Recentemente uma leitora me escreveu com uma grande preocupação: seu bebê de poucos dias estava com os olhos vermelhos, com uma secreção purulenta. Claro que a mãe havia percebido que havia algo errado, mas não sabia o que fazer. Depois que recomendei que ela levasse seu bebê ao médico o mais rápido possível, ela me retornou dizendo que ele teve o diagnostico de “conjuntivite neonatal” e que, felizmente, com o tratamento certo, já apresentava melhoras.

recém-nascido

recém-nascido. Foto: Freepik

Vendo a importância do tratamento imediato do problema, resolvi fazer esse post sobre a conjuntivite em recém-nascidos. Porque, em primeiro lugar, é possível prevenir a maioria dos casos com um bom pré-natal e com o uso de colírio específico na primeira hora após o parto.

E em segundo porque é fundamental para todas as mães (e pais!) saber reconhecer os sinais, para que busquem tratamento antes que alguma possível sequela se estabeleça. Vem saber um pouco mais sobre o assunto:

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O que é conjuntivite neonatal?

A conjuntivite neonatal é um olho vermelho em um recém-nascido causado por infecção, irritação ou bloqueio do canal lacrimal. Quando causada por uma infecção, a conjuntivite neonatal pode ser muito séria.

É a conjuntivite que pode ocorrer já nos primeiros dias de vida até o fim do primeiro mês do recém-nascido.

Nem todas as conjuntivites neonatais são infecciosas, ou seja, causadas por bactérias ou vírus. Mas, de qualquer forma, converse com o pediatra do seu filho, caso note algum sinal.

pai segurando o recém nascido nos braços

pai segurando o recém nascido nos braços. Foto: Freepik

Quais são os sinais da conjuntivite neonatal?

Eles variam um pouco, dependendo do fator causador do problema. Uma das conjuntivites mais conhecidas e que, felizmente, se resolve sozinha, é a irritativa – causada pelo colírio de nitrato de prata, que é aplicado na primeira hora de vida do bebê. No entanto, ela surge nos primeiros três dias de vida do bebê e some espontaneamente. Com os colírios atuais, é cada vez mais raro ocorrer.

Um outro tipo de conjuntivite neonatal é provocado pela bactéria que causa clamídia, a doença sexualmente transmissível mais comum em todo o mundo. No entanto, ela surge em geral entre o 5º e o 12º dias de vida, e causa vermelhidão nos olhos do bebê, secreção, inchaço nas pálpebras e na conjuntiva (branco do olho).

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Infelizmente o colírio de nitrato de prata não é muito eficiente em sua prevenção – por isso, toda gestante deve fazer o teste para saber se apresenta essa bactéria e, em caso positivo, fazer o tratamento com antibióticos ainda durante a gestação. Se não tratada, a bactéria da clamídia pode ser transmitida da mãe para o bebê no momento em que ele passa pelo canal vaginal, causando conjuntivite e até mesmo pneumonia.

gestante fazendo tratamento

gestante fazendo tratamento. Foto: Freepik

O tipo mais grave de conjuntivite no recém-nascido é causado por uma outra bactéria, a da gonorreia. Ela aparece em geral entre o 2º e o 4º dias de vida do bebê, e traz os mesmos sinais daquela causada pela bactéria da clamídia, só que mais intensos.

A saída de pus dos olhinhos é intensa, assim como o inchaço dos olhos e a vermelhidão. Se não tratada, pode levar até à cegueira do bebê (por isso, em caso de suspeita, corra para o médico!). O colírio de nitrato de prata é eficaz contra ela, por isso sua aplicação logo após o parto é importantíssima.

Como é possível prevenir a conjuntivite no recém-nascido?

Com um bom pré-natal e o uso de colírio de nitrato de prata logo após o nascimento do bebê. Se ainda durante a gestação for detectada a presença de bactérias causadoras da clamídia e da gonorreia, é possível o tratamento com antibióticos, sem que o bebê seja afetado.

Há ainda a possibilidade do bebê adquirir uma conjuntivite viral, por contato com pessoas de seu convívio que estejam doentes. Para evitá-la, mantenha as pessoas infectadas longe do bebê e lave sempre as mãos antes de pegar o pequeno. Embora deixe o bebê irritado, esse tipo costuma desaparecer naturalmente após uma semana.

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O que fazer se meu bebê estiver com conjuntivite?

A primeira coisa a fazer é falar com o pediatra, que dará as orientações de como proceder com seu filhote. No caso de conjuntivites bacterianas, é necessário o uso de antibióticos, que deverão ser prescritos pelo médico.

bebê com conjuntivite

bebê com conjuntivite. Foto: Freepik

De qualquer forma, mantenha o bebê isolado de outras crianças, como os irmãos, e troque sua roupa de cama e toalha diariamente. Mantenha os olhinhos limpos de secreção usando gaze estéril embebida em soro fisiológico, usando sempre uma para cada olho. Ou seja, faça o movimento de limpeza de dentro para fora, ou seja, do cantinho do olho em direção à orelha.

E, por fim, mantenha a medicação até a data recomendada pelo médico. Não pare antes mesmo que a conjuntivite aparentemente tenha melhorado, para que não haja uma piora do caso.

Os fatores gerais importantes na gestão incluem:

  • Evite a contaminação cruzada (realize lavagem frequente das mãos e uso de luvas);
  • Irrigar o olho com solução salina isotônica estéril;
  • O tratamento sistêmico é necessário para estafilococos, gonococos, clamídia, Pseudomonas e conjuntivite herpética;
  • Evite tapa-olhos;
  • Considere a consulta de doenças infecciosas pediátricas e / ou oftalmologia pediátrica;
  • A conjuntivite química geralmente desaparece em 24 a 72 horas e pode ser ajudada com lubrificação e lágrimas artificiais.

Melhorando os resultados da equipe de saúde

A conjuntivite neonatal não é um problema incomum observado após o parto. Quando ocorre, o distúrbio é mais bem tratado por uma equipe interprofissional que inclui um neonatologista, consulta de doenças infecciosas, oftalmologista, pediatra, farmacêutico e enfermeiro.

Recém-nascido sendo avaliado por um médico

Recém-nascido sendo avaliado por um médico. Foto: Freepik

Existem muitas causas para as conjuntividades neonatais. A oftalmia neonatorum (conjuntivite neonatal) se apresenta durante as primeiras quatro semanas de vida com secreção ocular e hiperemia e geralmente é uma infecção adquirida durante o parto. Se não for tratada, pode levar a complicações (ulceração e perfuração da córnea, cegueira, pneumonia por clamídia).

Em casos graves, deve-se iniciar o tratamento sem esperar pelos resultados da cultura. A enfermagem neonatal provavelmente será a primeira a encontrar essa condição. Eles também serão responsáveis ​​pelo monitoramento assim que a terapia for iniciada.

Portanto, o tratamento empírico deve ser iniciado logo após o envio da cultura e reduzido gradualmente assim que os resultados finais estiverem de volta. Os resultados para a maioria dos neonatos com conjuntivite são bons, particularmente com intervenção e monitoramento interprofissional.