Durante os primeiros meses da vida de Catarina, ela foi um bebê extremamente irritado e que chorava muito. Na época eu ouvi de muitas pessoas que ela deveria ter um problema grave de saúde, já que seu choro era constante. Claro que eu investiguei diversas hipóteses (e acho que qualquer mãe na mesma situação deveria fazer o mesmo, pois sempre há a possibilidade de o bebê esteja sofrendo de refluxo, otite, entre outras coisas), mas meu coração de mãe me dizia que a causa de tudo era o fato de que ela não dormia bem.  No fundo, eu sabia que o “X” da questão era a falta crônica de sono – ela ficava cansada, chorava, engolia ar, o que levava até ao aumento de sua cólica. E assim a pequenina entrava em um ciclo vicioso (que durou um bom tempo e quase me deixou louca!).

Por experiência própria, eu sei que a falta de sono traz diversas consequências para o bebê (e também para os pais – até hoje minha qualidade de sono piorou muito quando comparada àquela anterior ao nascimento de minha filha). Por isso achei muito bacana o texto de hoje da nossa querida colunista Michele Melão, consultora de sono infantil. A seguir ela explica o que pode acontecer com o bebê se ele não dormir bem. Vem dar uma espiadinha, que há muitas informações importantes!

Por Michele Melão

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Algumas vezes já falamos aqui para as leitoras do Mil Dicas de Mãe sobre a importância de se ter hábitos saudáveis de sono, sobre o que pode estragar o sono do bebê, e demos também sugestões de rotina para os bebês de seis e sete meses (idades críticas para o sono). Mas e quando o bebê não dorme? Quais são as consequências?

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No post de hoje, gostaria de mostrar a vocês que a importância do sono para os bebês vai muito além do descansar ou de deixar os pais dormirem durante toda a noite. O sono é um processo fisiológico ativo e sua privação pode causar impactos na saúde, comportamento e desenvolvimento do seu bebê.

Vamos então aos problemas da falta de sono:

Obesidade infantil: foi comprovado por um estudo da University of Chicago que bebês que dormem pouco são mais propensos a sofrer com a obesidade infantil. Nessa pesquisa, foram comparadas crianças que dormiam sete horas com crianças que dormiam nove horas por dia. As primeiras apresentaram um risco quatro vezes maior de desenvolver obesidade do que as outras, que dormiam por um período maior. Além disso, a ansiedade gerada pela falta de sono é um dos sentimentos que mais levam à fome. A chance de um adulto com insônia “atacar” a geladeira é enorme e isso acontece também com as crianças.

Problemas com o crescimento: apesar do hormônio do crescimento (GH) ser liberado durante o dia, é durante o sono profundo dos bebês que sua produção se eleva; por isso, a enorme importância da qualidade do sono. Não basta apenas dormir, o bebê precisa entrar em sono NREM (profundo) para que o hormônio seja liberado. Bebês que têm o sono muito picado, ou com sonecas muito curtas (menos de 30 minutos), podem estar com dificuldade de entrar nesse estágio do sono.

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Hiperatividade: segundo Gonzalo Pin, um estudioso da cidade de Valência, na Espanha, 15% das crianças com hiperatividade na verdade sofrem de distúrbios de sono. Para ele, ao contrário dos adultos, as crianças que não dormem bem não ficam sonolentas no dia seguinte; mas sim irritadas, sem concentração, com baixo rendimento escolar e podem ser diagnosticadas como hiperativas. Além deste estudo, existem muitos outros que comprovam a relação entre a falta de sono e diversos problemas no comportamento das crianças, bem como que a privação de sono por meses, ou até mesmo anos, pode sim ser um gatilho para a hiperatividade.

Ansiedade e irritação extrema: quantas mães não passam pela chamada “hora da bruxa”? No fim do dia, perto das 18h, a criança se transforma. Gritaria, choro, irritação, ansiedade… Grande parte das mães pensa que é cólica, quando na verdade esses podem ser sinais de sono. O bebê pode estar muito cansado e a irritação chega – então ele se retorce e o sono demora muito tempo para chegar.

Falta de concentração e de foco: além da falta de sono atrapalhar a concentração das crianças (e dos adultos!), pode-se dizer que grande parte da informação aprendida nos momentos de atividade do bebê é armazenada e memorizada durante o tempo em que está dormindo. Se o bebê não dorme, uma parte dessas informações é perdida.

Dificuldade no aprendizado: quando falta concentração, a capacidade de aprendizado também pode ser afetada. O sono é um repouso para o cérebro, que descansa para que novos aprendizados possam ser adquiridos no dia seguinte.

Algo importante para ressaltar é que as sonecas não devem ser substituídas (como um bebê que não dorme pela manhã e passa quatro horas dormindo durante a tarde). Um bebê que faz sua soneca adequadamente de manhã, está mais relaxado para almoçar e come melhor. E a soneca da tarde permite que o bebê consiga chegar tranquilo até o fim do dia.

Outra sugestão é que vocês procurem fazer com que seus bebês durmam nos mesmos horários todos os dias. As transições (diminuição do número de sonecas) devem acontecer naturalmente, na hora certa, para não prejudicar o desenvolvimento e não causar nenhum problema futuro.

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Para que vocês tenham uma ideia melhor de quando essas fases de transição geralmente ocorrem, deixo a seguinte referência:

De 0 a 2 meses – sem padrão. O bebê normalmente mama, fica acordado por um curto período para higiene e dorme.

De 02 a 3 meses – de 3 a 4 sonecas por dia.

De 03 a 06 meses – 3 sonecas

De 06 a 13 meses – 2 sonecas (alguns bebês ainda precisam da terceira soneca até os 8 meses).

De 13 a 18 meses – 1 soneca.

Geralmente os bebês só param de dormir durante o dia a partir dos três anos; entretanto, muitos pediatras e estudiosos de sono recomendam uma soneca por dia até os cinco anos.

Minha última dica é que vocês sigam uma rotina, sinalizem para o bebê que é hora de dormir ou de tirar as sonecas. Tentem manter uma regularidade nos horários e façam da hora do sono um momento agradável, preparando o bebê e a casa para a hora de ir para a cama.

michele melão selo