Quando criança, eu adorava sentar com minha mãe para ver as fotos dos meus primeiros anos de vida. Ficava olhando para aquele bebezinho das imagens, procurando algum traço parecido no rosto, tentando me lembrar de algum fato que o tempo já havia apagado. Eu achava muito curioso o jeito como abraçava um certo menininho: bem forte, com os rostinhos grudados. Deveria ter dois, no máximo, três anos de idade; e minha mãe insistia em dizer que aquele havia sido meu primeiro amor.

Imagem: Flickr - Creative Commons

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O fato é que eu achava essa história de primeiro amor, em uma criança tão nova, uma grande bobagem. Aliás, até hoje não gosto de ouvir adultos incentivando a antiga ideia de “namoradinhos” entre os pequeninos. Namoro é coisa de gente grande, não de gente pequena. Infância é época de brincar, de sonhar, de fazer amigos, de estabelecer as bases para, finalmente um dia, crescer. Aqui em casa eu prefiro não estimular qualquer hábito que faça minha Catarina pular etapas, pois ela terá o resto da vida para ser adulta.

Mas eis que, sem incentivo algum, sem brincadeiras ou televisão que pudessem ser a causa do comportamento, minha filha desenvolveu uma ternura toda especial pelo vizinho da porta ao lado. Sim, Pedro é um menino especial: bonito, inteligente, atencioso e três anos mais velho do que ela. Desde quando ela era um bebezinho, ele tinha toda a paciência do mundo para brincar, respeitando os limites de seu desenvolvimento. E fazia micagens, que arrancavam da filhotinha algumas das gargalhadas mais gostosas que a ouvi dar. Certo dia, quando estávamos todos aqui em casa, Catarina olhou no fundo dos olhos do amigo e disse: “eu te amo”. Achei a coisa mais linda, apesar do ligeiro choque que meu coração sentiu.

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Hoje eu entendo o que minha mãe quis dizer com primeiro amor. É um sentimento de afinidade, de bem-querer e de admiração. Tão simples, tão puro. Felizes os que na vida adulta encontram amores como esse primeiro.

(Marido, o post de hoje é para você)