Por que eu acredito na medicina antroposófica (mesmo não sendo adepta dela)

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Eu pensei mil vezes antes de escrever esse post, porque imagino que o potencial de gerar polêmica que ele tem é grande. Mas sabem quando uma ideia entra na sua cabeça e resolve não sair mais? Pois foi exatamente o que aconteceu depois que tive uma conversa sobre medicina antroposófica com a mãe de um coleguinha da Catarina. Para mim, esse papo foi tão esclarecedor, que na hora eu tive vontade de compartilhar minhas impressões com vocês. Espero que vocês compreendam: às mães que utilizam essa linha de tratamento em seus filhos, que permitam uma análise externa (que deve ser superficial, justamente por eu não seguir essa filosofia médica em minha casa); e às mães que sempre utilizaram alopatia, como eu, que me deem espaço para mostrar outras possibilidades, por mais duvidosas que elas lhe pareçam hoje.

medicina antroposofica

Para quem não sabe, a medicina antroposófica é uma filosofia médica que enxerga o paciente de maneira ampliada, considerando os sinais e sintomas apresentados, mas também sua relação com o processo de vida do indivíduo, seu lado emocional, seus hábitos… Em geral, os médicos antroposóficos utilizam nos tratamentos substâncias com origem na natureza, fitoterápicos, manipulações de forma semelhante à Homeopatia e alguns próprios da farmácia antroposófica; mas também não excluem o uso da alopatia (medicamentos convencionais), em algumas situações.

Sobre os medicamentos que a medicina antroposófica utiliza, eu prefiro simplesmente não opinar. O máximo que poderia dizer é que a homeopatia não melhorou o quadro de asma de Catarina (o que resolveu, de fato, foi o controle com alopatia, que mudou nossa vida para muito melhor), e que, ao mesmo tempo, minha infância foi permeada por remédios naturais (misturas de alho, mel, ervas, etc) – receitas antigas, fruto de um conhecimento que era passado de geração para geração e que realmente funcionavam – mas que têm se perdido atualmente, em meio a tantas opções oferecidas pela indústria farmacêutica.

Mas se não vou falar de remédios, como dizer então que acredito na medicina antroposófica? Porque, pela conversa que tive, percebi que essa forma de se tratar uma pessoa vai muito além disso! Quando essa mãe me disse que seu filho tinha ficado doente um ano inteiro (o primeiro de escola, que nós, mães, conhecemos bem: com resfriados, viroses e infecções de garganta sem fim), mas que não havia utilizado antibiótico sequer uma vez, eu entendi bem o porquê:

– Porque o tratamento antroposófico exige cuidados constantes: nas fases em que seu filho estava mais doentinho, essa mãe me contou que precisava dar a ele remédios de hora em hora, lavar seu nariz quase vinte vezes por dia (segundo suas palavras: “comprometimento total com o tratamento”). E o que isso significa? Que com todos esses cuidados, ela impedia o acúmulo de secreções que poderiam resultar em uma sinusite, otite ou pneumonia. Enquanto que, muitas vezes, quem segue a linha da alopatia simplesmente aguarda, e se piorar, toma um medicamento.

– Porque com a atenção que o tratamento antroposófico pede, é possível identificar os problemas no início, e prevenir tantos outros: quando é preciso parar a cada hora, ou duas horas, para seguir algum passo do tratamento com um filho, por exemplo, você faz algo importantíssimo – larga o que está fazendo e presta atenção! Você tem a oportunidade de perceber se ele não está bem, se algo está provocando a piora da saúde, se existe alguma relação entre o que ele comeu e uma alergia, ou dor de barriga…  E, cá entre nós, o que mais temos feito nessa vida atual é correr, e só perceber que há algum problema quando o”estrago” já aconteceu.

– Porque às vezes (vejam bem, às vezes!) é só uma questão de esperar: quando nosso corpo está doente, significa que um desequilíbrio aconteceu – seja porque uma bactéria, vírus ou outro agente infeccioso “tomou conta” do pedaço, porque sobrecarregamos um determinado órgão que não está conseguindo funcionar como deveria, e por aí vai. E nosso próprio organismo tem mecanismos para tentar trazer de volta a situação de normalidade – algumas células, por exemplo, são especializadas em capturar invasores. Então pode ser que uma infecção possa ser controlada sem um antibiótico convencional? Dependendo do caso, sim – nem que isso demore mais para acontecer. Assim como pode acontecer o contrário: o desequilíbrio está tão grande, que o melhor a fazer é partir para a alopatia e não deixar a situação piorar.

Enfim, o que quero dizer com esse post é que, mesmo que você não siga a linha antroposófica, esses elementos podem ser incorporados na manutenção da saúde da sua família. Lembrando que, em relação a esses aspectos, existem muitos médicos alopatas que agem da mesma forma – esperando para dar determinada medicação apenas quando ela é realmente necessária e ensinando aos pais o valor da atenção, do cuidado constante e do reconhecimento de sinais importantes em relação à própria saúde e à do filho.




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Comentários (5)

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  1. Priscila disse:

    Bom, não conheço a medicina Antroposofica, mas do jeito que foi colocado, é como a medicina deveria realmente ser. Avaliar o individuo como um todo, instituir um tratamento considerando todo o histórico de vida do indivíduo, orientações de manejo, entrar com o medicamento, natural ou não, mais adequado e o uso de antibióticos apenas quando é necessário é como a medicina deveria ser aplicada por todos os médicos! O que deve ser avaliado é como o médico aplica a medicina, mais do que o tipo de medicina alopata ou não, antroposófica ou não, homeopata ou não…

  2. Regiane disse:

    Olá vi o post e me interessei bastante
    atualmente moro no RJ e aqui bem dificil e encontrar um bom pediatra…por enquanto venho mantendo o pediatra em SP…..mas gostaria e mto de uma indicação desse profissional mencionado no post. .. se tiver.em sp ou até mesmo no RJ agradeço
    grata

  3. Tatiana disse:

    Adorei o post e concordo que essa abordagem independe de linha, mas sim de partir do princípio da observação e prevenção. Acho, na verdade, que cabe a nós, pais, irmos apurando esse sentido, conhecendo nossos filhos e observando, pois assim aprendemos como ele reage diante de certas situações e podemos prevenir ou evitar que uma doença se agrave.
    Hoje eu já entro com medidas preventivas quando vejo que minha filha está com o nariz escorrendo, por exemplo, e tem funcionado: lavo o nariz, dou mel, reforço os alimentos probióticos (iogurte, por ex), mais líquido, às vezes dou um fitoterápico… enfim, medidas que podem ajudar a evitar uma complicação. E, olha, funciona!
    O que eu acho que acontece muito atualmente é uma corrida desnecessária a hospitais e emergências a qualquer sinal de febre ou dor de barriga… Daí o médico que atende não conhece a criança e vai medicar o sintoma e, muitas vezes, ainda seria possível esperar. Óbvio que quando é algo mais sério, temos logo que buscar atendimento ou quando é algo mais persistente, mas deveria ser exceção e não regra. Conheço mães que vão ao hospital numa frequencia absurda, expõem a criança a exames, raio x, muitas vezes para sair do hospital com receita para fazer nebulização com soro e lavar o nariz!
    Então, para resumir, acho que observar o seu filho e ver como reage, o que faz bem e o que faz mal, como evoluem os resfriados e gripes, além de vacinar, alimentar de forma saudável e ficar muito atento são algumas medidas eficazes e que devem fazer parte do nosso dia a dia.

  4. Mariana Romanowski disse:

    Nívea, que post interessante!
    Eu sou médica alopata, mas fiz uma pós em Medicina Antroposófica há 2 anos. Nunca prescrevi medicação antroposófica, mas realmente me convenci da importância dos aspectos psicoenergéticos na geração de qualquer doença – até as infecciosas!
    Trato meus filhos com homeopatia sempre… Ou melhor, quase sempre! Optei pelo caminho do meio, e, nas únicas duas vezes que precisei usar alopatia, percebi o quanto ela é importante quando algo sai do controle.
    Então, concordo em número o grau com suas palavras – a medicina antroposófica é linda! Quem sabe porque carregue uma parte da verdade nela!
    Um beijo!

    • Nívea Salgado disse:

      Oi, Mariana,

      Jura que você fez pós nessa área? Nossa, vou quero muito tomar um café com você qualquer dia desses e bater um longo papo sobre isso!

      Muito bacana o relato da sua experiência – está super convidada para falar sobre homeopatia no blog qualquer dia desses (eu sei que o tempo é escasso, mas fica o convite!).

      Grande beijo,

      Nívea

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