Quando a gente se descobre mãe: os medos e as alegrias!

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Você se lembra dos primeiros meses do seu bebê? Dos sentimentos tão conflitantes que essa fase gerou em você? Um misto de alegria, medo, supresa, e até uma saudade da vida que tinha antes. É sobre tudo isso que a Flávia Girardi, autora do blog Cartas para Alice (veja e siga aqui), fala no post de hoje, aqui no nosso blog. Um texto lindo, sensível, e que irá te emocionar, tenho certeza! Vem conferir!

Por Flávia Girardi

Pode parecer clichê, mas o tempo tem passado muito depressa por aqui, e lá se foram os primeiros cinco meses do meu bebê. Sabe que ainda agora, olhando para a carinha mais linda e o sorriso mais banguela do mundo, eu ainda não acredito que tenho uma filhinha! Que se passaram os nove meses de gestação, a tão custosa saída da maternidade, quando a gente se descobre mãe.

E agora? Como cuidar de um serzinho tão indefeso se, às vezes, nem ao menos sabemos como cuidar de nós mesmos? Os primeiros dias de dor nos seios, de privação de sono, de medo, muito medo… Medo de o bebê engasgar, de ser picado pelo mosquito da dengue, de receber visitas e pegar resfriado, de ficar assado… E isso tudo aliado ao nosso cansaço – porque como cansa se doar!

Imagem: 123RF

Sem contar a eterna incerteza se estamos fazendo certo. Aí começa a fase das cólicas, da dor de não poder tirar a dor. As horas intermináveis de choro, quando você nem senta, nem come, nem faz xixi, tendo a impressão de que, no seu colo, e só ali, as coisas vão ficar mais seguras (e, quem sabe, você possa amenizar aquele sofrimento). E junto a isso, mais uma vez o cansaço. A saudade de um momentinho só seu, de um banho quentinho, de comer com as duas mãos (sem ter que segurar o bebê com a outra), de ver TV de pijama, de preparar uma janta gostosa pro seu marido, do SONO! Ah, o cochilo do domingo à tarde! E SIM, a saudade de ter sua vida de volta.

E vem também a culpa por todos esses sentimentos virem à tona. Por se achar ingrata de ter em seus braços a maior benção do mundo e ainda se ocupar do seu próprio egoísmo e da sua vontade de não pensar em mais nada – nem de ter hora para acordar! Como era bom dormir até às 10h em um sábado chuvoso! Aí você torce para que os três meses passem logo, as vacinas estejam tomadas, o bebê fique mais fortinho, você mais segura – e menos feia! Você torce para sair um pouco de casa e se sente mal por querer ver o tempo passar. Porque quando você olha ou carrega aquele serzinho no colo, você deseja arduamente que o tempo pare. Porque o que te basta no mundo está ali, do seu lado.

É uma ambiguidade sem fim. Agora com quatro para cinco meses, a Alice começou a despertar para o mundo. Pegar as coisas, virar a cabecinha para olhar quem fala, segurar os pezinhos… Começou a gargalhar e a soluçar a cada gargalhada, mas veio também a irritação por não conseguir levantar (faz uma força danada com o tronco, já se achando moça), se distrai um segundo com cada brinquedo até começar a brigar com eles por não conseguir enfiá-los todos na boca. E tem dormido menos e pior. Ela que sempre dormiu bem, tem acordado mais vezes de noite, e durante o dia, com sonecas curtas, tem ficado mais agitada e chorosa. Às vezes tenho a sensação de que passo o dia todo tentando – e muitas vezes sem sucesso – fazê-la dormir. E quando a coloco no berço e ela acorda, me pergunto se estou fazendo algo errado.

É que, de fato, é uma responsabilidade em tanto cuidar de alguém. Qualquer falha nossa pode ter um impacto naquela vidinha. E essa tarefa tem um peso que dá um receio da gente não aguentar. Mas aí, mais uma vez, vem aquele olhar que te segue, aquele sorriso que se abre só para você. Todas as suas brincadeiras são engraçadas e você se sente a pessoa mais importante do mundo. Então você pensa que seu sono não é nada. Que daqui a algum tempo – e como me dói pensar nisso! – seu bebê já vai ser grande e não vai precisar mais do seu colo, nem sua presença vai ser a coisa mais importante do mundo para ele. Virão os amigos, trabalho, namorado e por fim, a sua casa, seus filhos… Porque assim é a vida. Mas antes que essa saudade (SIM, sou capaz de sentir saudades de pessoas que estão do meu lado e de fatos que se passam neste instante) me deixe esvair em lágrimas, vou me preparar para mais uma noite em claro e um sorriso ainda mais claro, puro e lindo que vou receber amanhã pela manhã.






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