Quando o assunto amamentação aparece aqui no blog, é sempre lembrada a recomendação da Organização Mundial da Saúde (OMS) que diz que o aleitamento materno exclusivo deve ocorrer até os seis meses de vida do bebê. E também que se mantenha de forma complementar até, pelo menos, os dois anos de idade.

Mas para que isso aconteça é necessário o envolvimento de todos, e não só da mãe. Os pais, profissionais de saúde, veículos de comunicação e toda a sociedade devem estar preparados para oferecer suporte e incentivo para a amamentação.

Afinal, estando todos cientes e envolvidos no assunto, o aleitamento materno tem muito mais chances de ocorrer com sucesso! E para isso, informação é fundamental. Então vamos saber mais sobre a amamentação?

amamentação como fazer

Imagem: 123RF

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Orientações

A preparação para a amamentação começa ainda na gravidez. Por volta do sétimo mês de gestação, tome banho de sol no bico do seio (nos horários seguros), o que ajudará a pele a engrossar. Isso irá aliviar o atrito comum da primeira semana da amamentação. Também já compre todos os acessórios que você poderá precisar para amamentar, o que inclui sutiãs para amamentação, absorventes para seio, pomada de lanolina (que ajuda na cicatrização do bico) e bomba para extrair leite, caso seja necessário (veja as orientações para escolher o modelo ideal para você neste post).

Veja também: Como se preparar para amamentar: as novas recomendações

E sabia que dá para estimular a produção de leite materno? O que muitos pediatras apontam é que nada estimula mais do que a própria sucção do bebê, por conta do estímulo hormonal que o ato provoca. Uma boa alimentação da mãe, incluindo uma hidratação caprichada, também contribui para que mais leite seja produzido. Veja mais dicas no vídeo a seguir:

Esquemas de amamentação

Você já ouviu falar que a amamentação deve ocorrer em períodos determinados, como de três em três horas? Há quem prefira definir horários para as mamadas, mas a amamentação em livre demanda é uma prática que vai contra essa determinação: nela, é o bebê que define quando quer mamar, e por quanto tempo. Afinal de contas, ele, naturalmente, sabe fazer isso. Os principais benefícios desse tipo de amamentação é o maior estímulo à produção de leite materno (afinal, o bebê suga mais) e ao vínculo entre a mãe e a criança.

Também se fala muito hoje em dia sobre a amamentação prolongada. Lembra da recomendação da OMS que diz que a amamentação deve acontecer de forma complementar, pelo menos, até os dois anos? E tem muitas mulheres que a mantém até os três, os quatro… Não há contraindicações, e a vantagem é que os benefícios à criança e à mãe são estendidos.

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Ah, e você já ouviu falar sobre amamentação cruzada? É quando uma mulher amamenta o filho de outra mulher. É importante saber que essa prática é altamente contraindicada pelos pediatras, pois muitas doenças e infecções podem ser transmitidas por meio do leite materno. Por isso, caso por algum motivo a mulher não possa amamentar, o mais seguro é que ela recorra aos bancos de leite (onde o leite é devidamente higienizado) ou às fórmulas, sempre com indicação do pediatra.

Para saber o que praticar, o ideal é se informar bem e tirar todas as suas dúvidas com o pediatra do seu filho. Ou ainda antes, durante o pré-natal, com os profissionais de saúde que fazem o seu acompanhamento. Assim você define, com segurança, o melhor para você e o seu bebê.

Benefícios

Da amamentação? São muitos! O primeiro deles é que o leite materno contém todos os nutrientes que o bebê precisa para crescer com saúde – não à toa, a recomendação da OMS, como vimos, é que a amamentação seja exclusiva até os seis meses de vida do bebê, ou seja, ele não deve ingerir mais nenhum tipo de alimento (nem líquidos) nessa fase. Sem contar que o leite materno é poderosíssimo contra bactérias, sendo um estímulo e tanto para a imunidade do bebê, que está em formação. O estreitamento de vínculo entre filho e mãe é mais um grande benefício que a amamentação proporciona.

Outras vantagens estão sendo reveladas por diversos estudos, que já mostraram, por exemplo, que amamentar diminui dor pós-cesárea, reduz a chance de a criança precisar de aparelho dentário futuramente e ainda previne doenças e complicações de saúde na mãe, como diabetes e AVC. E existe até mesmo um estudo que mostra que ser amamentado deixa o filho mais inteligente no futuro.

Veja também: Amamentação: faz bem para o seu filho, para você e para o planeta

Esqueça os tabus

A amamentação (assim como tudo o que tem a ver com maternidade) envolve vários mitos. Por exemplo, você já ouviu falar que quem tem seios pequenos não irá produzir leite suficiente? Isso é uma bobagem, porque, como vimos anteriormente, o que estimula a produção de leite não é o tamanho dos seios, mas principalmente o estímulo hormonal.

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Tem gente que fala também que mulher que tem silicone nos seios não pode amamentar. Só que, de maneira geral, o silicone não impede o aleitamento materno. O que pode ocorrer, em alguns casos, são complicações, como quando a prótese é colocada pelas aréolas ou quando ela é muito desproporcional ao tamanho dos seios (o que pode comprometer os ductos e tecido mamários). E não, o silicone não vaza para o leite.

Outro mito comum é que a amamentação com bicos planos ou invertidos não é possível. Mas como nos explicou a consultora em amamentação Marcia Benalia neste post, a mulher que possui esse tipo de bico nos seios pode, sim, amamentar. Primeiro porque o bebê abocanha a aréola toda do seio ao mamar, e não apenas o bico. E segundo porque há várias maneiras de estimular o bico para que ele “acorde” (a Marcia explica no post, não deixe de ler!).

Ah, e sabe aquela história que durante a fase de amamentação não dá para engravidar? Esquece, isso não é verdade! Portanto, se você não deseja engravidar novamente nesse período, use contracepção nas relações sexuais (até mesmo alguns tipos de pílulas estão liberados).

E ainda há quem diga que cerveja preta pode estimular a produção de leite. Isso é mito e a ingestão de álcool é altamente contraindicada na gestação e na amamentação, pelo risco da Síndrome Alcoólica Fetal. O álcool é passado pelo bebê por meio do leite materno, ou seja, a quantidade que você ingere a criança também recebe – e a substância é prejudicial ao desenvolvimento do pequeno.

Por isso, o ideal é sempre buscar informação com um especialista no assunto. Converse com um profissional de saúde que possa te ajudar.

E quando não dá para amamentar?

São algumas doenças que impedem a amamentação, como infecções por HIV, e determinados tratamentos de saúde. Se você estiver com dificuldade para amamentar, converse com o seu pediatra ou busque uma consultoria de profissionais especialistas no assunto. Pode ser que a pega do bebê esteja errada, que o estímulo à produção de leite não esteja acontecendo, entre outros motivos. Quando o bebê não pode ser amamentado pela mãe, ela pode recorrer a bancos de leite ou a fórmulas artificiais para alimentar a criança, desde que prescritas pelo pediatra.

Veja também: Como saber se o bebê está mamando bem?