O divórcio é um momento de luto para todos os envolvidos, incluindo as crianças. Isso porque haverá um rompimento, ainda que a família consiga lidar de forma saudável com a situação. Esse momento conta com mudanças na vida não somente dos adultos, mas também das crianças envolvidas. Além disso, todo divórcio faz com que os papéis construídos na família sejam modificados. Isso acontece mesmo quando os pais se mantêm ativos e próximos do dia a dia da criança. Por mais tranquilo que seja o processo, sempre existem mudanças que ocorrem e são essas mudanças que podem gerar efeitos sobre os filhos.

O mais adequado é tentar equilibrar as emoções desse momento turbulento e manter os filhos afastados dos períodos mais tensos. Entretanto, nem sempre essa prerrogativa é fácil. É muito importante que os adultos não confundam as diferenças entre casal conjugal e pais nesse processo.

Ou seja, é importante que todos os lados envolvidos tenham claro que uma separação conjugal não muda o fato de que a mãe continuará sendo mãe a vida toda e que o pai continuará sendo pai a vida toda. Porém, para além de “continuar nessa função por toda a vida”, é importante que as ações mostrem que há desejo por parte dos adultos de se manterem na relação parental, para que a criança não se sinta insegura e abandonada no processo.

Situação no Brasil

Crédito: Freepik

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Os últimos levantamentos do IBGE apontam para aumentos significativos nas taxas de separações de casais com filhos. Com isso, a necessidade de explicar para crianças todo o universo do divórcio é algo cada vez mais comum no país.

Infelizmente, os especialistas afirmam que os adultos têm muita dificuldade de encontrar formas saudáveis de lidar com essa situação. Sendo difícil efetivar a separação, parece que é ainda mais complicado eles conseguirem tratar disso com as crianças de maneira que não gere prejuízos graves no seu desenvolvimento.

As situações mais comuns, de acordo com especialistas, é um afastamento muito maior do que o necessário por parte do pai da criança, muitas vezes devido aos comportamentos da mãe. Em relação à mulher, diversos estudos apontam para a utilização da criança como uma ferramenta para amenizar as suas dores – e para agredir o ex-marido, em muitos casos.

Não é raro vermos mães tentando colocar as crianças contra o próprio pai, o que tem como efeito o agravamento do trauma quanto ao divórcio e sentimentos de abandono e de culpa na criança. Isso acontece mesmo em situações em que o pai não desejava a priori se afastar da criança. Por outro lado, também é comum ver homens que acreditam que o divórcio significa romper também com os filhos. Por isso, existe uma grande quantidade de pais que abandonam totalmente seus papéis de cuidadores depois da separação conjugal.

O divórcio e a confusão na cabeça da criança

Divórcio de casal com criança

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O divórcio é um momento de mudanças na vida da criança, do casal e, de modo geral, da família mais próxima. Com tamanha dimensão, é fácil que o evento tenha todos os ingredientes para se tornar um momento traumático e cheio de farpas. Especialistas afirmam que é possível atravessar esse momento sem gerar prejuízos significativos na vida das crianças. Entretanto, essa tarefa nem sempre é fácil, uma vez que requer maturidade e equilíbrio dos adultos (o que eles nem sempre conseguem dispor, nesse momento).

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Com medo de perder a família, a maior dificuldade para a criança é entender de que forma o divórcio vai influenciar sua vida. Afinal, que mudanças ocorrerão? O que exatamente vai acontecer?

Para evitar confusões e traumas, é muito importante que as crianças tenham um momento para esclarecer as dúvidas. Independente da idade dela, toda criança que passa pela separação dos pais deve ter um momento de conversa, onde os adultos expliquem a situação e esclareçam suas dúvidas. As mudanças fazem parte da vida e a criança vai passar por muitas. Por isso, não se sinta culpada pelo divórcio.

Diversos estudos mostram que a separação dos pais não gera traumas na criança, necessariamente. Cada vez mais os especialistas afirmam que o que costuma acarretar prejuízos é a forma como os adultos tratam do assunto e a possível utilização das crianças como uma ferramenta para agredir o ex-parceiro. Isso, sim, traz sérios prejuízos para a vida toda das crianças.

Como explicar sobre o divórcio para a criança?

Sendo algo normal na vida das pessoas, o importante é que a criança tenha oportunidade de compreender e de nomear seus momentos de mudança, como o divórcio dos pais. É claro que o modo como a conversa vai acontecer depende muito da idade da criança, da fase de seu desenvolvimento e das condições dos adultos ao seu redor. O mais indicado é que os adultos resolvam algumas questões e tomem algumas decisões antes de comunicar os filhos. Com algumas decisões definidas, o ideal é que a criança e os pais se reúnam e que a conversa ocorra com todos juntos.

Especialistas indicam que a conversa dos pais com os filhos seja objetiva e honesta. Sob nenhuma hipótese minta para a criança, com afirmações do tipo:

  • O papai está saindo para viajar
  • Absolutamente nada vai mudar

As mentiras não apenas são sentidas pela criança, como isso também faz com que ela perca a confiança que tem nos adultos. O momento do divórcio já conta com uma sobrecarga emocional bastante pesada para a criança e já faz naturalmente com que ela se sinta insegura. Fazer uso de mentiras agrava a situação, fazendo com que a criança constate que aquele é – de fato – um momento ruim, instável e inseguro.

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O que dizer?

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Sem maiores delongas, conte para a criança que o pai e a mãe não vão mais dividir a casa. Opte por explicações objetivas e claras, por exemplo:

  • Nós não sentimos mais amor como namorados um pelo outro, por isso vamos morar em casas diferentes
  • O amor de mãe e pai por você não mudou agora e não vai mudar nunca
  • Nós dois vamos continuar indo nas suas apresentações na escola e passando as férias com você, mesmo que não ao mesmo tempo
  • Você vai passar a semana nesta casa e o fim de semana em outra casa, onde o papai vai morar
  • O papai vai continuar presente e você pode ver ele mais vezes, além dos fins de semana

Além disso, é importante que os adultos levem em consideração a idade da criança quando tiverem a conversa. Quanto mais nova a criança, maior a probabilidade da criança fantasiar sobre sua culpa nesse processo. Também é comum que os filhos acreditem que podem fazer algo para reverter a situação. Por isso, é muito importante que os pais sejam honestos e claros tanto no que tange a não-culpa da criança quanto na impossibilidade do pequeno fazer algo para mudar.

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