Epilepsia na gravidez: Entenda qual o melhor tratamento nesse período e o que fazer para amenizar.

Primeiramente, ao contrário do que muitos pensam, a epilepsia não contraindica a gravidez, ou seja, uma mulher com essa doença pode sim engravidar e ter um filho.

Porém, essa condição está associada a um maior risco de complicações tanto antes quanto depois do parto, para a mãe e para o bebê.

Se você quer entender tudo sobre a epilepsia na gravidez, continue lendo este artigo aqui, no Mil Dicas de Mãe.

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Epilepsia na gravidez

Close de uma mulher grávida, que está com as mãos na barriga. Ao fundo, campo ao ar livre. Crédito da foto: Freepik

Saiba tudo sobre a epilepsia na gravidez

epilepsia é a doença do sistema nervoso mais comum na gravidez. A epilepsia não contraindica a gravidez.

Contudo, para reduzir os riscos para a mãe e para o bebê, é importante consultar o seu médico assistente antes de engravidar, de forma a ponderar todos os riscos, ajustar a medicação e iniciar uma suplementação adequada.

A história natural da epilepsia é alterada pela gravidez devido às alterações hormonais (os estrogénios aumentam o risco de crises, enquanto que a progesterona diminui), à diminuição da eficácia da medicação antiepilética (devido à menor absorção quando há náuseas e vómitos e devido ao aumento do volume corporal) e à privação do sono que aumenta o risco de crises.

Comparativamente à população geral, as grávidas com epilepsia apresentam um maior risco de hemorragias, descolamento da placenta, atraso do crescimento intrauterino, pré-eclâmpsia, parto pré-termo, e morte fetal e/ou materna. Este risco está relacionado com a própria epilepsia e a ocorrência de convulsões.

Apesar disto, a maioria das mulheres com epilepsia controlada não sofre um aumento do número de crises durante a gravidez, e em mais de 90% dos casos a gravidez decorre dentro da normalidade.

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Médico conversa com mulher grávida no hospital. Crédito da foto: Freepik

Medicação para epilepsia na gravidez

O tratamento é fundamental para o controle da epilepsia, e se dá com a chamada medicação antiepilética, porém a mesma pode aumentar o risco de malformações fetais, especialmente com medicamentos contendo ácido valpróico, medicamentos em doses altas ou em associação.

Portanto, a mulher deve, junto com seu médico, ponderar os riscos associados à medicação e os riscos associados às crises convulsivas durante a gravidez.

Em outras palavras, a medicação antiepilética ideal durante a gravidez ainda não é clara, então os medicamentos citados acima devem ser evitados, devido aos elevados riscos para o bebê.

A vigilância das mulheres com epilepsia é muito importante, desde o período que antecede a gravidez (período pré-concepcional) até depois do parto, no sentido de minimizar as principais complicações.

Riscos gerais da medicação antiepilética no feto:

  • Malformações major (defeitos do tubo neural; defeitos do sistema urinário; alterações cardíacas; alterações esqueléticas e fenda palatina)
  • Malformações minor (hipoplasia das unhas e das falanges distais; hipertelorismo e alterações faciais)
AntiepiléticoRiscos mais prováveis de cada medicamento no feto
Ácido ValpróicoDefeitos do tubo neural (espinha bífida e mielomeningocelo); malformações cardiovasculares, genitourinárias; alterações craniofaciais. A longo prazo está associado a atraso no desenvolvimento cognitivo e a perturbações do espectro do autismo.
Durante o 1º trimestre de gestação o risco de malformações é maior
Recomenda-se suplementação com 4 a 5mg de ácido fólico na pré-conceção e 1º trimestre
Fenitoína e FenobarbitalFissuras orofaciais; neuroblastomas;
Malformações cardíacas e defeitos genitourinários
CarbamazepinaEspinha bífida e malformações genitourinárias
Recomenda-se suplementação com 4 a 5mg de ácido fólico na pré-conceção e 1º trimestre
TopiramatoFissuras orais e atraso no crescimento intra-uterino
LevetiracetamBaixo risco de malformações major
Lamotrigina e PregabalinaSão necessários mais estudos

Recomenda-se que exista um período de tempo sem crises de 6 a 12 meses antes de engravidar, com o medicamento antiepilético que se mostre mais eficaz, idealmente em monoterapia (apenas com 1 medicamento antiepilético) e na menor dose possível.

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Vigilância pré-natal (vigilância da gravidez)

Durante toda a gravidez, é recomendado manter a suplementação com ácido fólico e será realizada a vigilância adequada das malformações fetais.

Parto

Na maioria das mulheres o parto ocorre por via vaginal e sem complicações. O risco de convulsões durante o parto e nas primeiras 24 horas pós-parto é baixo.

Puerpério (após o parto)

A medicação antiepilética não impede a amamentação, uma vez que os benefícios superam os riscos.

É importante manter a medicação antiepilética, bem como tentar descansar adequadamente e reduzir os fatores de ansiedade.

É importante que a mãe tome precauções para evitar lesionar o bebê no caso de ter uma crise convulsiva, principalmente nos momentos em que o mesmo se encontra mais vulnerável.

Veja as dicas a seguir:

  • Evite dar banho no recém-nascido se estiver sozinha;
  • Quando for trocar a fralda ou a roupa do bebê, coloque ele numa superfície ampla (por exemplo, no chão ou no meio de uma cama larga)

Doutor examinando a barriga da mulher grávida com estetoscópio na enfermaria. Crédito da foto: Freepik

Epilepsia na gravidez: Métodos contraceptivos

De forma a realizar uma contracepção eficaz, com o mínimo de efeitos adversos possível, é importante conhecer as interações da medicação antiepilética com os métodos contraceptivos.

A Organização Mundial da Saúde (OMS) recomenda que as mulheres que a tomam os seguintes antiepiléticos: Fenitoína, Fenobarbital, Carbamazepina, Oxcarbazepina, Primidona, Topiramato ou Lamotrigina usem um método contraceptivo que não seja a pílula (tanto combinada como progestativo oral), transdérmico (adesivos) ou anel vaginal.

Isto porque a eficácia tanto dos métodos contraceptivos quanto dos antiepiléticos será diminuída. Ou seja, os métodos mais eficazes e com menos interações são os preservativos, os dispositivos intrauterinos (DIU) e o implante subcutâneo (vulgarmente conhecido por Implanon).

Por fim, a epilepsia aumenta o risco de complicações durante a gravidez, contudo este risco pode ser minimizado com o correto acompanhamento médico.

A epilepsia na mulher é um capítulo complexo e rico em detalhes. Para isso, a condição merece atenção especial, pois o cuidado pode variar de acordo com a fase da vida da paciente.

Dentre as particularidades, podemos citar:

Efeitos dos hormônios nas crises epilépticas

Mulheres com epilepsia têm tendência a apresentarem ciclos menstruais irregulares em comparação a mulheres sem epilepsia.

Além disso, as variações hormonais clássicas do ciclo menstrual podem levar a influência no controle das crises, com algumas pacientes apresentando maior número de crises no início do ciclo, outras na metade do ciclo (concomitante com a ovulação), ou ainda na semana que antecede a menstruação. Isso varia de paciente para paciente, e não há uma regra.

Para avaliar o comportamento das crises e a relação com o ciclo menstrual, o registro em diário é uma ferramenta de grande valia.

Ajustes específicos no tratamento podem ser realizados quando conseguimos identificar estes padrões.

Anticoncepção x tratamento de epilepsia

Para todas as mulheres, a gestação deve ser algo planejado. Isto é ainda mais importante para portadoras de epilepsia.

Para tanto, há vários métodos disponíveis, como os anticoncepcionais orais compostos de estrógeno e progesterona, que são amplamente utilizados no mercado e precisam de considerações especiais.

Já nas pacientes em uso de determinadas medicações anticonvulsivantes (não todas) pode ocorrer interação bilateral com o anticoncepcional oral, gerando tanto queda na eficácia do anticonvulsivante (com influência no controle das crises), quanto queda no nível do anticoncepcional, resultando em risco de gestação não planejada.

Outra opção, com perfil mais estável e seguro, é o dispositivo intrauterino. Neste caso, a aliança entre o neurologista especializado, o ginecologista e a paciente é essencial para a escolha individualizada do melhor método.

Médica coloca a mão na barriga de sua paciente, uma mulher grávida, que olha para ela sorrindo. Crédito da foto: Freepik

Gestação e epilepsia

Pacientes com intenção de engravidar devem ser avaliadas pelo seu neurologista, preferencialmente especializado em epilepsia, cerca de seis meses antes de engravidar. Mas por quê?

Esta avaliação é essencial para consultar o perfil de segurança da medicação em uso para a saúde do bebê durante a gestação, além de discutir abertamente os possíveis riscos associados e também avaliar a necessidade de exames adicionais.

A dosagem do medicamento no sangue antes de engravidar pode auxiliar o ajuste do tratamento durante a gestação. Pacientes em idade fértil em uso de medicação antiepiléptica devem receber suplementação de ácido fólico de rotina.

Durante a gestação, as variações hormonais, de peso e de quantidade de líquido no organismo da mãe podem levar a necessidade de ajustes na dose do medicamento.

Por isso, as visitas ao neurologista serão mais frequentes neste período. Quando entrar no terceiro trimestre, será o momento de conversar sobre a via de parto e possíveis ajustes no tratamento, imediatamente após o nascimento do bebê.

Amamentação e epilepsia

A amamentação deve ser incentivada nas pacientes portadoras de epilepsia, mas com alguns simples ajustes e cuidados, tendo em vista a segurança do bebê.

A mudança na rotina, particularmente com sono reduzido, também influencia o controle das crises da nova mamãe.

Para concluir, tanto as variações hormonais, quanto a escolha de método anticoncepcional e o planejamento da gestação na paciente com epilepsia precisam de atenção especial. Pois todas estas situações influenciam no tratamento de epilepsia e vice-versa.

Agora que você já sabe tudo sobre epilepsia na gravidez, confira também: