Eu já comentei inúmeras vezes aqui no blog como, para mim, é difícil ser mãe de filha única. Ter apenas uma criança nunca esteve em meus planos, e se dependesse apenas de minha vontade, Catarina teria um irmão ou irmã. Mas, considerando minha história pessoal e a certeza de que não terei mais filhos biológicos (a pequena já foi um grande presente, por isso penso que só posso agradecer por sua vinda), me vejo tendo que enfrentar uma situação para a qual não estava preparada. Eu tenho duas irmãs e não consigo imaginar minha vida sem elas: desde que me entendo por gente, divido a atenção de pai, mãe, avós… Os brinquedos, as roupas, o quarto – enfim, tudo! E tive que aprender a ser mãe de uma menininha que não precisa dividir quase nada (e como é difícil saber a justa medida de como agir nesse caso!).

Imagem: 123RF

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Conversando com outras mães de filhos únicos, percebo que aquela máxima de que uma criança sem irmãos não sabe dividir suas coisas é muito relativa. Depende (e muito!) da educação recebida em casa, e é por isso que me preocupo tanto em passar conceitos e valores para a pequena, que está em plena fase de formação. Incentivo que ela doe os brinquedos com os quais não brinca mais (o que, a meu ver, é um primeiro passo – um desafio inicial, uma vez que ela tem que se desprender de algo que já andava meio esquecido. Mais complicado, talvez, seja emprestar um brinquedo que continua em uso), trago outras crianças para brincar com ela, conto com o exercício diário que acontece na escola: o convívio com os amiguinhos. Chego a inventar histórias, sobre a menina que não sabia emprestar suas coisas (mas que aprendeu e passou a ter mais amigos), ou a que só sabia brincar “do seu jeito” (até que descobriu que a brincadeira mais legal é aquela em que todos se divertem). Entretanto, continuo me perguntando o que falta fazer, porque vira e mexe vejo aquela manifestação do “é meu”, “eu que mando”, “eu escolho”, que dói fundo no coração de mãe.

Se a questão fosse apenas dividir objetos, até que estaria mais fácil. Mas talvez o mais complicado seja mostrar que é preciso dividir também a atenção das pessoas. Porque vejo que Catarina mal sabe esperar sua vez de falar (“como assim, vocês não estão olhando para mim? Olha eu aqui, vejam a coisa extraordinária que eu estou fazendo!”), praticamente não brinca sozinha (porque se acostumou a ter sempre alguém que brincasse com ela), tem pouca habilidade para aceitar críticas ao seu modo de fazer (tudo bem, confesso que até hoje tenho problemas com isso, então como esperar algo diferente de uma criança de 4 anos?).

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Talvez a expectativa de que a pequena tenha outro tipo de comportamento (mais desprendido, generoso, altruísta) seja um pouco precoce – podem ser necessários mais alguns anos, repetindo diariamente as mesmas frases: que é preciso emprestar, ceder, conciliar aquilo se quer com o que o outro deseja. Por vezes bate um desânimo enorme, porque parece que o que você fala entra por um ouvido e sai pelo outro. Mas, de vez em quando, um simples ato ou uma pequena evolução mostra que tudo vale a pena: o pedido de levar no lanche algo que ela sabe que a amiga gosta, só para dar um pedaço a ela; a vontade espontânea de separar as roupas que não cabem mais, para mandá-las para doação; a concordância de brincar sob as regras do outro – mesmo que não seja a forma como ela gostaria de fazer inicialmente.

É preciso continuar a ensinar, sempre. Porque educar é um trabalho de formiguinha: diário, incansável, e feito com o maior amor do mundo.

E você, sente o mesmo aí na sua casa? Me conta, vou adorar saber que não estou sozinha!