O bebê prematuro é aquele que nasceu antes da 37ª semana de gestação. Além disso, é considerado nascimento prematuro de alto risco quando o parto ocorre com 32 semanas ou menos de gestação. Também é considerado um nascimento de alto risco quando o bebê nasce com menos que 1,50 kg. Bebês prematuros não raramente necessitam de cuidados especiais nas unidades neonatais intensivas, nos hospitais.

Nascer antes do tempo pode trazer uma série de problemas para o desenvolvimento do bebê. Veja neste artigo as principais implicações para o desenvolvimento do cérebro de um bebê prematuro. Boa leitura!

Mortalidade infantil

Mão de bebê prematuro

Crédito: Freepik

O bebê prematuro apresenta alteração nas conectividades de algumas áreas fundamentais do cérebro, de acordo com estudo conduzido pela King’s College London (Inglaterra) e publicado em 2015. Os pesquisadores acreditam que é a fragilidade desse processo de conexões que pode estar associado com o fato dessas crianças apresentarem mais riscos de desenvolver doenças psiquiátricas no futuro.

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O nascimento prematuro é a causa mais importante de mortalidade infantil em todo o mundo, de acordo com uma série de levantamentos das últimas décadas. Na época do estudo citado, o Brasil sofria com mais de 9 mil mortes de bebês prematuros por ano. Esse número garantiu ao nosso país o cinturão de campeão em mortes ligadas à prematuridade em toda a América Latina.

Apesar disso, levantamentos recentes demonstram que, de 2015 pra cá, o número de mortes por prematuridade por ano foi reduzida. Todavia, pesquisadores do assunto alertam para o fato de que as taxas continuam alarmantes e que ainda há muito a se avançar para garantir que o bebê prematuro consiga se desenvolver de forma saudável após o nascimento.

Desenvolvimento cerebral do bebê prematuro e suas consequências

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Um estudo conduzido na McGill University (Canadá) e publicado no ano de 2017 traz informações preciosas sobre o desenvolvimento do cérebro do bebê prematuro. A pesquisa demonstra que o bebê prematuro tem até duas vezes mais chances de vir a apresentar algum distúrbio psiquiátrico na infância ou ao longo da vida, quando comparado com o bebê que nasceu a termo. De acordo com a equipe de estudiosos, ainda não é possível definir antecipadamente se a criança apresentará ou não um problema. Além disso, é ainda mais difícil de definir a gravidade do problema, no caso das crianças que virem a desenvolvê-lo.

Os diagnósticos futuros mais comuns entre bebês prematuros são:

  • Distúrbios de hiperatividade
  • Transtornos de déficit de atenção
  • Transtorno do espectro autista
  • Distúrbios depressivos

Paralisia cerebral e deficiências cognitivas

Pesquisas recentes conduzidas na Universidade de Coimbra (Portugal) e publicadas entre os anos de 2017 e 2018 demonstram que uma pequena quantidade de bebês prematuros podem vir a desenvolver problemas graves associados ao sistema neuro-sensor. De acordo com estes estudos, de 10% a 15% dos bebês que nasceram prematuramente podem apresentar:

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  • Surdez
  • Cegueira
  • Paralisia cerebral

Além disso, um estudo conduzido em parceria entre o Hospital da Mulher e da Criança (Estados Unidos) e a Brown University (Estados Unidos) demonstrou dados importantes sobre o desenvolvimento do cérebro do bebê prematuro. De acordo com os pesquisadores, de 30% a 60% desses bebês apresentam deficiências cognitivas significativas ao longo da vida.

O estudo publicado no ano de 2014 observou que dificuldades de aprendizagem e anomalias na linguagem são mais comuns entre bebês prematuros. O mesmo estudo também apontou que mesmo bebês que não tiveram lesão cerebral costumam ter alteração na sua maturação cerebral. Essas anomalias têm associação com alterações estruturais e microestruturais no cérebro, de acordo com os pesquisadores.

Todos os estudos apresentados até aqui apresentam uma conclusão comum: as alterações ocorridas no desenvolvido do cérebro do bebê prematuro podem ter efeito duradouro na infância, na adolescência e, em casos graves, ao longo de toda a vida adulta. Os pesquisadores também alertam para a necessidade de prestar suporte fonoaudiológico e educacional de forma preventiva para crianças que nasceram prematuramente.

Distúrbios do comportamento e dificuldade de aprendizagem

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Outro estudo norte-americano publicado em 2009 afirma que mais de 60% das crianças que foram prematuras apresentam deficiências consideradas “mais sutis”. Portanto, essa parcela das crianças é mais difícil de ser analisada, uma vez que seus sintomas podem não ser correlacionados ao período neonatal, mesmo pela família. As dificuldades associadas com o processo de aprendizagem e os distúrbios de comportamento são os problemas mais recorrentes nesses casos, de acordo com o estudo.

A pesquisa conduzida pela Texas A&M University (Estados Unidos) demonstrou que mais de 60% das crianças que nasceram prematuramente apresentaram ao menos um dos seguintes problemas:

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  • Hiperatividade
  • Déficit de Atenção
  • Retraimento excessivo
  • Timidez patológica

Além disso, pesquisa realizada pelo Departamento Materno-Infantil de Maryland (Estados Unidos) e publicado em 2013 demonstrou que quase 30% das crianças e adolescentes que nasceram de forma prematura exibiram ao menos um problema mental antes de chegar à vida a adulta.

Depressão e transtornos do humor

No ano de 2018 a Associação Americana de Médicos relembrou um dado importantíssimo já descoberto sobre o cérebro do bebê prematuro. De acordo com a instituição, o volume cerebral do bebê prematuro é menor, quando comparado ao restante dos recém-nascidos. Vale destacar aqui que cérebros com volumes reduzidos tendem a apresentar resultados cognitivos também inferiores, o que reforça as dificuldades intelectuais e de aprendizagem que essas crianças podem sofrer.

Além disso, também foi destacado pelos médicos da Associação que nem todo bebê prematuro apresenta dano cerebral visível, como hemorragias intraventricular ou alargamento ventricular. Entretanto, o bebê que apresenta um desses problemas costumam ter até 4 vezes mais chances de sofrer com depressão ou com outro distúrbio depressivo na infância, adolescência ou vida adulta.

Habilidades sociais

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As habilidades sociais também podem ser prejudicadas quando falamos da experiência de um bebê prematuro. Isso ocorre em uma medida menor pelas conexões cerebrais pouco (ou mal) formadas antes do parto e em maior medida pelas consequências do cotidiano de um bebê prematuro recém-nascido, de acordo com o estudo canadense publicado em 2017.

De acordo com os pesquisadores, é normal que o bebê prematuro continue a apresentar uma série de problemas de saúde física após o nascimento. Essa realidade faz com que o pequeno demande muitas consultas médicas e, inclusive, hospitalizações nos primeiros anos da vida da criança – em alguns casos. Isso faz com que a criança tenha sua rotina afetada e, consequentemente, a sua participação em atividades normais da infância pode sofrer prejuízos. Com isso, é comum que as habilidades sociais da criança sofram pela rotina mais afastada da escola, de colegas e de outras atividades que ajudam a fortalecer as relações sociais na infância.

Formas de ajudar o desenvolvimento cerebral do bebê prematuro

Cuidado Canguru

A importância da promoção de competências maternas e da melhoria na relação mãe-bebê é uma unanimidade: todos os estudos mencionados neste artigo tocam nessa tecla. Uma das dicas mais simples e que tem efeitos importantíssimos é o conhecido “Cuidado Canguru” (Kangaroo Care, na sua língua original). Este modelo de cuidado não é nada mais nada menos do que incentivar o contato pele a pele entre a mãe e o bebê.

Uma série de estudos publicados entre 2003 e 2019 demonstraram que manter contato de pele entre a mãe e o bebê prematuro aumenta a sensibilidade parental e reduz significativamente as consequências das possíveis lesões cerebrais que o pequenino pode possuir. Além disso, algumas pesquisas inglesas também mostram que intervenções que reduzem o sofrimento da mãe do bebê prematuro traz uma série de benefícios tanto para a mulher quanto para o desenvolvimento infantil. Esses estudos estão conseguindo demonstrar que a saúde emocional e mental da mãe influencia no desenvolvimento cerebral do bebê.

Amamentação

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Uma pesquisa publicada em 2015 e conduzida pela King’s College London (Ingleterra) demonstra que o bebê prematuro que é exposto ao aleitamento materno consegue fazer conexões sensoriais mais fortes. Isso quer dizer que a mãe dar leite materno (seja no peito ou na mamadeira) já é uma forma de auxiliar o desenvolvimento do cérebro do bebê prematuro.

Competências sociais

Em relação às competências sociais, especialistas no assunto contam que a receptividade da mãe tem associação com o nível de habilidades sociais do bebê. Ou seja, dar condições para as mamães acompanharem o bebê prematuro e se conscientizarem dos sinais que ele dá e da sua forma de se comunicar é uma maneira de ajudar no desenvolvimento de mais habilidades sociais da criança.

Em contrapartida, quando a mãe, o pai ou a família se mostram muito rígidos, controladores ou restritivos é mais comum que a criança tenha muita dificuldade de desenvolver competências sociais e cognitivas.

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