O sangramento de escape pode ser considerado um fenômeno normal entre as mulheres, principalmente entre aquelas que fazem uso de anticoncepcionais. Trata-se, basicamente, de uma pequena perda de sangue que ocorre ao longo do ciclo menstrual da mulher.

Ele é comum entre mulheres que utilizam anticoncepcionais porque, na maior parte dos casos, o fenômeno está associado com o uso de alguns métodos contraceptivos hormonais, por exemplo:

  • Pílula/comprimido
  • Anel vaginal
  • DIU (dispositivo intra uterino)
  • Adesivo

Ademais, o sangramento de escape também é recorrente entre mulheres grávidas que estão no primeiro trimestre de gestação.

Veja neste artigo como identificar um sangramento de escape, que sinais sobre seu corpo ele dá e como fazer para pará-lo. Boa leitura!

Como identificar o sangramento de escape?

Calcinha preta e absorvente com coração vermelho representando sangramento de escape

Crédito: Freepik

Mais recorrente nos primeiros meses de uso do anticoncepcional, o sangramento de escape é diferente do sangue da menstruação. Por isso, costuma ser bastante fácil para a mulher reconhecê-lo.

A principal diferença entre este caso e o sangue da menstruação é a coloração dele. Isso porque o sangramento de escape tem uma cor nitidamente menos viva que o sangue advindo da menstruação. Além disso, a quantia de sangue também é muito menor. Enquanto a menstruação costuma expelir cerca de oito colheres de café de sangue, o sangramento de escape não dispensa mais que duas colheres do mesmo tamanho.

Ademais, este sangramento dura pouquíssimos dias (isso quando chega a durar mais de um dia). Entretanto, a sua menstruação você já está habituada e já sabe em quantos dias ela costuma se prolongar.

É justamente devido a esta pouca quantidade e duração que boa parte das mulheres acaba por optar por não utilizar absorventes durante os sagramentos de escape. Entretanto, se você desejar sempre há a possibilidade de usar os protetores diários, que são mais que suficiente para te proteger deste fenômeno.

Por que isto acontece?

Absorvente aberto com lantejoulas vermelhas representando sangramento de escape

Crédito: Freepik

O sangramento de escape também é conhecido como sangramento inter menstrual ou como escape menstrual e ele é tipicamente caracterizado pelo uso de anticoncepcionais. Por exemplo, você está no meio da cartela de anticoncepcional e, aparentemente do nada, o sagramento aparece.

Obviamente que esta “descida” inesperada do sangue pode preocupar a mulher, mas fique tranquila. De modo geral, isso acontece porque há algumas pílulas que são mais ou menos compatíveis com o organismo de cada mulher. Quanto menos compatível o organismo da mulher e o comprimido forem, maiores as chances do sangramento de escape acontecer.

Normalmente estes escapes menstruais acontecem quando a taxa hormonal da pílula é muito fraca para a mulher que esta a consumindo. Estes escapes também acontecem regularmente no caso de mulheres que esqueceram de tomar o comprimido em um ou mais dia(s).

Entretanto, não é somente devido ao anticoncepcional hormonal que o escape menstrual pode acontecer. Na verdade, há casos de mulheres grávidas que também passam por essa experiência. Mas preste atenção: No caso de gravidez com sangramento de escape é necessário que seja acendida uma luz vermelha. Isso porque este fenômeno pode apresentar alguns riscos para a gestação.

Sangramento de escape na gestação

Mulher grávida usando estetoscópio examinando seu bebê

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O sangramento de escape não é particularmente perigoso, exceto quando o mesmo acontece durante a gravidez.

Quando este escape acontece em uma mulher gestante, o mesmo pode ser sinal de alguma deficiência hormonal ou de alguns outros fatores também sérios. Por exemplo:

Quando é caso de gestação de risco, o sangramento de escape deve ser cuidado com ainda mais atenção. Neste cenário, o sangramento é muito comum no caso da gestante fazer esforços físicos ou do casal ter relações sexuais.

E se ele repetir?

Ponto de interrogação pergunta feito com dados

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Apesar do sangramento de escape ser considerado normal, o mesmo precisa ser investigado se vir a se tornar algo persistente. Ou seja, se você perceber que ele está ficando recorrente é sinal que chegou a hora de procurar um médico. Isso porque um sangramento aparentemente simples pode se tornar uma dor de cabeça, se não tratado adequadamente.

Este fenômeno pode ser muito inconveniente para a mulher, principalmente quando a mesma perceber que está sangrando por muito mais tempo do que seria necessário/comum.

Não raramente as mulheres que acham que estão sofrendo de sangramento de escape na verdade estão com uma ferida próxima à região genital. Os lugares mais comuns dessas feridas aparecerem costumam ser o ânus e a uretra. Entretanto, um exame médico simples consegue detectar o lugar exato do sangramento. Por isso, se o escape permanecer, vá diretamente ao médico.

Uma medicação adequada e um tratamento simples é capaz de conter esse sangramento incômodo. Com isso, através de alguns cuidados bastante simples você deixará de se incomodar com algo tão inconveniente quanto um sangramento que parece não parar.

Como parar o sangramento de escape?

Na grande maioria dos casos, o sangramento de escape é um fenômeno que não chega a incomodar demais e que para sozinho. Por isso, é bastante comum que não seja necessário visitar o médico nem fazer alterações no método contraceptivo adotado pela mulher.

Entretanto, assim como mencionado anteriormente, nos casos em que houver repetição do escape ou que a mulher se sentir incomodada, o adequado é procurar um médico para averiguar a situação. Os médicos mais indicados para tratar deste caso são o ginecologista, o médico da família e o clínico geral.

As mulheres fumantes também têm mais chances de sofrer com este probleminha. Por isso, a interrupção do uso de cigarros é bastante sugerida pelos médicos como uma forma de atenuar o sangramento.

Sangramento de escape como sintoma de outros quadros clínicos

Equipamentos utilizados por médicos

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O sangramento de escape pode ser sinal de algum quadro clínico, apesar de dificilmente ser este o caso quando não há recorrência. Por isso, fique atenta a frequência que isso acontece e vá ao médico, se achar que há necessidade.

Os principais quadros clínicos associados com o sintoma são:

Conheça melhor cada um deles a seguir.

Clamídia

É a doença sexualmente transmissível (DST) de maior prevalência do mundo. A bactéria que causa a clamídia pode infectar tanto os homens como as mulheres e pode ser transmitida ao bebê através do canal vaginal no momento do parto ou através da amamentação.

Quando detectada adequadamente, o tratamento é simples e a pessoa consegue o resolve dentro de algumas semanas. O público mais comum de sofrer de clamídia são mulheres jovens, com até 35 anos.

Além do sangramento de escape, os principais sintomas da clamídia são:

Em alguns casos, há também a presença de febre e de dores durante a micção ou durante a relação sexual.

Cisto de ovário

Ilustração de útero doente

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Sendo um dos diagnósticos mais comuns dentro do campo da saúde feminina, os cistos ovarianos atingem mais de 2 milhões de mulheres todos os anos no Brasil. O tratamento requer auxílio médico e o diagnóstico é feito através de exames laboratoriais e/ou de imagem.

São necessário alguns meses para resolver o problema. Muitos cistos de ovário desaparecem de forma natural. Entretanto, quando este não for o caso, é comum que os tratamentos envolvam o uso de pílula anticoncepcional ou cirurgia.

Há diversos casos em que estes cistos não apresentam nenhum sintoma. Todavia, nos casos em que eles dão indícios para mulher, os sintomas mais comuns costuma ser (além do sangramento de escape, é claro):

  • Dores: Costas, parte inferior do abdômen, parte lateral do corpo, pélvis e vagina
  • Alterações na menstruação: menstruação dolorosa, anormal e/ou irregular

Além disso, também é possível sentir dor durante as relações sexuais, cólicas ou perceber uma quantidade excessiva de gases.

Mioma uterino

Os miomas uterinos são nódulos anormais de músculos que se formam e que crescem dentro do útero da mulher. Estes nódulos atingem somente mulheres que não chegaram na menopausa. Ainda não se sabe por quais razões estes miomas se formam, mas eles não tem caráter cancerígeno.

Este diagnóstico é crônico, o que quer dizer que a situação pode perdurar por muitos anos ou pela vida toda. Entretanto, o tratamento médico pode atenuar o problema.

Os principais fatores de risco para o desenvolvimento do mioma uterino são:

  • Histórico familiar
  • Obesidade
  • Início precoce da puberdade

Além do sangramento de escape, estes miomas também podem apresentar como seus sintomas principais:

  • Dores: na região inferior das costas, na pélvis e no abdômen
  • Alterações na menstruação: dor, anormalidade e irregularidade

Em alguns casos, a mulher também pode apresentar dores durante a relação sexual, cólicas e sensação de estufamento abdominal.

Síndrome do Ovário Policístico (SOP)

Fibróide uterino são tumores sólidos benignos formados por tecido muscular

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Se trata de um distúrbio endócrino que tem como consequência a alteração nos níveis hormonais, levando à formação de cistos nos ovários.

Assim como os miomas, a SOP está entre os diagnósticos mais comuns entre as mulheres brasileiras. Para que o diagnóstico seja feito, é necessário aplicação de exames laboratoriais ou de imagem, e o tratamento requer acompanhamento médico.

A Síndrome também é crônica, o que significa que provavelmente acompanhará a mulher por muitos anos, ou pela vida toda.

Apesar de não haver muita informação sobre as causas que levam a este diagnóstico, os especialistas acreditam que haja uma combinação entre fatores genéticos e ambientais.

Além do sangramento de escape, os principais sintomas associados a esta Síndrome são:

  • Na menstruação: ausência, anormalidade, infrequência, intensidade alta e/ou curta e leve
  • Na pele: acne, erupção semelhante a verruga, pele oleosa e excesso de pelos no corpo
  • No peso: excesso de peso, obesidade e ganho de peso

Além disso, também é comum que as mulheres apresentem:

Endometriose

Ilustração de mulher sentindo dor

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É uma condição em que as células semelhantes às do endométrio (tecido que reveste o útero) crescem. Os locais de crescimento destas células mais comuns são:

  • Ovários
  • Trompas de Falópio
  • Tecido que envolve o útero e ovário

O tratamento requer acompanhamento médico e o diagnóstico costuma ser feito através de exames laboratoriais e de imagem. Além disso, este é um diagnóstico crônico, de modo que as mulheres podem sofrer com o problema por toda sua vida.

Além do sangramento de escape, os outros sintomas comuns da endometriose são:

  • Dores: parte inferior do abdômen e costas, pélvis, reto e vagina
  • Alterações na menstruação: dolorosa, intensa e irregular
  • No aparelho gastrointestinal: constipação, náusea, quantidade excessiva de gases e incapacidade de esvaziar o intestino

Também é possível que as vítimas da endometriose apresentem:

  • Dores durante a relação sexual e ao defecar
  • Infertilidade
  • Sensibilidade à dor

Portanto, no caso da recorrência do sangramento de escape, não exite em procurar um médico para averiguar o seu caso.

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