As salsichas são a matéria prima para o cachorro-quente e são super populares no Brasil. Junto com mortadelas e presuntos, as salsichas estão entre os embutidos mais consumidos no país.

No entanto, é de conhecimento geral que este não é o melhor produto quando falamos de saúde e bem-estar. Na verdade, os especialistas costumam desaconselhar o consumo das salsichas e de outros embutidos. Isso acontece principalmente porque estes produtos podem prejudicar significativamente a saúde das pessoas.

Você sabe como as salsichas são feitas? Sabe o que compõe este alimento e como ela é fabricada? Descubra neste artigo o que está por trás das salsichas que você leva para a mesa de sua família agora mesmo. Boa leitura!

Do que as salsichas são feitas?

Diferentes tipos de salsichas em chapa com molho de mostarda

Diferentes tipos de salsichas em chapa com molho de mostarda – Foto: Freepik

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Depois de fazer os cortes clássicos, como costeletas, bifes, peitos, coxas e lombos, ainda sobre uma boa quantidade de elementos que podem ser aproveitados. As salsichas são feitas basicamente desses “restos” que ficam depois de retirar os cortes clássicos dos animais. Por isso, ela costuma ser produzida com base em:

Obviamente, a salsicha não é o único produto nascido dessas “sobras”, mas está entre os mais famosos e mais populares.

A Organização para a Alimentação e Agricultura (FAO) das Nações Unidas revela que: “os materiais de carne crua usados para produtos pré-cozidos são aparas musculares de baixa qualidade, tecidos gordurosos, carne da cabeça, patas de animais, pele animal, sangue, fígado e outros subprodutos comestíveis do abate”. Ou seja, é tudo aquilo que sobra. As salsichas são feitas com base naqueles restos que costumeiramente iriam fora.

Elas são feitas com base nos restos das carnes suína, bovina e, em alguns casos, em carnes de frango.

E além das carnes, o que mais compõe a salsicha?

Bem, é claro que não são somente estas sobras das carnes que compõe a salsicha, não é mesmo?

Evidentemente, o alimento precisa de temperos para ganhar sabor e de outros elementos para receber “liga”. Ou seja, para ter a textura e consistência conhecida.

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O que dá sabor às salsichas são os temperos que ela leva, que dependem de cada fabricante. No entanto, o mais comum é o uso de:

Depois de temperadas, ainda são adicionados na receita o que é conhecido por “ingredientes extensores”. Basicamente, eles têm como objetivo melhorar a ligação entre a água e as gorduras existentes nas carnes. Na embalagem do produto, você poderá localizar estes “extensores” através da descrição de elementos como:

  • Proteína de soja
  • Amidos
  • Carragena

E é claro que nos tempos de ultra processamento, as salsichas também precisam receber alguns ingredientes que as façam “durar mais”, não é? Para melhorar a durabilidade do produto, os fabricantes adicionam na fórmula aditivos como fosfatos ou nitrito de sódio, por exemplo.

Como as salsichas são produzidas?

Salsicha crua fresca em tábua de madeira

Salsicha crua fresca em tábua de madeira – Foto: Freepik

É possível que haja pequenas modificações no processo de fabricação das salsichas, a depender do fabricante. No entanto, a maioria massiva das marcas segue um procedimento bastante semelhante.

Na verdade, o processo de produção da salsicha é algo relativamente simples.

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Inicialmente, as sobras de carne bovina e suína são moídas em máquinas enormes. Posteriormente, essas carnes são extraídas por um equipamento que se assemelha a uma gigante peneira de metal. Nesse momento, a carne parecerá hambúrgueres de carne moída.

É nesse momento que é acrescentado os restos da carne de frango, quando há. Aqui vale destacar que também é bastante comum a fabricação de salsichas que não contam com restos de frango. Depois da mistura do frango, a mistura é emulsificada até que ela vire uma espécie de uma “massa” ou de um “creme” de carne homogênea.

Com tudo isso bem misturado e homogêneo, essa “massa” de carne vai se tornar um embutido. Ou seja, neste momento ela é inserida dentro de um envoltório de plástico ou celulose. É nesse momento que o produto ganha sua forma. Isso porque esse envoltório tem o formato que conhecemos das salsichas (magrinho e comprido).

Dentro dessa cápsula, a salsicha é agora cozida em uma espécie de banho-maria até que atinja cerca de 75º C. As salsichas defumadas ganham uma atenção especial nesta etapa: elas são expostas a fumaça de madeira de lei para ganhar um aroma e sabor defumado de bacon ou de churrasco. E essa é a única diferença na produção das “salsichas defumadas”.

Processo de resfriamento e etapas finais da fabricação

Depois desse cozimento, o produto está chegando nas fases finais de sua produção. Neste momento, ele enfrenta um processo de resfriamento. Esta etapa ocorre através da lavagem das salsichas em água fria e salgada.

Depois de secas, elas são finalmente retiradas de suas “tripas artificiais”. No entanto, aqui vale destacar que há alguns fabricantes que utilizam “tripas naturais” como invólucro, como o intestino limpo e processado de um animal. Nestes casos, o invólucro não é retirado. Ou seja, nestes casos a salsicha consumida chegou na mesa das pessoas ainda envolvida nos intestinos processados de algum animal.

É neste momento que a salsicha ganha “cuidados estéticos”. Isso porque é nesta fase que ela poderá receber um banho de corante para ficar com uma tonalidade que seja atraente aos consumidores. De modo geral, as diferenças estéticas entre as salsichas acontecem exclusivamente devido a esta etapa: não há diferenças na qualidade das carnes ou no processo que faça uma salsicha ser “melhor” do que a outra. O comum é que um fabricante fez um banho de corante para deixar ela mais atraente e outro não.

Finalmente, as salsichas são inspecionadas de forma manual. Essa verificação tem como função separar apenas as carnes entubadas sem defeitos aparentes. As unidades que passam por essa análise são encaminhadas para mais uma máquina. Nesta nova máquina, elas são agrupadas para o empacotamento.

Depois de empacotadas, elas finalmente estão prontas para serem distribuídas, vendidas e consumidas.

Por que as salsichas precisam ser pré-cozidas?

Macarrão frito com salsichas em uma frigideira

Macarrão frito com salsichas em uma frigideira – Foto: Freepik

As salsichas precisam ser pré-cozidas devido a forma que ocorre o processo de abate dos animais, ou seja, como os animais são mortos. Isso porque é muito comum que as sobras de carne usadas para fabricação de salsichas contenham grandes quantidades de bactérias.

O pré-cozimento ajuda a eliminar essas bactérias, auxiliando na fabricação de um alimento que não vá agredir (tanto) a saúde das pessoas. Além disso, esse processo de cozimento também auxilia na separação dos músculos, gorduras e tecidos dos ossos dos animais. Sem esta etapa, o procedimento para separar estes subprodutos dos ossos seria muito, mas muito mais lento e difícil.

Devido aos diferentes tamanhos e tipos de carcaça dos animais, os tempos e temperaturas de pré-cozimento podem variar. As temperaturas mais comuns costumam ficar dentro de uma faixa de 65º C até 90º C.

É seguro comer salsichas?

O chanceler alemão Otto Von Bismarck tornou célebre uma frase que ajudou a espalhar pelo mundo a má-reputação da fabricação de salsichas: “Leis são como salsichas, é melhor não saber como são feitas”.

No entanto, alguns professores de Faculdades de Engenharia de Alimentos afirmam que a realidade da fabricação de salsichas mudou muito nas últimas décadas. De acordo com esses professores, “o processo de produção desse embutido é industrial e segue as normas de higiene do Serviço de Inspeção Federal (SIF)”.

Entretanto, mesmo com o respeito a determinadas regras de produção, diversas pesquisas comprovam que o consumo de salsichas afeta significativamente a saúde das pessoas. Por exemplo, a Sociedade Americana do Câncer conta que “o alto consumo de carnes processadas, como salsichas, está associado ao aumento do risco de câncer no cólon”.

Estudos científicos sobre o consumo de salsichas

Cientista trabalhando em uma pesquisa no laboratório

Cientista trabalhando em uma pesquisa no laboratório – Foto: Freepik

Além disso, uma pesquisa divulgada pela Sociedade Americana de Medicina revelou um resultado preocupante: de acordo com este estudo, pessoas que comeram regularmente carnes processadas ao longo de 10 anos apresentaram um aumento de 50% nas ocorrências de câncer no baixo cólon e no reto.

Ou seja, mesmo com os cuidados e regras na fabricação das salsichas, o seu consumo regular segue sendo nocivo para a saúde. A verdade é que existem uma série enorme de estudos que apontam para problemas de saúde associados com o consumo de salsichas e de outros embutidos. Entre os problemas de saúde mais comuns estão, por exemplo:

Além disso, estudo recente realizado pela Universidade de Cambridge (Inglaterra) e publicado no Jornal Médico Britânico demonstrou que o consumo de salsichas afeta a expectativa de vida das pessoas. O resultado principal do estudo foi alarmante: a cada uma salsicha consumida, a pessoa perde 15 minutos de vida, em média.

No ano de 2015, a Organização Mundial de Saúde (OMS) apontou o consumo de salsicha, bacon e presunto como sendo a principal causa do desenvolvimento de câncer no mundo. Ou seja, nem mesmo o cigarro é tão arriscado para o desenvolvimento de câncer quanto as carnes processadas.

A nutrição dos trás dos embutidos

Assim como apresentado acima, o consumo de embutidos e de salsichas são extremamente prejudiciais à saúde (ainda que sua fabricação siga determinadas regras na atualidade). Portanto, este alimento segue sendo nocivo e prejudicial para seus consumidores. Grande parte das razões disso está nos “restos” de baixa qualidade das carnes utilizadas, nos níveis altíssimos de gordura e sódio e na quantidade alarmante de conservantes usados para que elas “durem mais”.

Por isso tudo, as nutricionistas e médicas pediatras desaconselham seriamente o consumo de salsichas e de embutidos por crianças. Inclusive, estes alimentos são desaconselhados para qualquer pessoa, incluindo adultos, de acordo com as especialistas.

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