à boca, especialmente após entrar em contato com itens de uso compartilhado, como maçanetas (fundamental reforçar com as crianças, que fazem isso com frequência). Lembre-se também de manter hábitos saudáveis para manter a imunidade em alta (ou seja, coma e durma bem!).

Para pequenos entre seis meses e cinco anos, gestantes, idosos e portadores de doenças crônicas, é importante também tomar a vacina contra gripe, já disponível nas redes particular e pública. As pessoas fora dessa faixa etária também podem tomar por conta própria, mas é importante salientar que a grande preocupação são os indivíduos dentro do grupo de risco, pois neles as complicações são maiores.

Nos bebês com menos de seis meses, a melhor forma de prevenção (contra qualquer tipo de doença) é a amamentação, pois o leite materno contribui para o desenvolvimento de anticorpos e fortalecimento da imunidade. Também vale destacar que a vacina contra gripe (mesmo a infantil, destinada a menores de três anos) não é direcionada para menores de seis meses. Por isso, enquanto o surto acontece, não convêm expor os pequenininhos em locais públicos ou ao contato com pessoas possivelmente doentes.