Ensinar educação financeira para o seu filho é fundamental para garantir que ele tenha um futuro mais equilibrado e saudável no que tange às próprias finanças. Isso porque, basta olharmos para nós mesmos ou para gerações passadas, para percebermos que a falta de educação financeira pode ser desastrosa.

Se conversássemos com algumas pessoas que estão endividadas poderemos ver o quanto elas gostariam de ter aprendido mais sobre finanças quando eram mais jovens. Além disso, vemos que essa necessidade deveria ser abarcada nas escolas.

Porém, enquanto a responsabilidade é inteiramente da família, precisamos agir de forma coerente. Para isso, vejas as nossas dicas de como ensinar educação financeira para o seu filho.

ensinar educação financeira para o seu filho

Menina guardando dinheiro no potinho. Foto: Freepik

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Como ensinar Educação Financeira para o seu filho?

Para ensinar educação financeira para o seu filho é preciso ter paciência e se dedicar. Não seja do tipo que simplesmente impõe o que o seu filho deve ou não comprar com a mesada, por exemplo… É preciso ser sensível e saber trazer os prós e contras das atitudes para a linguagem dos pequenos.

Isto é, não adianta apenas dizer que ele “não deve gastar”, mas sim, é necessário saber criar um diálogo coerente à realidade dele. Veja as nossas dicas e entenda mais sobre esse assunto:

1- Comece com uma mesada fixa – nada de aumentar sem critério na hora de ensinar educação financeira para o seu filho

Antes de qualquer coisa, para ensinar educação financeira para o seu filho é necessário você permitir que ele participe, de alguma forma, das finanças da família. E se você não quer dar a ele o dinheiro aleatoriamente, ou então, não quer que ele saiba todas as finanças da casa ainda, é necessário um ponto de partida, ou seja, a mesada.

Da mesma maneira, tenha cuidado na hora de oferecer uma mesada. Não ofereça algo “exorbitante” apenas porque você pode dar isso ao seu filho. Embora presentear e “mimar” possa parecer algo bom, quando falamos de finanças e dinheiro, o cuidado deve ser maior.

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Mãos de criança segurando um cifrão. Foto: Freepik

Isso também vale para os “aumentos” repentinos na mesada: é preciso um critério, pois aumentar por aumentar pode fazer com que o filho entenda que, de tempos em tempos, o dinheiro “cresce” e pronto. E não é isso que acontece.

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Você pode, por exemplo, oferecer um aumento uma vez ao ano, ou algo semelhante a isso. Tudo de acordo com os aumentos que a própria família possa vir a ter, é claro. Se você não está ganhando mais, por que aumentar a mesada do filho? Faça-o compreender que o aumento do “salário” precisa de critérios rigorosos.

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2- Reforce a ideia de juntar dinheiro para algo importante quando for ensinar educação financeira para o seu filho

Muitas vezes, as crianças não conseguem construir um pensamento de médio prazo. Isso é natural, devido à sua capacidade de reconhecer-se dentro do tempo, postergar coisas positivas e aguardar algo que se quer muito. A ansiedade é bem evidente, à medida que a criança é mais novinha.

Por isso, se você quer ensinar educação financeira para o seu filho, foque em fazê-lo pensar no longo e no médio prazo. É claro que você não precisa fazer com que ele guarde dinheiro por anos, para adquirir algo que quer muito, pois isso poderia ser difícil para ele entender e mensurar, mas, você pode mostrar o quanto o “guardar” é essencial para conquistar algo que queremos muito.

Demonstre a ele o quanto você mesma tem economizado para comprar um carro para a família, ou um móvel para algum dos cômodos. Ajude-o a estabelecer um objetivo, dividido em metas mensais, para assim organizar a sua própria mesada e conseguir guardar mais dinheiro para comprar o que se deseja.

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Menina fazendo compras pelo computador. Foto: Freepik

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3- Fale sobre poupar dinheiro para o futuro – e não apenas para algo específico

Da mesma maneira que ensinar educação financeira para o seu filho está associado à guardar o dinheiro para comprar algo específico, essa educação também precisa focar no simples ato de poupar dinheiro. Afinal, poupar e guardar podem ser percebidos de maneiras diferentes, certo?

Quando guardamos dinheiro com um objetivo, iremos gastá-lo ao alcançarmos o que almejamos. Em contrapartida, o hábito de poupar está associado à ação de valorizarmos as nossas finanças, garantindo uma reserva para algo que possa surgir mais tarde, tanto positiva, quanto negativamente.

Obviamente, você não precisa usar a poupança do seu filho para ele pagar pelo próprio remédio, em meio à uma crise de saúde, mas é fundamental que você demonstre o quanto a poupança e a reserva de dinheiro podem ser válidas em momentos cotidianos.

Quer um exemplo? Imagine que a família é convidada para um passeio inesperado: sem um dinheiro guardado, a saída pode ser cancelada. Por isso, fale para o seu filho sempre poupar, pensando no futuro, no conforto e nos imprevistos.

Da mesma maneira, não estimule que ele simplesmente poupe, ou então, poupe tudo. Na vida, não podemos simplesmente poupar todo o dinheiro que recebemos, senão as contas não serão pagas, concorda? Portanto, crie um equilíbrio na vida do seu filho: ele deve poupar, mas não se privar de todo o dinheiro.

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Menino guardando dinheiro no potinho. Foto: Freepik

4- Estimule o controle de gastos e o pensamento crítico na hora de usar a mesada

Os gastos vão acontecer, e eles são fundamentais na hora de ensinar educação financeira para o seu filho. Porém, você precisará estimular o controle de gastos e o pensamento crítico do seu filho.

Como sabemos, as crianças ainda estão com o cérebro em desenvolvimento, o que faz com que elas busquem recompensas imediatas e não tenham um senso de futuro muito estabelecido. É por isso que elas topam “qualquer brincadeira” de uma hora para outra, com muita energia!

Por isso, você deverá estimular o seu filho a pensar antes de comprar algo que parece ser interessante. Alguns questionamentos podem ajudar:

  • Você não comprou algo antes?
  • Você não tem um parecido com esse? (No caso de brinquedos ou objetos).
  • Você não queria comprar X? (No caso da necessidade de lembrar de guardar dinheiro).
  • Você realmente precisa disso?
  • É melhor não comer tanto doce, não acha? Você pode passar mal.
  • Que tal guardar para comprar algo maior no fim do dia?
  • E se pouparmos para irmos ao parque no fim de semana?

Você pode variar os questionamentos de acordo com a realidade do seu filho. Sempre fazendo com que ele reflita sobre a situação, sem que seja estabelecida uma “proibição” sem critério. Lembre-se sempre de que proibir de gastar NÃO é educação financeira.

Menina em dúvida segurando porquinho. Foto: Freepik

5- Demonstre a diferença entre consumir e se divertir – nem toda saída é motivo para gastar

Muitas crianças criam o hábito de gastar como forma de se divertir. E, sendo bem sinceros, não é apenas as crianças que fazem isso, concorda? Então vamos reescrever… Muitas pessoas acham que para que uma saída seja divertida, é preciso gastar. Mas isso não é verdade.

Às vezes, uma caminhada ao ar livre, um passeio no parque ou a ida à cachoeira pode ser muito divertido, e não é necessário consumir nada para isso.

Você pode demonstrar isso para o seu filho ajudando-o a entender a real diversão do momento em família: brincando e se divertindo todos juntos, sem a necessidade de comer algo ou comprar um brinquedo. Do mesmo modo, você pode ensinar o seu filho a usar o que ele já tem, como por exemplo, levando um brinquedo de casa ou preparando uma cesta de piquenique.

Assim ele entenderá que para se divertir não é preciso gastar, e conseguirá poupar mais com o passar do tempo e em sua vida adulta.

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Começando a ensinar educação financeira para o seu filho.

6- Foque no “querer versus precisar” na hora de ensinar educação financeira para o seu filho

Lembra que mencionamos a importância de ensinar o pensamento crítico para o seu filho? Pois bem. Uma forma de fazer isso é trazendo à luz um questionamento muito importante: até que ponto querer é a mesma coisa que precisar? Afinal, às vezes queremos muito uma coisa e ela é apenas um ato de consumismo, e não uma necessidade.

É claro que nem tudo o que compramos e consumimos é uma necessidade. Em algumas situações, pode ser apenas um capricho ou um desejo. Mas, o perigo aparece quando esse desejo e essa vontade se tornam recorrente, impedindo que a criança consiga guardar dinheiro de uma forma interessante.

Assim, quando você perceber que o pequeno está passando dos limites, converse com ele e faça-o pensar se ele realmente precisa daquilo, ou é apenas uma vontade passageira. Uma forma de ilustrar é mostrando um brinquedo ou objeto que também foi comprado dessa forma “impulsiva” e sem “precisar”, e o quanto aquele dinheiro poderia ter sido guardado para uma “vontade” mais importante.

Pai ensinando educação financeira para a filha. Foto: Freepik

7- Seja um exemplo – de nada adiantará apenas a teoria

Para finalizarmos esse nosso guia de como ensinar educação financeira para o seu filho, lembre-se de que de nada adianta investir em mil e uma técnicas se você não conseguir ser um exemplo. Afinal, os filhos ainda usam os pais como fonte de inspiração, e se você for do tipo que compra tudo o que quer, na hora que quer, as chances de ter bons resultados na educação financeira dos seus filhos é muito melhor.

Portanto, seja um exemplo para ele! E ainda, fale sobre as suas atitudes com relação ao dinheiro. Se vocês saíram para jantar, diga que não comprou a sobremesa duas vezes porque irá guardar aquele dinheiro para outro momento. Isso fará toda a diferença no aprendizado do seu pequeno.

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