Ser mãe e a difícil decisão de trabalhar fora (ou não)

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Depois do nascimento de um filho, de passar os primeiros meses ao seu lado, nutrindo-o e sentindo o maior amor do mundo, é inevitável se perguntar se você deveria ou não deixar sua carreira profissional para se dedicar totalmente ao bebê. Conheço mulheres que tomaram essa decisão e são extremamente felizes (e não vejo qualquer problema nisso, muito pelo contrário – fico contente que existam mães que possam e que queiram abdicar de um emprego por uma tarefa de vital importância: o desenvolvimento de um filho). E conheço tantas outras que, após o fim da licença maternidade, voltaram ao trabalho. Algumas com sentimento de culpa (mas que, por uma situação de extrema necessidade, não tiveram outra opção) e outras que tomaram essa decisão simplesmente porque se realizam dessa forma (e é nessa categoria que eu me incluo; embora vez ou outra, tenha me sentido culpada por não dedicar 100% do meu tempo a minha filha).

Fazendo uma análise dessa questão, acabei chegando a uma conclusão, que gostaria de dividir com vocês. Existiriam dois fatores que influenciam de maneira profunda a escolha de uma mãe sobre sua carreira: 1) o exemplo de sua própria mãe e 2) o meio em que ela está inserida (não, eu não sou psicóloga, e essa minha teoria despretensiosa é fundamentada apenas na observação das muitas mães que conheço). Das mulheres que conheço e que deixaram a carreira após o nascimento dos filhos, as mais felizes são aquelas cujas mães não trabalhavam fora também (claro que existem exceções, mas na maioria das vezes é exatamente assim). Provavelmente porque vivenciaram esse modelo quando pequenas e reconhecem que essa é a melhor maneira de criar os filhos. Por outro lado, mães que são filhas de mulheres que nunca deixaram a vida profissional, acabam também por não deixar seus empregos (porque se orgulham de suas mães independentes e acreditam que é possível conciliar maternidade e trabalho).

Mas não é só o exemplo da mãe que interfere, não (positivo ou negativo; porque há também aqueles casos em que se quer fazer tudo diferente, por se considerar que o caminho escolhido por ela não foi o melhor). Quer ver? Deixar a carreira profissional quando se é rodeada por amigas que valorizam o trabalho é mais difícil do que quando seu meio de convivência é repleto de mulheres que não trabalham fora. E o contrário também é verdade: tornar-se mãe e não abandonar o trabalho é quase uma heresia quando as outras mães com quem você convive fizeram isso (no mínimo, você vai ser taxada de egoísta e sem coração). E por que estou falando sobre isso? Para tentar mostrar que cada mãe é uma mãe, vive um contexto diferente e que só ela pode saber qual é a melhor decisão para sua vida. E mais: que precisamos ter coragem de assumir as rédeas de nossas vidas, deixando a pressão social que fala aos nossos ouvidos.

Eu tenho certeza de que algumas mães devem estar se perguntando nesse exato momento: “quer dizer que você acha que uma mãe tem direito de seguir sua vida profissional do jeito que for, sem se perguntar se seu filho precisa de sua presença?”. É claro que não! Na minha (humilde) opinião, escolher ser mãe é decidir abrir mão de muitas coisas por um filho – até mesmo de sua carreira, se necessário. Quer continuar a trabalhar fora? Ótimo (aliás, essa foi exatamente minha decisão)! Agora, continuar em um emprego em que você sai de casa antes de seu filho acordar e retorna depois que ele já dormiu, sem necessidade premente (leia-se: sem outro meio de colocar comida na mesa e ter um teto para morar), é de dar dor no coração. Por essas e outras que eu admiro mulheres que decidiram não ter filhos: faz muito mais sentido do que colocar um no mundo e terceirizar a função materna.

Outra questão complicada: é justo que a mãe tenha que abdicar de sua carreira e que ninguém espere o mesmo do pai, em pleno século XXI? Pois é, não é, não. Tanto não é que em diversos países europeus, muito menos machistas, a licença após o nascimento dos filhos pode ser compartilhada entre pai e mãe (além de ser muito mais longa, por um motivo óbvio – essas sociedades já perceberam que isso não é desperdício de dinheiro, e sim um investimento para que se tenha uma sociedade mais evoluída! Uma criança cuidada por seu pai e sua mãe certamente será um cidadão muito melhor!).

Mas o que fazer quando não se quer deixar de trabalhar fora, ainda se está longe de ter uma participação masculina mais intensa no cuidado com os filhos e não se quer sacrificar a criança (que é a última que deveria pagar o pato em todo esse conflito?). O que acaba acontecendo é que a mulher se vira nos 30 para equilibrar os pratos dessa balança. E é por isso que o número de mulheres empreendedoras, que trabalham em casa, cresce a cada dia.

Se você está vivendo esse dilema, desejo que tome a melhor decisão. E que se lembre de que sempre é hora de mudar. Se voltou ao trabalho e se arrependeu, refaça as contas e analise se não é possível viver uma vida mais simples por alguns anos, enquanto sua presença é fundamental para o crescimento das crianças. Se desistiu da carreira e está infeliz, arranje alguma função que possa conciliar com o papel de mãe. Estar tranquila com as próprias escolhas é o primeiro passo para se tornar a mãe que você deseja ser.




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Comentários (5)

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  1. lidy disse:

    Nívea, passei por esse dilema. Quando o Rafa fez 5 meses,voltei ao trabalho, confesso que chorei muito nos primeiros dias, mas depois tudo se encaixou,ele fica com a avó , e é super bem cuidado por ela, o que me deixa mais tranquila. Hoje ele tem 1 ano e 2 meses e eu sinto que fiz a escolha certa.
    Me identifico muito com suas postagens. Beijos.

  2. Eu como vc sou uma empreendedora, antes de ser mãe sou arquiteta, trabalho desde os 16 anos e sou muito agitada para me dedicar exclusivamente ao meu filho, acho q encontrei um ponto de equilibrio. Fico com meu filho de manhã, faço natação com ele, o acordo e cuido, o levo para almoçar na escola e vou trabalhar meio período. Adoro minha vida e acho q estou conseguindo acompanhar todas as etapas do meu filho sem culpas, não imaginei q ia diminuir tanto, nem q iria mudar meu foco profissional para tentar ganhar mais e trabalhar menos, arriscamos com incentivo do meu marido e estamos no caminho certo. é muito bom esse incentivo para as mães, somos uma geração nova, com internet, dinamica, teremos outra forma de criar nossos filhos, a geração Alpha…

  3. Caroline Sanchez disse:

    Perfeita a sua colocação Vivi! bjs

  4. Chiara disse:

    Boa Tarde
    Nivea não sou mãe mais adoro seu blog, já estou quase no fim, é uma leitura leve e ao mesmo tempo engraçada, cheia de bom humor. Acabei de ler o texto “Ser mãe e a difícil decisão de trabalhar fora (ou não)”, e adorei a frase “Por essas e outras que eu admiro mulheres que decidiram não ter filhos: faz muito mais sentido do que colocar um no mundo e terceirizar a função materna”, ninguém entende a mim e ao meu esposo quando falamos que não queremos filhos, todo mundo se espanta, nos recrimina, dizem que somos egoístas pois estamos muitos tempo juntos (quase 8 anos) e nada de filhos, mais na verdade eu adoro a minha vida, minha liberdade de ir e vim, acordar tarde, enfim toda a liberdade de quem não tem filhos. Parabéns pelo blog.

    • Nívea Salgado disse:

      Oi, Chiara,

      Que delícia receber sua mensagem. Nunca imaginei que meus textos seriam de interesse de alguém que decidiu não ser mãe, e fiquei muito feliz em saber que você os curte.

      Com todo o meu coração, eu tenho certeza de que você está certa em manter sua decisão, se é o que te faz feliz. A maternidade é linda, uma benção, como também é uma vida sem filhos, não é mesmo? O que muda é apenas o caminho que escolhemos para fazer o bem aqui nesse planeta 🙂

      Desejo tudo de melhor para você!

      Grande beijo,

      Nívea

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