Quem acompanha o blog há um certo tempo, sabe que eu sou um pouco reticente com os livros que se propõem a ensinar técnicas para que o bebê durma melhor. Aqui em casa eu tentei os ensinamentos da Encantadora de Bebês (por muitos meses, sem sucesso), e durante uma semana deixei Catarina chorando no berço (mas fiquei ao lado, porque não conseguiria deixar aquele quarto por nada nesse mundo!). O resultado foi minha total desistência, porque percebi que nada daquilo funcionava como deveria com a pequena (sim, eu paguei o preço de ter uma filha que não dormia bem por anos, mas meu coração ficou tranquilo em saber que era o melhor que eu conseguia fazer naquele momento).

Mesmo não acreditando que esses livros sobre sono infantil resolvam o problema de 100% das famílias, há algo que aprendi com eles que acho de máxima importância: que os bebês demonstram sinais de cansaço que não devem ser ignorados. Como os pequenos não falam (e mesmo quando começam a pronunciar as primeiras palavras, ainda não entendem que estão cansados para nos contar), esses sinais são, diversas vezes, de difícil interpretação. E o que acaba acontecendo é que muitos pais acreditam que seus filhos têm uma série de problemas (de aprendizado, de alimentação, e até de saúde) quando, na verdade, o que existe é apenas um problema de sono!

Por isso achei muito bacana quando nossa querida parceira, a consultora de sono Michele Melão, me mandou o texto que vocês leem a seguir. Nele ela conta quais são os principais sinais de que seu filho está dormindo menos que deveria. Esqueça as famosas tabelas de sono, e aprenda a identificar o que seu filho está querendo dizer (porque cada bebê é único!).

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Por Michele Melão

Imagem: diyosa via Compfight cc

Imagem: diyosa/Creative Commons

Esta semana, muitas mães me fizeram a seguinte pergunta: como eu sei que meu filho precisa de mais tempo de sono do que ele tem? Devo seguir as famosas tabelas de sono? Como cada bebê é diferente do outro, resolvi fazer este post para esclarecer o assunto aqui no Mil Dicas de Mãe.

Existes tabelas muito conhecidas na internet que mostram a quantidade de horas que uma criança geralmente dorme, incluindo o tempo de sono noturno e também as sonecas. Apesar de utilizadas com frequência, essas tabelas são baseadas em uma média do padrão de sono das crianças, e nem sempre correspondem à quantidade de descanso de que seu filho precisa. Assim como os adultos, algumas crianças precisam de mais tempo de sono do que a maioria para se sentir bem, enquanto outras dormem menos (mas estão sempre risonhas, alimentam-se bem, brincam e não ficam com aparência de cansadas).

Mas então como observar se o sono de seu bebê é suficiente? Existem algumas dicas que os pequenos nos dão, e que podem nos indicar se seu filho está precisando dormir mais do que vem fazendo:

1) Aparência do seu bebê: perceba se seu filho tem olheiras ou aparência de cansaço durante o dia (não apenas quando há algum desconforto, como febre, gripe, etc).

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2) Dificuldade de concentração: a falta de sono deixa o bebê irritado, e geralmente ele não consegue brincar ou se focar em algo (mesmo que por poucos minutos).

3) Sem força para mamar: bebês desanimados, que choram muito e que não tem muita força para mamar, podem precisar de mais horas de descanso.

4) Quando o carro é um sonífero: sabe aqueles bebês que entram no carro e dormem imediatamente? Normalmente isso acontece porque estão cansados e, ao primeiro sinal de balanço, caem no sono. Se seu filho é assim, pode ser um indício de déficit de sono.

5) Não para de mexer na orelha: alguns bebês mexem na própria orelha, ou na da mãe, quando estão tentando se acalmar para dormir. Se seu filho faz isso com muita frequência, observe se ele não precisa dormir um pouco mais do que faz hoje.

6) Sinais de sono constantes: se seu bebê esfrega os olhos, boceja ou apresenta outros sinais de sono com muita frequência, pouco tempo depois de ter acordado do sono noturno ou das sonecas, isso pode ser um sinal de que seu bebê ainda está cansado.

7) Recusa na alimentação: bebês muito cansados, mesmo com fome, podem se recusar a comer porque a sua necessidade maior naquele momento é dormir. Assim, a fome fica para segundo plano.

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8) Sonecas curtas: uma criança muito cansada geralmente faz sonecas curtas. Então, nestes casos, também é importante ajudar seu filho a esticar um pouco seus períodos de sono durante o dia. Como? Prepare um ambiente agradável e perceba a sensibilidade do seu bebê (muitos não conseguem dormir bem com barulhos e claridade). Pense no sono dele como se fosse o seu – precisamos do nosso travesseiro, de uma cama confortável, de pouca luz, de distância de aparelhos eletrônicos, além de segurança para relaxar.

9) Choro de sono: aprenda a decifrar o choro do seu bebê, pois esta é a principal maneira de comunicação dos pequenos. Nem sempre quando o bebê chora, ele quer dizer que está com fome. Geralmente o choro de sono é nervoso e o bebê fica muito agitado.

Se seu bebê está desta forma, faça de tudo para acalmá-lo. No meio da agitação, vale qualquer coisa que o ajude: balançar, cantar, andar, passear no carrinho, ruído branco. Muitos também melhoram bastante quando a mãe tira o foco do “vamos dormir”. Apresente alguma coisa que faça o bebê prestar atenção, como algo colorido, e depois, com bastante carinho, tente fazer com que ele descanse.

Lembre que dormir não é só importante para descansar. Existem muitos estudos que comprovam que o sono é fundamental para o crescimento, desenvolvimento psicológico e motor, além da memória e sistema imunológico.

michele melão selo