A regressão de sono dos 8 meses

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Seu filho tem por volta de 8 meses e você está prestes a enlouquecer? Pois comigo aconteceu: nessa fase Catarina quase me deixou louca! Ela acordava de madrugada e ficava horas sem conseguir dormir. Ela chorava de um lado, eu do outro, e o inferno parecia não ter fim.

Mas não é que teve? Passou, sobrevivemos, e aquele bebezinho hoje é uma bela garotinha que ainda resiste muito ao sono (meu diagnóstico: mais energia do que cabe em uma criança só!). Só que na época eu quase joguei a toalha, me sentindo a pior mão do mundo por estar vivendo o caos em casa, sem saber como lidar com ele.

Por isso eu amei esse post da nossa querida consultora de sono, Michele Melão. Nele ela dá dicas para que você passe mais facilmente por essa fase, que pode ser especialmente complicada em algumas famílias. Espero que goste tanto quanto eu gostei!

Por Michele Melão

Seu bebê sempre dormiu bem, acordava para mamar e voltava a dormir rapidamente, fazia as sonecas adequadas e de repente tudo virou de ponta cabeça? Se seu filho tem entre 7 e 9 meses, você precisa ficar preparada, porque ele pode estar passando pela famosa regressão dos 8 meses!

Imagem: 123RF

Quais são os comportamentos mais comuns apresentados dentro desta regressão?

– O bebê passa a rejeitar os sólidos e quer saber de mamar o tempo todo (principalmente os que são alimentados também por leite materno).

– A rotina fica diferente a cada dia. Vira tudo uma bagunça: horário que faz sonecas e que ele aceita a alimentação.

– O bebê nega as sonecas do dia. Vira uma luta fazer com que a criança durma pelo menos 40 minutos.

– O bebê exige muito mais atenção e colo e chora muito quando é contrariado.

– Demostra irritação, nervosismo, insegurança e infelicidade quando está longe da mãe e não aceita outras pessoas com facilidade (mesmo sendo o pai ou avós).

– Tudo se transforma em uma guerra: tomar um remédio, ir para a cadeirinha do carro, se trocar, sentar para comer.

Enfim, é uma transformação TOTAL!

Mas afinal, o que acontece com o bebê nesta fase, para que ele mude tanto? O primeiro ano de vida da criança é recheado de alterações e uma fase de muito desenvolvimento. Estes meses, especialmente, são marcados por algumas mudanças fortes, que podem parecer corriqueiras para os pais, mas que mexem muito com o comportamento dos filhos. Alguns exemplos são a introdução alimentar, o retorno da mãe ao trabalho (e assim o bebê acaba entrando na escola, ou passa a ficar com outra pessoa em casa), a dentição, um desenvolvimento grande na autonomia (engatinhar, se arrastar, andar apoiado) e muitos pequeninos passam ainda pela ansiedade de separação.

Pensando no desenvolvimento do bebê, o que os estudos explicam é que, até os 4 meses, os bebês não se enxergam como separados da mãe. Eles dependem dela para tudo e a dedicação das mães para estas crianças tão pequenas também é praticamente total. A partir de um certo momento, geralmente aos 6 meses, as mães começam a sentir falta da sua “vida”. Querem voltar a cuidar de si mesmas, sair um pouco, conversar com amigas, ler um livro, enfim, fazer coisas que lhes agradavam e que eram corriqueiras antes da maternidade. Isso geralmente acontece ao mesmo tempo em que o bebê adquire mais autonomia para se movimentar, ou seja, não está mais “grudado” o tempo todo. É aí que a angústia de separação se inicia. A criança percebe que ela e a mãe não são a mesma coisa, que são seres separados e que ela pode ficar longe dele algumas vezes. Como não há noção de tempo, o filho pode pensar que nunca mais você vai voltar! “E onde está o meu porto seguro? Meu alimento, meu carinho e acolhimento? Nunca é igual com outras pessoas!:. Esta é a raiz de toda essa transformação. Para quem quer saber mais sobre isso, sugiro ler sobre o processo de separação – individuação, descrido por Margaret Mahler (1897 – 1985), psicanalista de Budapeste.

Para as mães que estão passando por essa fase, aqui vão dicas de como lidar com essa situação (a parte mais importante do nosso post de hoje!).

– Ajuste suas expectativas e não se culpe! Não é porque o filho da sua amiga não passou por isso, que há algo errado com a sua forma de cuidar do seu bebê. Lembre-se de que cada criança é única e não é culpa sua se o seu filho é mais sensível e tem esse comportamento mais exigente. A grande maioria dos bebês passa, sim, por essa regressão, em graus diferentes, mas passa!

– Tente manter a rotina o quanto conseguir – horário das refeições e sonecas. Assim o seu dia ficará menos tumultuado.

– Se seu filho negar a soneca, tente ter pelo menos um momento de descanso, deitada com ele, para baixar o nível de energia.

– Mantenha a calma, porque essa fase não é marcada por birra ou manha da criança. Ele realmente pode estar bastante angustiado.

– Não mude muitas coisas ao mesmo tempo. Por exemplo: se você tiver que voltar ao trabalho, faça uma programação para adaptar seu filho na escola ou com um cuidador pelo menos 2 semanas antes do seu retorno.

– Respeite seus limites e peça ajuda! Apesar de difícil, seu filho vai aceitar ficar alguns momentos com outras pessoas. Você precisa estar bem para enfrentar esta fase e precisará de momentos de sossego.

– Se seu filho está chorando muito, descarte problemas de saúde e certifique-se de que ele está com suas necessidades de alimentação supridas.

– No sono, tente alternativas como fazer a soneca com seu filho, ficar com ele no quarto até adormecer, atenda rapidamente se ele chorar. Se você não conseguir avançar em algum processo de dormir sozinho, pelo menos mantenha-se no lugar onde está. Tente não retroceder, fazendo coisas como desmame precoce ou mesmo cama compartilhada –  isso não irá funcionar depois que toda essa tempestade passar.

A regressão pode durar até 6 semanas, mas geralmente melhora bastante em 4 semanas. Então mesmo que exausta, tenha em mente que vai passar!


 



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