Água inglesa: ela é mesmo a solução contra a infertilidade?

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Há algum tempo na internet tem sido propagado o uso de um simples produto, comumente encontrado nas farmácias, como a solução para mulheres que estão com dificuldade para engravidar. Trata-se da água inglesa. Originalmente, seu uso é recomendado para tratar problemas como má digestão e falta de apetite, mas algumas publicações chegam a afirmar que a água inglesa tem o poder de limpar o útero, indicando sua utilização para mulheres que tomaram anticoncepcional por muitos anos, para quem já sofreu um aborto e até mesmo para tratar casos de endometriose.

Para esclarecer se a água inglesa é, de fato, recomendada e eficiente para reverter quadros de infertilidade, conversei com a ginecologista e obstetra Cristiane Schneckenberg. Abaixo, você confere as respostas da profissional e tira todas as suas dúvidas sobre o assunto:

Imagem: 123RF

A água inglesa é uma alternativa que pode, realmente, ser eficaz contra casos de infertilidade?

Na busca por alternativas naturais que colaborem com a saúde feminina nos deparamos com a água inglesa. Trata-se de um fitoterápico feito em laboratório a partir do uso de algumas ervas medicinais, como a quina amarela, carqueja, losna e camomila. Embora a medicina popular lhe confira propriedades ligadas à fertilidade, não há comprovação nem evidência científica desses efeitos. Há uma escassez de estudos e artigos médicos sobre o uso desse produto. E, portanto, não faz parte das prescrições médicas convencionais. 

Quais tratamentos então são indicados para a mulher que está tentando engravidar e não consegue?

Frente a uma situação de infertilidade, é necessário primeiro uma investigação médica para definir a causa, que pode ser ovariana, tubária, hormonal, pélvica e até mesmo um fator masculino. Ou seja, através de exames busca-se saber se a ovulação está acontecendo de forma adequada, se as trompas não estão obstruídas, se não há um desajuste hormonal, se não há endometriose (a doença causa um processo inflamatório crônico na pelve o que pode impedir a gestação) e, por fim, se os espermatozóides estão em número e em condições adequadas.

A pílula anticoncepcional pode prejudicar a fertilidade, de forma que quem a tenha tomado por muitos anos precise “limpar o útero” para conseguir engravidar?

O uso do anticoncepcional por longo tempo não causa infertilidade. Seu efeito é dependente do uso. Por isso que, quando se usa de forma irregular, já corremos risco de gestação.  O que acontece muitas vezes é que um casal normal pode demorar até um ano para ter a esperada gestação. E, caso demore, pode haver a interpretação de que o atraso se deu pelo uso prévio do anticoncepcional. Mas o uso não justifica e não é necessário promover uma “limpeza hormonal”. Nesse caso é preciso investigar uma real causa.

Associam o uso da água inglesa também ao aumento da produção de leite materno. O produto pode mesmo causar esse efeito?

Não há nenhuma evidência desse efeito e, segundo a bula, a água inglesa não é recomendada durante a gestação e a amamentação. Portanto não se deve usá-la com esse objetivo. 

Mais uma atribuição à água inglesa, pelo seu caráter purificador, é o uso após abortos, para limpar o organismo. Realmente ela pode ser útil nesses casos?

Não há nenhum medicamento que cumpra essa finalidade. De maneira geral, infelizmente, até o momento, não temos dados conclusivos sobre a água inglesa. Serão necessários estudos para  no futuro termos mais conhecimento de seus efeitos e aproveitarmos seus benefícios.


 



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