Quando Catarina nasceu, muitas pessoas me garantiram que até os seis meses de vida ela dormiria a noite inteira. A expectativa era grande, porque eu estava muito cansada e tudo o que desejava era dormir oito horas de sono ininterruptas. A verdade é que eu fiquei esperando, esperando e isso de fato só ocorreu quase um ano mais tarde.

Conversando com as leitoras do blog, percebi que muitos bebês (muitos mesmo!) ainda acordam durante a noite aos seis meses, apesar de ouvirmos frequentemente que nessa idade o sono noturno estaria bem resolvido. Por isso pedi à nossa querida consultora de sono, Michele Melão, que nos contasse um pouco mais sobre sua experiência com o assunto. A seguir ela fala sobre os bebês de seis e sete meses e a relação que existe entre o despertar noturno e a alimentação. E sugere rotinas para os bebês que acordam durante a madrugada e aqueles que só despertarão no dia seguinte (lembrando que são apenas sugestões! Se você está satisfeita seguindo horários diferentes, não há problema algum nisso – o importante é que seu bebê esteja saudável e você feliz, não é mesmo?).

sono bebe

Imagem: Hammer51012/Creative Commons

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Por Michele Melão

Se você for uma mãe de sorte, aos seis meses seu bebê dormirá a madrugada inteira. Porém é bastante comum nessa idade que ele ainda acorde de uma a duas vezes por noite para mamar. Esse acordar vai depender de alguns fatores: de como ele aceita os alimentos sólidos, da quantidade de leite ingerida durante o dia e também de como sua rotina foi estabelecida. Considerando que ele não esteja em surto de crescimento (que dura alguns dias e que pode modificar esse ritmo), seu bebê deve tirar de duas a três sonecas, obtendo assim pelo menos três horas de sono diurno e mais onze horas de sono noturno.

Obviamente os bebês não são iguais – uns precisam de mais alimento, outros de mais estímulo; alguns são mais irritados, outros mais preguiçosos. Mas uma coisa é certa para todos: uma rotina estruturada sempre ajuda bastante. Por isso, no post de hoje achei interessante apresentar alguns exemplos de como as atividades podem ocorrer ao longo do dia, para que você as adapte ao comportamento de seu bebê. Dessa forma, será mais fácil entender suas necessidades, e você terá uma boa ideia do que ele sente (se está na hora de comer, de dormir, de brincar).

Rotinas para bebês de seis meses precisam sempre de adaptação. Um exemplo: alguns bebês com essa idade não conseguem ficar mais de duas horas acordados e, portanto, precisam de mais tempo de sono diurno.  Para alguns pequeninos, a introdução dos sólidos é uma fase de grande adaptação (e por não os aceitarem com facilidade, precisarão de mais leite para suprir suas necessidades nutricionais).

A seguir eu apresento duas rotinas, a primeira para um bebê que não acorda à noite, e a segunda para um bebê que acorda uma ou duas vezes. Lembrando que as duas são comuns e normais, e que com tempo e hábitos saudáveis de sono, todos os bebês dormirão a noite toda.

Rotina 1: bebês que não acordam

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6h30 – Acordar e mamar

8h30 – Primeira soneca do dia

Entre 9h30 e 10h00 – Acordar e mamar

12h00 – Almoço (papinha) – aqui muitos precisam mamar também

13h00 – Segunda soneca do dia

15h00 – Acordar e mamar

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16h00 – Fruta ou suco

17h00 – Terceira soneca do dia

18h00 – Acordar e mamar ou jantar (papinha)

20h00 – Última mamada e ir para cama para o sono noturno

Rotina 2: bebês que acordam uma ou duas vezes por noite. Nesse caso, o ideal é que o bebê vá para a cama um pouco mais cedo para ficar descansado (geralmente bebês com esse temperamento fazem sonecas mais curtas durante o dia).

7h00 – Acordar e mamar

9h00 – Primeira soneca do dia

10h00 – Acordar e mamar

12h00 – Segunda soneca

13h00 – Acordar e mamar (ou papinha)

14h30 – Terceira soneca

16h00 – Mamar

17h00 – Quarta soneca

19h00 – Mamar e ir para a cama para o sono noturno, mais duas mamadas durante a noite.

Aos 7 meses

Nessa fase o mais comum é que o bebê durma a noite toda e faça duas sonecas durante o dia, um pouco mais longas. Alguns bebês, no entanto, ainda fazem a terceira soneca (curta, apenas para se recuperar, por volta das 17h). Vale observar o comportamento da criança e ficar bastante atenta aos sinais de sono.

O ideal para seu bebê de sete meses é que ele durma três horas durante o dia e faça de onze a doze horas de sono noturno. Geralmente a alimentação do bebê está mais consolidada do que aos seis meses – fica mais fácil estabelecer uma rotina e eliminar algumas mamadas. Nessa fase, muitas famílias já conseguem estabelecer o almoço e o jantar do filho, sem nenhuma perda dos valores nutricionais necessários para a idade da criança. Segue um exemplo de como a rotina aos sete meses pode acontecer:

– 7h00 – Acordar e mamar

– 8h15 – Fruta ou suco

– 9h00 – Primeira soneca

– 10h00 – Amamentação

– 12h00 – Almoço

– 13h00 – Segunda soneca

– 15h00 – Amamentação

– 18h00 – Jantar

– 19h00 – Bebê dormindo no berço

Se o bebê não se alimentar bem durante o dia, ele provavelmente acordará uma vez no meio da noite para ser alimentado. Por isso, uma alternativa é amamentá-lo antes de dormir. Alguns estudiosos de sono sugerem que, após o jantar, o bebê também seja amamentado – algumas crianças aceitam, outra não.

Uma dúvida comum nessa etapa é o momento de substituir totalmente o leite na hora do almoço e do jantar. Alguns fatores podem ser observados para ajudar as mães nessa fase:

– Seu bebê mostra interesse por aquilo que você come? Tem vontade de experimentar?

– Seu bebê consegue sentar corretamente?

– Faz o movimento de mastigar com a boca e não tem mais aquele reflexo de colocar a língua para fora?

– Tem total controle da cabeça?

Se sua resposta foi sim para essas perguntas, isso significa que seu bebê está pronto para receber os alimentos. Com dedicação e paciência, você conseguirá substituir mamadas pelo almoço e jantar.

Por fim, algumas palavrinhas sobre rotina. Muitas mães reclamam do conceito, pois ficariam “escravas do relógio”. Elas acreditam que as necessidades do bebê são simples e fáceis de atender: alimentar, colocar para dormir, brincar, dar carinho, cuidar da higiene. Na prática, o que observo é que um grande número de mães se sente perdida – e para elas o estabelecimento da rotina é de grande ajuda.  Dessa forma, a mãe e o resto da família conseguem se programar melhor e ter mais tempo “livre”, já que existe um padrão previsível de atividades e horários. Isso também dá segurança ao bebê, que saberá o que vai acontecer ao longo do dia e ficará mais confiante.

michele melão selo