Bebês prematuros: o que dizem novos estudos sobre seu desenvolvimento

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Você espera meses enquanto ele está dentro da barriga. Depois, mais horas no parto. E, então, chega o momento de finalmente levar o seu bebê para casa. Certo? Por mais que essa seja a realidade de muitas famílias, não é para todos que isso ocorre. Os pais de bebês prematuros precisam ainda aguardar um período (que pode ser longo!) até que seus filhos conheçam o quartinho preparado com tanto amor para eles, dentro de casa.

E são muitas as famílias vivendo essa realidade: nascem anualmente no mundo 20 milhões de bebês prematuros e de baixo peso (menores de 2,5 kg). Só no Brasil, cerca 10% dos bebês nascem antes do tempo, ou seja, com menos de 37 semanas de gestação.

Estimativas mostram ainda que um terço dos bebês prematuros morre antes de completar um ano de vida. Felizmente, para mudar essa realidade, a medicina tem avançado em estudos que estão revelando novidades para ajudar no tratamento e na relação com os pequenos prematuros. A seguir, eu compartilho com vocês um material muito bacana listando alguns desses trabalhos, acompanhados de comentários feitos pelo pediatra e homeopata Moises Chencinski. Vale a pena conferir e mostrar para outros pais. Vem ver!

Imagem: 123RF

Leite materno é essencial para a saúde dos bebês prematuros

Aqui no blog eu já mostrei um estudo que mostrou que bebês prematuros alimentados com leite materno tiveram menos problemas cardíacos, na vida adulta, do que aqueles que receberam fórmula. E, recentemente, outro estudo mostrou a importância do leite materno em relação ao desenvolvimento do cérebro desses pequeninos. De acordo com análises de imagens cerebrais de 47 bebês nascidos antes da 33ª semana de gestação, pesquisadores constataram que aqueles que receberam exclusivamente leite materno, por pelo menos três quartos dos dias que passaram no hospital, apresentaram melhor conectividade cerebral em comparação com outros. E mais: os efeitos foram maiores em bebês alimentados com leite materno por mais tempo (enquanto estavam na terapia intensiva).

“Mães de bebês prematuros devem receber apoio para fornecer leite materno enquanto seu bebê estiver em cuidados neonatais – se puderem e se o bebê estiver bem o suficiente para receber leite – porque isso pode dar aos filhos a melhor chance de um desenvolvimento cerebral saudável”, diz o Dr. Moises.

Veja o estudo (em inglês) aqui

Crianças que nasceram prematuramente podem ter menor contato social

Uma pesquisa questionou pais de bebês, prematuros e nascidos a termo, sobre a quantidade de amigos que seus filhos tinham, em épocas diferentes da vida, assim como a frequência com que eles se viam. Segundo os resultados, aos seis anos de idade crianças que nasceram muito prematuras tinham em média quatro amigos, enquanto as nascidas a termo, cinco. Os pais de prematuros também relataram que seus filhos eram menos aceitos pelos colegas e viam os amigos 15% menos do que aqueles que nasceram a termo.

Já na escola, todos relataram ter em média seis amigos e serem igualmente aceitos. Porém, crianças muito prematuras ainda viam os amigos com 15% menos frequência, e aquelas com habilidades motoras e cognitivas mais pobres e com mais problemas emocionais tinham menos amigos e eram menos aceitas por eles.

“Ter amigos, brincar com eles e ser aceito é importante para o bem-estar pessoal. Ter menos amigos, sentir-se menos aceito pode levar a sentimentos de solidão, o que aumenta o risco de ser excluído. Os pesquisadores recomendam que o acompanhamento rotineiro de crianças prematuras deve incluir perguntas sobre as relações sociais. Os pais de bebês prematuros – especialmente aqueles com comprometimento motor e cognitivo – devem receber conselhos pediátricos sobre como criar oportunidades de interação social e apoiar as habilidades de interação social em seus filhos antes da idade escolar”, diz o pediatra.

Veja o estudo (em inglês) aqui

Cérebros prematuros de meninos são mais afetados

Pesquisadores analisaram informações e exames de ressonância magnética dos cérebros de 33 crianças, incluindo bebês que nasceram a termo e prematuros. “Em relação aos efeitos da prematuridade, os pesquisadores descobriram que quanto mais cedo o menino nasce, menor é o seu volume cerebral total, e também seu volume de córtex (massa cinzenta). Quanto mais cedo uma menina nasce, menor é o volume de matéria branca em seu cérebro. No geral, embora os efeitos da prematuridade tenham sido observados em meninos e meninas, esses efeitos foram mais severos nos meninos”, conta Moises Chencinski.

De acordo com os pesquisadores, fetos do sexo masculino são mais vulneráveis às aberrações do desenvolvimento, o que pode levar a outros desfechos desfavoráveis – fenômeno reforçado pelos resultados obtidos nesse estudo.

Veja o estudo (em inglês) aqui

Pais de prematuros são mais estressados do que as mães

A partir da análise dos níveis de estresse de pais de bebês prematuros durante a transição entre a Unidade de Terapia Intensiva Neonatal (UTIN) e a casa, pesquisadores verificaram que os pais são mais estressados do que as mães. Em geral, ambos apresentaram altos níveis de cortisol (o hormônio do estresse), mas os pais tiveram um aumento em seus níveis de estresse (medidos, várias vezes, nos primeiros 14 dias em casa), enquanto os das mães permaneceram constantes.

“Embora levar o bebê para casa possa ser um alívio, o fato também pode ser estressante por causa da privação de sono, da falta de experiência nos cuidados que precisam ser prestados ao prematuro e de ter que responder constantemente às necessidades do bebê. O pediatra precisa estar atento a esses fatos e prestar, na medida do possível, o aconselhamento adequado”, afirma o pediatra.

Contudo, apesar de o estresse ser normal por todos esses fatores, ele também prejudica o desenvolvimento do bebê, além do próprio relacionamento entre a mãe e o pai.

Veja o estudo (em inglês) aqui

Importante saber o que a medicina vêm constatando nas famílias de prematuros, até para aprendermos como lidar com eles para promover um melhor desenvolvimento, não é mesmo? E se você quiser ler mais posts aqui no blog sobre prematuridade, clique aqui (tem mais estudos, relatos, histórias emocionantes e diversas dicas!).


 



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