O mutismo seletivo é um transtorno psicológico que pode passar despercebido pelos pais. Isso é comum porque a família tende a acreditar que seu filho é somente uma “criança tímida”.

No entanto, o mutismo seletivo se trata de um quadro grave que pode afetar toda a vida da pessoa. Infelizmente, quando não é tratado esta condição pode se tornar ainda mais séria.

De forma simples, o mutismo seletivo aparece quando a criança não consegue falar em algumas circunstâncias. Mas não se refere a crianças que são mudas sempre e nem a crianças que não falam quando não querem. A criança com mutismo seletivo não consegue falar em alguns casos, mesmo tentando.

Como os pais vêem a criança conversando no seu dia a dia, eles pensam que a criança está fazendo birra. Mas a verdade é que ela não consegue mesmo se comunicar, ainda que faça esforço.

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Ou seja, o mutismo seletivo se trata da sensação de não ser capaz de falar em alguns cenários. Então, não é como se a criança escolhesse quando quer e quando não quer falar. Ela não tem escolha, somente não consegue.

Entenda tudo que você precisa saber sobre o mutismo seletivo aqui. Leia sobre as principais características, causas e como tratar. Boa leitura!

Mutismo seletivo – Mas o que é isso, afinal?

Criança tímida mutismo seletivo

Menina tímida em fundo branco – Crédito da foto: Freepik

O mutismo seletivo também pode ser chamado de mutismo eletivo. Ele se refere a um transtorno psicológico caracterizado pela sensação de não ser capaz de falar em casos pontuais. Diferente do que se pensa, a criança com mutismo seletivo não escolhe quando falar. Na verdade, ela sente que não consegue falar nada mesmo tentando. Por isso, não adianta tentar a forçar. Afinal, não é como se fosse uma escolha. Então, não é como se ela pudesse somente “mudar de ideia”.

O mutismo seletivo envolve pessoas tímidas, com ansiedade e mais introvertidas, de modo geral. É normal que o transtorno seja percebido na infância. Isso porque normalmente acontece com crianças que falam somente com os cuidadores e com poucas pessoas próximas do dia a dia. No entanto, a criança não consegue falar com outras pessoas. Por exemplo:

  • Professores
  • Colegas de aula
  • Médicos, dentistas e outros profissionais de saúde
  • Familiares mais distantes
  • Amigos da família
  • Pessoas desconhecidas

O mutismo seletivo pode ser visto como uma disfuncionalidade. E esta disfuncionalidade afeta a vida da criança pela dificuldade em se comunicar. Mas a criança não tem escolha, como dito acima. Ou seja, ela não faz isso com intenção. Por isso, a criança não deve ser responsabilizada pelos episódios que ocorram.

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O contexto social contribui para o início e agravamento da condição. Por exemplo, diversas pesquisas já mostraram que alguns tipos de contextos aumentam as chances da criança sofrer deste quadro. Além disso, adultos com características de mutismo seletivo costumam receber diagnóstico de fobia social.

Por isso, é muito comum que crianças com mutismo acabem tendo outros transtornos de ansiedade na vida adulta. Por exemplo, crianças que tiveram mutismo na infância têm mais risco de terem fobia social e outros tipos de ansiedade quando adultas.

Características do mutismo seletivo

Menino tímido com chapéu em fundo azul com mutismo seletivo

Menino tímido com chapéu em fundo azul – Crédito da foto: Freepik

O mutismo seletivo é descrito como uma desordem psicológica que se apresenta com mais frequência entre crianças. Esta é a apresentação do Manual de Diagnóstico e Estatística de Transtornos Mentais, versão 4 (DSM-IV).

A criança com mutismo seletivo é capaz de falar e compreende a linguagem. Mas ela não consegue falar em algumas ocasiões pontuais. Então, essa criança age de forma normal em outras áreas da vida, mas ela se priva de atividades em grupo. Ou seja, mesmo conhecendo pessoas, a criança com mutismo pode não conseguir manter relações sociais.

Uma criança com este transtorno pode passar anos calada na escola, mas conseguir falar de forma normal em casa. Por isso, não se trata de uma timidez por pessoas não conhecidas. Isso porque a criança tímida vai “se soltando” na medida que conhece melhor o lugar. Mas a criança com mutismo seletivo não consegue fazer isso, mesmo depois de estar habituada ao local e pessoas.

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De uma forma simples, este transtorno lembra uma timidez extrema. Mas a força e a duração do comportamento é bem diferente. É por isso que o mutismo seletivo é considerado uma desordem grave.

O mutismo seletivo pode ser sintoma de outro quadro patológico

Mutismo seletivo

Menina tímida escondendo rosto com o cabelo vestida de gato em fundo escuro – Crédito da foto: Freepik

O quadro de mutismo seletivo costuma ter relação com outros de ansiedade elevada, como dito. Este nível alto de ansiedade pode ser uma predisposição genética. Além disso, o quadro também pode ter relação com uma maior atividade da amígdala cerebelosa.

Ou seja, o mutismo costuma ter vínculo com outros tipos de ansiedade. Mas além disso, o quadro também pode indicar a presença de alguma desordem de comunicação. Por exemplo:

Apesar desta lista, a fobia social e a ansiedade são as duas comorbidades mais comuns relacionadas ao mutismo seletivo. E no cerne destes quadros estão alguns pontos que podem elucidar a dificuldade de quem tem mutismo. Por exemplo:

  • Timidez em excesso
  • Presença ativa de ideias negativas
  • Excesso de apego às pessoas conhecidas

Além disso, alguns estudos descobriram que crianças com a Síndrome de Asperger também tem mais risco de ter mutismo seletivo. Ou seja, o mutismo seletivo pode ser a ponta de um problema maior e mais grave. Por isso, é um quadro que precisa ser avaliado. Para aqueles que não sabem: a Síndrome de Asperger é uma versão mais branda do Transtorno do Espectro Autista (TEA).

O mutismo seletivo também pode ter ligação a um trauma psicológico sofrido pela criança. Mas isso não quer dizer que tenha sido este trauma que causou a desordem. Isso porque toda criança passa por muitos traumas, e é difícil definir qual razão levou a um quadro assim.

O mutismo seletivo pode estar associado a problemas no neurodesenvolvimento

Ilustração de menina tímida com Mutismo seletivo

Ilustração de menina tímida – Crédito da foto: Freepik

É normal vermos crianças com mutismo seletivo que também podem receber diagnóstico de outro distúrbio do desenvolvimento. Os atrasos no desenvolvimento mais comuns destas crianças tem relação com comunicação ou coordenação motora.

Isso significa que a criança tem mutismo seletivo pode também sofrer de outros problemas. Ou seja, se o seu filho tiver mutismo vale a pena você fazer uma avaliação completa, pra verificar outros possíveis danos. Isso é especialmente importante porque tratamento precoce faz toda a diferença nestes casos.

Que razões podem levar uma criança a este cenário?

O mutismo seletivo vem de situações de trauma vividas pela criança. Estes traumas podem ser de ordem psíquica, como brigas na família, por exemplo. Mas o trauma também pode ser de ordem física, como violência física, por exemplo.

No entanto, é muito difícil definir qual o trauma que pode ter gerado o mutismo seletivo. Inclusive, é difícil saber se foi um trauma ou uma constelação de condições que contribuiram pro problema ocorrer. Isso porque toda criança passa por uma série de cenas de trauma, e é difícil definir causa e efeito.

Por isso, tudo que sabemos é que o mutismo seletivo nasce pela via do trauma. Ou seja, há algo de traumático que gerou a desordem. Mas qual foi o trauma e quando ocorreu é difícil de saber.

E se o seu filho pode estar com mutismo seletivo, calma também. Você não precisa se culpar e nem se sentir mal. Isso porque todas as mães erram uma hora. Todas as crianças passam por traumas. Isso faz parte da condição humana. Você não é uma mãe menos amorosa ou cuidadosa porque errou em algum momento. O importante nesse caso é buscar ajuda e tratar a criança.

Principais critérios para diagnóstico do mutismo seletivo

Mutismo seletivo

Menino tímido em fundo branco – Crédito da foto: Freepik

O mutismo seletivo é uma condição difícil de ser definida, a depender do caso. Por isso, há alguns critérios que precisam ser respeitados na avaliação.

Por exemplo, para ser visto como mutismo seletivo a mudez precisa durar ao menos um mês inteiro. Ah, e o primeiro mês de escolarização não conta. Isso porque é muito normal que nesta fase as crianças se mostrem mais tímidas que seu normal. Por isso, muitas crianças evitam conversar com colegas ou professoras na entrada da escola.

Além disso, há outros critérios que precisam de avaliação para o mutismo seletivo. Por exemplo:

  • Sensação de não ser capaz de falar em situações pontuais, mesmo conseguindo falar em outros momentos
  • Esse quadro afetar a vida escolar, profissional e/ou social da pessoa
  • A incapacidade de fala não pode ter relação com o desconhecimento do idioma falado na situação em que ocorre o episódio de mudez
  • O quadro de mudez deve ter diferenças em relação a outros transtornos de comunicação, como gagueira, por exemplo
  • O quadro de mudez não pode ser melhor explicado por outro transtorno do desenvolvimento ou por algum tipo de psicose

Se a mudez é melhor explicada por algum transtorno de comunicação, do desenvolvimento ou por alguma psicose, o diagnóstico da criança deve ser este, e não de mutismo seletivo. O mutismo seletivo é diagnosticado somente quando ele é o quadro que melhor explica a situação.

Por isso, não é possível ter sobreposição de diagnósticos devido ao sintoma da mudez. Ou seja, todas as comorbidades que venham a existir devem conter sintomas específicos e diferentes entre si.

Como saber que não se trata apenas de uma criança muito tímida?

Timidez garoto é o sentimento de apreensão mutismo seletivo

Criança tímida em meio a folhas verdes – Crédito da foto: Freepik

Sim, muitas vezes os pais têm dificuldade de perceber que o filho tem um problema maior que uma timidez muito acentuada. Por isso, boa parte dos casos de mutismo seletivo são diagnosticados de forma tardia. Ou seja, o tratamento começa quando a criança já está em níveis mais graves do quadro.

Mas há formas seguras de definir que a criança é apenas tímida. Então, também temos como saber se a criança sofre de mutismo seletivo, ou não.

Os especialistas apontam para o fato de que a timidez costuma afetar as crianças em funções pontuais, mesmo casos mais fortes. De modo geral, a timidez se mostra quando há exigência de contato físico ou dinâmico com os pares. Mas uma criança tímida não deixa de falar totalmente.

A criança muito tímida pode reduzir a frequência da fala, e pode moderar sua fala. Mas ela não deixa de falar completamente. No entanto, a criança com mutismo seletivo vai deixar de falar totalmente. Porém, esta parada ocorre só em alguns espaços. A criança com mutismo fala somente com pessoas muito próximas. Em todos os outros casos, ela não fala nada, nunca.

Essa diferença pode passar despercebida quando o adulto não presta muita atenção. Por isso, é tão importante aguardar um tempo em avaliação. Conforme os dias forem passando, será mais fácil avaliar se o caso é de mutismo seletivo ou de apenas timidez.

Há alguma idade específica pro desenvolvimento do mutismo seletivo?

Mutismo seletivo

Ilustração de números coloridos e de crianças em fundo branco – Crédito da foto: Freepik

Não há nenhuma idade específica para o mutismo seletivo aparecer ou ser notado.

Contudo, é muito comum vermos os primeiros sinais do quadro em crianças com mais ou menos três anos. Essa é uma idade mais comum porque é a fase onde a criança já tem a habilidade de fala adquirida.

Porém, isso não significa que a criança não tinha mutismo seletivo mais cedo. A questão é que sem o acesso a fala a criança não demonstrava. Portanto, os pais não tinham como perceber.

No entanto, é possível que a criança venha a desenvolver o problema mais tarde. Mas nestes casos os pais costumam perceber de forma mais fácil. Afinal, é diferente perceber um comportamento mudando depois que os pais já sabem qual é o “natural” pra criança. Agora, se a criança está aprendendo a falar agora pode ser bem mais difícil dos pais perceberem que “há algo estranho”. Isso porque eles não terão um “antes” para poderem comparar.

Por isso, é mais fácil pros pais buscarem ajuda precoce quando a criança é um pouco mais velha.

Tratamento para mutismo seletivo

Retrato do close-up da menina infeliz chocada

Menina com vergonha e nervosa em fundo azul – Crédito da foto: Freepik

Assim como dito, é difícil para os pais verem que a criança pode ter mutismo seletivo ou outro problema. E isso se torna mais difícil quando a criança já é tímida. Por isso, é muito comum que os pais levem a criança pro tratamento só depois de meses ou anos de mudez.

De modo geral, os pais buscam ajuda quando os danos na vida da criança ficam evidentes. Por exemplo:

A prevalência de crianças com mutismo seletivo varia de acordo com a faixa etária. Por isso, esta desordem pode ser mais rara ou mais comum, dependendo da idade.

Entre as crianças nos primeiros anos de escola, cerca de 1% até 2% delas sofrem com mutismo seletivo. Por isso, é uma desordem muito mais comum do que se imagina, mesmo que pouco debatida.

Tipos de tratamento para mutismo seletivo

Mãos de crianças tocando piano elétrico. instrumento musical nas mãos das crianças Foto Premium

Crianças tocando piano elétrico – Crédito da foto: Freepik

A criança com mutismo seletivo pode fazer acompanhamento com psiquiatra. Mas este acompanhamento costuma ser menos eficaz, quando comparado a outros transtornos. Isso porque os remédios receitados pelo médico são para ansiedade e depressão. Porém, estes remédios ajudam apenas a reduzir os sintomas.

Ou seja, o remédio usado ajuda no controle do sintoma mas não na cura do problema. Então, o acompanhamento com psiquiatra apenas ajuda a criança a fazer o tratamento psicológico – que, neste caso, é o principal acompanhamento a ser feito.

A psicoterapia infantil é o tratamento com melhores resultados para crianças com mutismo infantil. Na psicoterapia, a psicóloga poderá avaliar e conduzir um trabalho que ajude a criança. No trabalho terapêutico, a profissional pode ajudar a criança a elaborar os traumas vividos. Então, a criança pode curar os traumas e aprender a lidar com os conflitos. Por isso, a criança poderá deixar para trás a mudez, uma vez que estará mais segura em ambientes desconhecidos.

No entanto, além da psicoterapia infantil a criança também pode se beneficiar com o tratamento de musicoterapia. Isso porque foi descoberto que a musicoterapia ajuda crianças com quadros deste tipo. Isso parece acontecer porque nas consultas a criança pode se conectar com algo que a mantenha segura mesmo num ambiente “estranho”.

O ideal é que a criança com mutismo seletivo possa ser atendida por uma psicóloga infantil e possa ter tratamentos complementares, incluindo, por exemplo:

  • Uso de medicamentos, indicado por psiquiatra (apenas em casos graves)
  • Musicoterapia, arteterapia ou outras terapias alternativas
  • Atividades agradáveis com pessoas próximas, como cultivar hortinhas, desenho e pinturas, ouvir músicas e dançar, etc

Qual é o foco do tratamento?

Ilustração de duas meninas brincando de bonecas embaixo de janela

Ilustração de duas meninas brincando de bonecas embaixo de janela – Crédito da foto: Freepik

O mutismo seletivo é tratado com foco na vida da criança. Por isso, a profissional precisa conhecer o dia a dia da criança. Somente desse modo as intervenções da terapia poderão ser eficazes.

A psicoterapia com uma criança com mutismo seletivo deve abarcar também a família. Isso porque os pais precisam se comprometer com o tratamento para melhora da criança. Por isso, a criança só vai conseguir melhorar se os pais apostarem nessa melhora também.

Além disso, o tratamento da criança também costuma apostar na estimulação da comunicação. Por isso, a psicóloga pode contar com outros profissionais para a ajudar no trabalho.

No entanto, algumas abordagens da psicologia lidam não somente com um trabalho no comportamento da criança. Algumas linhas de trabalho também atuam na resolução de conflitos internos da infância. No geral, estas terapias psicológicas trabalham na direção de localizar e resolver a raiz do problema, e não somente o comportamento. Nestes casos, a proximidade com a família pode ser ainda mais relevante.

Este tipo de trabalho mais intenso pode demorar mais para gerar resultados. Mas o ponto positivo é que reduz o risco da criança somente deslocar o sintoma. Ou seja, deixar a mudez de lado mas apresentar outro tipo de problema. Infelizmente, trabalhos focados só no comportamento tendem a ter este problema: o comportamento melhora, mas como o problema não foi resolvido a criança acaba o apresentando de outro modo, através de outro comportamento.

Prognóstico

Piscar por entre os dedos, rosto coberto de vergonha

Menino escondendo rosto com as mãos em fundo azul – Crédito da foto: Freepik

O mutismo seletivo é uma desordem que pode durar alguns meses ou muitos anos. Essa variação é tão grande porque cada caso é muito pontual e depende de vários fatores. Alguns dos fatores que mais pesam no prognóstico são, por exemplo:

  • Precocidade do diagnóstico
  • Comprometimento da família no tratamento
  • Acesso da criança a tratamentos variados
  • Relação entre família e criança

Infelizmente, o mutismo seletivo não é um agravamento que some com o tempo. Ou seja, este não é aquele tipo de problema que vai desaparecer “ao natural”, somente deixando o tempo passar.

Na verdade, o mutismo seletivo pode se agravar com o passar do tempo. Por isso, é possível que a criança com mutismo permaneça por anos com este problema. Inclusive, quanto mais tempo a desordem persistir, maiores são as chances da criança também desenvolver outros tipos de transtornos, por exemplo:

  • Ansiosos
  • Emocionais
  • De aprendizagem
  • Do desenvolvimento

Então, se você está com suspeita o ideal é levar o seu filho para avaliação com uma profissional. Infelizmente, o mutismo seletivo não vai atenuar sozinho. Ao contrário, é possível que o tempo o deixe ainda mais grave.

Crianças com mutismo seletivo podem frequentar a escola?

Criança desenhando

Menina em escola desenhando – Crédito da foto: Freepik

A criança com mutismo seletivo pode ir pra escola, sim. Isso porque a criança consegue conviver com esta desordem, mesmo sendo difícil.

Quando a criança com mutismo seletivo está indo pra escola, é normal que ela acabe conseguindo falar somente com uma professora e poucos colegas. Isso pode causar muitos danos pra criança e pra sua vida, em especial devido ao possível comportamento de outras crianças.

O quadro é bem sério, e a criança com mutismo seletivo pode ser rejeitada pelos colegas. Isso ocorre com maior frequência com aqueles colegas que não conseguem se aproximar da criança com o mutismo. O que é natural, uma vez que os colegas podem não entender o que há “de errado” com aquela criança “estranha” ou “quieta”.

Casos famosos de mutismo seletivo

Jumanji: Próxima Fase

Capa do filme Jumanji: Próxima fase – Crédito da foto: Distribuição TriStar Pictures

O mutismo seletivo é uma desordem que é vista mais na infância, como já dito acima. Mas isso não quer dizer que adultos não possam sofrer deste mal. No entanto, quando isso ocorre é normal que haja um erro na avaliação. Por isso, eles normalmente acabam tendo o diagnóstico de fobia social.

No entanto, é possível que adultos vivam com este problema. Por ser uma desordem com características singulares, ela é usada na ficção com alguma frequência. Mas não é somente na ficção que ela ficou famosa.

Conheça agora alguns casos de pessoas com mutismo seletivo que ficaram famosos. Alguns destes casos são reais e outros são ficcionais. Por exemplo:

  • Raj é um personagem fictício do seriado The Big Bang Theory. O personagem foi baseado em um caso real. O mutismo seletivo ocorre em relação a mulheres, pois Raj não consegue falar com elas sem estar alcoolizado;
  • Peter é um personagem do filme Jumanji que tem mutismo seletivo durante o enredo. No caso dele, a desordem ocorreu após morte de seus pais. O personagem consegue conversar somente com a irmã depois da morte de seus pais;
  • A protagonista do filme Little Voice também tem mutismo seletivo. Este é um caso particularmente singular porque ela é cantora. Então, a desordem tem gravidade ainda maior no seu caso;
  • O personagem Jude Adam Fosters da série The Fosters também sofre com o transtorno. O quadro foi descoberto na segunda temporada. Por isso, aquelas que quiserem acompanhar a descoberta vão precisar ver toda a primeira temporada.

Mas o mutismo seletivo em adultos ocorre somente na ficção?

Close-up de mulher escondida

Mulher envergonhada escondendo o rosto com as mãos – Crédito da foto: Freepik

Não, o mutismo seletivo entre adultos também ocorre na “vida real” e não só na ficção. No entanto, ele é mais raro de ser encontrado porque há muitos erros no diagnóstico. Mas é possível vermos alguns casos reais, como o sujeito que foi inspiração para o personagem Raj de The Big Bang Theory. Assim como o personagem, ele também não conseguia se comunicar com os outros sem estar sob efeito de alguma substância.

Mas este não é o único caso real de mutismo seletivo em adultos conhecido. Por exemplo, há um caso famoso dos Estados Unidos que chocou muitos com este diagnóstico.

No ano de 2007, o estudante universitário norte-americano fez um ataque que levou 32 pessoas a óbito. Depois deste ataque trágico e muito noticiado, o jovem foi avaliado. Ele recebeu o diagnóstico de mutismo seletivo, e isso foi mais uma razão para levar ele aos noticiários.

Além disso, os especialistas citam que o mutismo seletivo pode ter contribuído para o caso. Isso porque foi entendido que o isolamento em que ele vivia contribuiu para o ataque. Ou seja, foi descoberto que a falta de diálogo e a solidão do jovem agravou seu quadro psíquico. Por isso, a condição de mudez foi mais um fator que o levou a agir daquela forma.

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