A doce hora de dormir

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O tempo passa, e tudo muda. A maternidade me trouxe algumas certezas, e essa é uma delas. Quem diria que hoje eu estaria escrevendo um post como esse? Bem eu, que sofri anos com o momento de colocar Catarina para dormir? Pois é, os pequenos crescem, e nos trazem gratas surpresas.

Há alguns anos, esse era justamente o instante do dia que eu mais temia. Eu sabia o quanto era importante que Cacá dormisse, para que tivesse um bom desenvolvimento. Eu estudei o ciclo do sono dos bebês, mil maneiras de esticar as sonecas, de melhorar o sono noturno, mas nada parecia funcionar aqui em casa. Eu insistia em colocar a filhota no berço, e ela chorava, chorava, chorava, como se eu estivesse deitando-a numa cama de pregos! Haja paciência, braços para ninar, e nervos de aço, para suportar o choro interminável, que se repetia na nossa rotina.

Imagem: 123RF

Eu não sei precisar quando, mas as coisas começaram a mudar. Catarina começou a ficar mais cansada, eu comecei a permitir que ela fosse dormir mais tarde (como ela também não acordava cedo, isso regulou a quantidade de horas que ela dormia diariamente, e os problemas de sono melhoraram sensivelmente), ela começou a falar, explicando que nem sempre estava pronta para dormir. O choro deu lugar a conversas, e com o tempo ela se tornou uma menininha curiosa, que fazia mil perguntas sobre o mundo, até que o sono chegasse.

Não era mais preciso ficar com os braços doloridos, tentando balança-la de um lado para o outro. Bastava deitar ao seu lado, e fazer um carinho em suas costas, ou um cafuné, e sentir o cheirinho do seu cabelo até que ela agarrasse no sono. Se Cacá já não me pedia mais colo e corria solta por todos os cantos, eram esses os momentos que eu tinha para te-la bem pertinho de mim, debaixo das minhas asas.

Ainda hoje eu fico ao seu lado, até que ela durma (a não ser que ela me chame de madrugada – o que ainda acontece quase todos os dias – aí vou até lá, vejo se está tudo bem e peço que ela volte a dormir). E se me perguntarem se não acho isso ruim, se não preferia apenas jogar um beijo de longe e fechar a porta, eu responderia que não. Não, não mesmo! Porque a hora de ir para a cama se tornou o momento mais doce do dia: de carinhos, de conversas, de confidências. De falar sobre os amigos da escola, sobre a saudade da casa antiga, da animação de ver a nova casa tomando forma, da vontade de encontrar o primo, de falar sobre o filme que ela assistiu e gostou tanto.

De vez em quando Cacá me pede que eu lhe conte um segredo, e me conta também algo só seu, que passa a ser nosso. É tão lindo ver que ela me considera uma grande amiga, alguém com quem ela gosta de dividir os detalhes da sua vida. Que essa fase dure mil anos! Porque quando passar (pois isso também, infelizmente, passará), deixará um buraquinho, lá no fundo do meu coração.




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