Durante o primeiro ano de Catarina, era evidente que algumas semanas eram bem mais difíceis do que outras. Do nada, a pequena começava a acordar com maior frequência, ficava muito irritava e quase me deixava louca! Em um desses períodos, ao procurar informações na internet, eu me deparei pela primeira vez com os conceitos de picos de crescimento e saltos no desenvolvimento, que são o tema do post de hoje da nossa querida consultora de sono Michele Melão. Aproveitem, porque o conteúdo é super interessante!

Lisa Rosario Photography via Compfight cc

Lisa Rosario Photography / Creative Commons

Por Michele Melão

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Existem muitos fatores que podem atrapalhar o sono dos bebês. Cólicas, nascimento dos dentes, gases, a angústia de separação, além dos saltos no desenvolvimento e picos de crescimento. Mas o que são esses dois últimos fatores e como eles interferem no sono dos bebês?

O primeiro ano de vida é marcado por muitas mudanças e grandes aprendizados para os bebês. A cada habilidade adquirida, eles querem treinar o que aprenderam, e isso acontece inclusive no período em que deveriam estar dormindo. Os bebês não aprendem as coisas sistematicamente, dia-a-dia. Eles possuem períodos de muito aprendizado e períodos de desaceleração.

Os saltos no desenvolvimento acontecem quando alguma habilidade específica é conquistada (por exemplo: sentar, mudanças na visão, olfato, na linguagem ou desenvolvimento motor). Muitos bebês que dormiam como anjos passam a acordar de hora em hora, ao passar por essas fases. Apesar de estarem cansados, a cada ciclo de sono eles despertam, com a intenção de colocar em prática o novo feito.  Nesse despertar, é comum que precisem dos pais para voltar a dormir. Além disso, alguns bebês não sabem como lidar com esse novo aprendizado – ficam nervosos, ansiosos (algumas crianças ficam muito choronas, especialmente aos 9 meses).

Além do padrão de sono mudar, nos picos de crescimento o apetite do bebê também se altera. Bebês que logo ficavam satisfeitos parecem insaciáveis. Aqueles que dificilmente acordavam à noite passam a chorar até serem alimentados (visivelmente com fome!). Isso acontece porque eles precisam de uma quantidade maior de alimento para crescer, em um ritmo mais acelerado do que o “normal”.

Todos os bebês passam por estas fases, porém nem todos apresentam diferenças de comportamento. A maioria das famílias percebe uma grande diferença aos 4, 6 e 9 meses (períodos em que é bastante comum as duas fases coincidirem – pico e salto).

E aí surgem as dúvidas: “Será que estamos preparadas? Quanto tempo duram?” Para as mães sortudas, somente alguns dias (3 ou 4); porém isso pode durar até semanas! Tudo o que os pais podem fazer durante esses períodos é respeitar o momento do bebê e ter (ainda mais) paciência, bem como aumentar o oferecimento de leite. Algumas mães passam a acreditar que seu leite não é suficiente para suprir as necessidades dos seus filhos, partindo para alternativas como complementos ou introdução precoce de alimentos sólidos. Na verdade, seu bebê passaria por essa mudança de qualquer maneira e a produção do leite materno aumentará para atender sua fome.

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O que acontece afinal nesse primeiro ano tão cheio de novidades? Veja só:

– No primeiro mês de vida o salto no desenvolvimento fica por conta de mudanças na visão.

– Aos 2 meses os bebês controlam os membros (começam a brincar com os pés e as mãos).

– Com 3 meses os bebês começam a se virar e respondem aos sons. O mundo começa a tomar “forma” e os bebês podem precisar mais dos pais para se sentirem seguros.

– Os 4 meses do seu bebê podem ser bastante desafiadores. O bebê passa a colocar tudo na boca, troca um brinquedo de uma mão para outra, reconhece o próprio nome e começa a aprender como chamar a atenção dos pais. Esta é uma excelente fase para desenvolver bons hábitos de sono. A partir deste período as associações de sono são fixadas e é necessária uma atenção especial nesta fase.

– Aos 6 meses o bebê consegue sentar sem apoio e percebe quando a mãe se afasta. Este salto no desenvolvimento pode ser acompanhado da primeira angústia de separação, onde os bebês podem ficar desesperados se a mãe sai de perto. Além dos bebês adquirirem essa percepção, é uma fase em que muitas mães voltam ao trabalho. Como a fase crítica do desenvolvimento emocional dos bebês ocorre nos primeiros 18 meses, se a mãe tiver que se ausentar, é importante conversar com o bebê, dar bastante carinho para que ele supere este momento de “crise”.

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– Aos 7 meses o bebê descobre que se ele se “jogar” ou engatinhar, conseguirá alcançar os objetos. Momento de preocupação e muita observação para não deixar que eles se machuquem;

– Aos 8 meses os pequenos têm crises de mau humor. Aqui existe uma observação importante: muitos bebês passam nesta fase pela transição de três sonecas por dia para duas. Sendo assim, a rotina da casa precisa ser alterada, o que os deixa ainda mais confusos. Uma dica é observar a última soneca do dia: se o bebê começar a ficar irritado, lutar para não dormir, respeite o momento. Tente colocá-lo para dormir um pouco mais cedo à noite e faça uma adaptação nos horários das sonecas diurnas. Esse período também é muito desafiador porque o salto no desenvolvimento pode acontecer junto com outra crise de ansiedade da separação.

– Com um ano o principal salto no desenvolvimento dos bebês é o andar. Além desta importante mudança, os bebês aprendem a apontar e pedir as coisas, falar “mamá” ou “papá”. É uma boa hora para ensinar que existem limites. O não já pode ser compreendido.

Concluindo: os saltos no desenvolvimento e picos de crescimento são eventos diferentes que podem ou não acontecer na mesma época. O primeiro é ligado ao desenvolvimento do bebê em si, enquanto o segundo se refere à alimentação. As duas coisas podem alterar os padrões de sono do bebê e é sempre importante respeitar e entender o que está acontecendo com seu filho, para criar ou retornar aos bons hábitos de sono, tão necessários à saúde da criança.

 michele melão selo