O cigarro é algo que precisa ficar bem longe (bem longe!) da mulher que descobre estar grávida. Apesar disso ser de conhecimento público, ainda é muito comum que as mamães não entendam e.x.a.t.a.m.e.n.t.e quais os prejuízos que o fumo pode trazer para a saúde do seu bebê.

É muito importante que as mulheres conheçam em profundidade quais são os riscos que as crianças podem correr, se expostas ao cigarro. Por isso, este artigo traz dados de uma pesquisa nacional conduzida pela Universidade Federal do Espírito Santo (UFES) e publicada em 2013. Diferente do que se imaginava, crianças não têm prejuízos somente devido à exposição ambiente ao cigarro (como respirar a fumaça, por exemplo).

O estudo demonstrou que os prejuízos provocados pelo leite materno de uma mãe fumante chegam a ser piores do que os efeitos de crianças que estão fisicamente próximas de cigarros. Entenda melhor essa pesquisa agora mesmo. Boa leitura!

Consequências do cigarro no leite materno e na saúde do bebê

gestante com um cigarro

Crédito: Freepik

Que a mulher precisa parar de fumar ao descobrir que está grávida não é novidade para ninguém. A importância de permanecer longe do cigarro durante o período de amamentação também é de conhecimento público. Entretanto, o que foi descoberto apenas nos últimos anos é que o bebê não é afetado somente pela exposição ambiental ao cigarro. Ou seja, não é somente respirar a fumaça e estar perto da nicotina que afeta a criança.

Um estudo de revisão publicado pela UFES demonstrou que o consumo de cigarro pela mãe altera a composição do leite materno. A exposição do bebê a esse leite alterado traz uma série de efeitos adversos ao recém-nascido. A pesquisa em questão revisou todos os estudos já publicados em inglês, espanhol e português entre 1990 e 2009 sobre o assunto. Seu objetivo foi compreender quais os efeitos sobre o bebê de uma amamentação advinda de mulheres fumantes.

Foi verificado que a gravidade do prejuízo depende da quantidade de cigarros consumidos pela mãe e o intervalo entre o último cigarro e o horário da amamentação.  Isso porque a sobrevida do cigarro no leite materno é de cerca de 20 horas. Ou seja, quanto maior o tempo entre o último cigarro e a amamentação, menor o prejuízo para o bebê.

Consequências imediatas da presença do cigarro na amamentação

A nicotina e as demais substâncias do cigarro são absorvidas muito rapidamente pelo intestino do bebê amamentado com um leite materno alterado. Isso faz com que todas essas substâncias sejam acumuladas nos tecidos do recém-nascido. Os efeitos mais rápidos dessa situação são:

Ao analisar a urina dos bebês, foi verificado que a nicotina encontrada em bebês amamentados por mães fumantes foi 10 vezes maior do que a quantia encontrada em bebês filhos de mães fumantes, mas que tenham sido alimentados de forma artificial. Ou seja, os efeitos negativos achados nesses estudos são consequência da inalação e do aleitamento dessas mulheres. A pesquisa também conseguiu demonstrar que o nível de nicotina encontrado na urina desses bebês se aproxima (e muito) ao encontrado em adultos que sejam fumantes.

Efeitos de longo prazo da nicotina no leite materno

pacote de cigarro com gestante ao fundo

Crédito: Freepik

Para além dos efeitos imediatos do consumo de leite materno alterado pelo cigarro, os bebês também sofrem com uma série de outras consequências, mais duradouras. As principais são:

  • Alteração nos padrões de sono e vigília
  • Risco significativo de desenvolver deficiência de iodo
  • Chances mais altas de desenvolver hipotiroidismo
  • Danos ao fígado e ao pulmão
  • Comprometimento na produção de insulina
  • Prejuízo na tolerância à glicose
  • Mais chance de desenvolver Diabetes tipo 2
  • Risco aumentado de desenvolver sobrepeso e obesidade

Saúde do sono do bebê

O maior prejuízo nos padrões de sono e vigília do bebê ocorreram quando o leite foi fornecido logo após a mulher consumir o cigarro. A duração do sono do bebê após se alimentar com leite alterado pelo cigarro era quase 40% menor do que o sono do bebê que não se alimentava desse leite.

Além do tempo de sono, o estudo também demonstrou que a qualidade do descanso e o humor do bebê após acordar foram igualmente prejudicados.

Deficiência de iodo e Hipotiroidismo

A pesquisa apontou para outro resultado muito importante: o teor de iodo no leite materno.

Foi constatado que mães que consomem cigarro produzem leite com uma presença muito menor de iodo. Isso quer dizer que o teor do iodo no leite materno é prejudicado entre essas mulheres.

Com isso, os autores descobriram que esses bebês têm riscos muito mais altos de desenvolver deficiência de iodo e hipotiroidismo. A produção de iodo no leite é muito importante porque no período de amamentação esta é a única fonte que o bebê tem de acesso ao mineral.

Sobrepeso e obesidade

balança digital

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Os bebês que consumiram leite com alteração e leite sem alteração pelo uso de cigarro não tiveram alterações no peso durante o período de aleitamento. Entretanto, foi verificado pelo estudo que, depois do desmame, aqueles que foram expostos ao leite alterado tiveram um aumento de peso muito acima do saudável.

Este achado demonstrou que a exposição do bebê a este leite faz com que o pequeno tenha mais riscos de desenvolver sobrepeso ou obesidade, nos casos mais sérios. Isso acontece também por causa da maior possibilidade de desenvolver hipotireoidismo.

Apesar de nem todos os pontos estarem suficientemente elucidados, há consenso entre os especialistas de que o consumo materno de cigarro contribui para o maior risco da criança desenvolver obesidade. Uma série de estudos sobre o tema demonstra que esse risco pode ser agravado no momento da amamentação, entretanto, mesmo bebês que não consumiram o leite materno (tiveram apenas a exposição por inalação ambiente) sofrem com esse risco.

Pulmões e fígado

Os pulmões e o fígado do bebê têm maior risco de sofrerem com inflamações quando o leite materno produzido é alterado pelo consumo de cigarro. Este é um resultado alarmante, principalmente quando lembramos que estamos falando de bebês recém-nascidos. Isso porque o seu sistema imunológico é precário e ainda está em fase inicial de desenvolvimento.

Estes achados indicam que a exposição do bebê a uma experiência de aleitamento com proximidade à nicotina pode induzir ao estresse oxidativo. Portanto, essa experiência negativa de amamentação gera prejuízo nos tecidos do pulmão e do fígado do recém-nascido.

Glicose e Diabetes tipo 2

Criança acima do peso no médico

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Os bebês expostos às substâncias do cigarro por meio do leite tiveram perda importante (muito importante) de células β do pâncreas. Por isso, essas crianças têm a sua tolerância à glicose muito comprometidas. Em termos gerais, isso quer dizer que esses bebês têm mais chances de virem a desenvolver Diabetes tipo 2 durante a infância ou adolescência.

Os autores do estudo acreditam que esses resultados serão fundamentais para traçar comportamentos de risco que podem trazer como consequência a Diabetes. Esse tipo de estudo é importante porque atualmente a Diabetes é uma das doenças mais comuns no Brasil.

Outros prejuízos para o bebê por conta do consumo de cigarro durante a amamentação

Além de todos esses resultados, o estudo também conseguiu demonstrar que o cigarro consumido durante o período de aleitamento traz uma série de outras consequências ao bebê. Infelizmente, nem todos os aspectos desses outros efeitos estão suficientemente claros aos pesquisadores.

As consequências mais frequentemente mencionadas nas pesquisas analisadas foram:

  • Irritabilidade
  • Choro excessivo
  • Lassitude
  • Cólicas
  • Palidez

A mãe e o leite materno

Infelizmente, ainda contamos com uma quantidade muito pequena de equipes e profissionais da saúde que atendem as mulheres de forma acessível. Ou seja, apesar de ser de conhecimento público que fumar não é permitido durante a gravidez, muitas mães não compreendem exatamente quais os prejuízos que podem causar em seus filhos.

O ideal é que as mulheres consigam escolher médicos, enfermeiros e profissionais da saúde que acolham os seus medos, dúvidas e fantasias. Esse acolhimento pode gerar uma relação paciente-profissional saudável e, consequentemente, fazer com que a mulher se sinta confortável para tirar suas dúvidas.

Por fim, apesar de todos os prejuízos advindos do consumo de cigarro durante o aleitamento, uma série de especialistas e de estudos comprovam que o leite materno é uma forma de proteger o bebê (mesmo no caso em que a mãe fuma). Portanto, o indicado é fazer todo o possível para não fumar durante esse período, mas mesmo quando isso não for possível: não pare de amamentar. Lembre-se também de sempre procurar um profissional qualificado para tirar as suas dúvidas, preferencialmente alguém que te acolha e te deixe confortável.

O que achou deste conteúdo? Você era uma fumante quando descobriu a gestação? Deixe um comentário com a sua experiência.