O estudo desenvolvido por um grupo de enfermeiras e obstetras ligadas à Unesp, UFScar, IMIP e UFSC indica que o país possui cerca de 77% dos óbitos de gestantes e puérperas registrados no mundo todo por Covid-19. A porcentagem representa a morte de 124 gestantes ou mulheres até 42 dias após o parto

Publicado na segunda quinta-feira de julho, no periódico médico Internacional Journal of Gynecology and Obstetrics, o estudo analisou dados do sistema de monitoramento SIVEP-Gripe (Sistema de Informação de Vigilância Epidemiológica da Gripe) pertencente ao Ministério da Saúde. Segundo os dados obtidos a taxa de mortalidade na população obstétrica brasileira é de 12,7%, superior às outras taxas mundiais já registradas. 

As causas apontadas para a alta mortalidade brasileira pelo Covid-19

Mulher com máscara de oxigênio no rosto. Foto: Freepik

Segundo as pesquisadoras, a alta mortalidade pode estar associada principalmente às deficiências imunológicas relativas associadas às adaptações fisiológicas maternas. Baixa qualidade no pré-natal, a falta de recursos para um atendimento de emergência, disparidades raciais em questões de acesso à saúde, violência obstétrica. Somados a falta de recursos de terapia intensiva nos serviços de maternidade brasileiros e escassez de profissionais. 

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Além disso, para esse grupo de mulheres não existe uma política de testagem. Déficit que pode apresentar um agravamento no quadro, visto que pode haver muitas subnotificação da doença. Cerca de 978 mulheres grávidas e puérperas foram diagnosticadas com Covid-19. Das 124 que vieram a falecer, cerca de 22,6% não foram admitidas na UTI, apenas 64% possuíam ventilação ativa e 14,6% dos casos fatais não tiveram suporte ventilatório algum. 

Maneiras de se prevenir 

Mulher lavando as mãos. Foto: Freepik

Para as gestantes e puérperas, a prevenção ao Covid-19 é feita da mesma maneira que as outras pessoas. O uso de máscaras, a correta higienização das mãos e objetos e principalmente o isolamento social são chaves para que o vírus seja evitado. 

No caso das gestantes e mulheres recém-paridas, o cuidado deve ser redobrado por causa da periodicidade das consultas de pré-natal e a possível ajuda ou visita de parentes no puerpério. A melhor opção é sair apenas para o essencial, e deixar esses momentos de convivência e comemoração para depois de controlado a doença. No caso de ajuda, prefira pessoas que já estavam quarentenando na mesma casa que você ou que ficarão na casa e não terão mais contatos com outras pessoas. Lembrando que o vírus demora até 14 dias para manifestar os sintomas e, em alguns casos, é completamente assintomático mas pode ser transmitido. 

Primeiro bebê infectado pelo Covid-19 ainda na barriga da mãe 

Mulher grávida apoiando a máscara na barriga. Foto: Freepik

Foi registrado o primeiro caso de transmissão de Covid-19 para o bebê ainda na barriga, na França. A mãe, que estava no final do terceiro trimestre de gestação, foi internada com febre e tosse e logo depois teve seu exame positivo para o vírus. 

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Três dias após a internação, quem passou a ter quadros de mal-estar foi o bebê. Foi feita uma cesária de emergência, com anestesia geral, e o bebê encaminhado diretamente para uma Unidade de Terapia Intensiva (UTI). 

O estudo do caso comprovou que a infecção foi feita por meio da placenta, antes do nascimento. O que acarretou em uma manifestação neurológica à criança, semelhante às observadas em pacientes adultos de Covid-19, mas sem infecções virais ou bacterianas. 

Em entrevista ao veículo britânico The Guardian, a diretora médica de pediatria e cuidados intensivos do hospital Antoine Béclère, em Paris, Daniele de Luca, afirmou que o caso é raro. Mas, que não pôde ser diagnosticado ainda na barriga da mãe porque os exames necessários são muitos. Desde sangue materno, do recém-nascido, do cordão umbilical, da placenta até amostra do líquido amniótico. 

Segundo a diretora, há outros casos suspeitos. Esses não puderam ser comprovados porque é muito difícil colher essas informações em uma “pandemia com emergências por toda parte”.