Conjuntivite neonatal: saiba o que é, como prevenir e tratar

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Recentemente uma leitora me escreveu com uma grande preocupação: seu bebê de poucos dias estava com os olhos vermelhos, com uma secreção purulenta. Claro que a mãe havia percebido que havia algo errado, mas não sabia o que fazer. Depois que recomendei que ela levasse seu bebê ao médico o mais rápido possível, ela me retornou dizendo que ele havia sido diagnosticado com conjuntivite neonatal e que, felizmente, com o tratamento certo, já apresentava melhoras.

conjuntivite

Vendo a importância do tratamento imediato do problema, resolvi fazer esse post sobre a conjuntivite em recém-nascidos Porque, em primeiro lugar, é possível prevenir a maioria dos casos com um bom pré-natal e com o uso de colírio específico na primeira hora após o parto. E em segundo porque é fundamental para todas as mães (e pais!) saber reconhecer os sinais, para que busquem tratamento antes que alguma possível sequela se estabeleça. Vem saber um pouco mais sobre o assunto:

O que é conjuntivite neonatal?

É a conjuntivite que pode ocorrer já nos primeiros dias de vida até o fim do primeiro mês do recém-nascido Nem todas as conjuntivites neonatais são infecciosas, ou seja, causadas por bactérias ou vírus. Mas, de qualquer forma, é importante conversar com o pediatra do seu filho, caso note algum sinal.

Quais são os sinais da conjuntivite neonatal?

Eles variam um pouco, dependendo do fator causador do problema. Uma das conjuntivites mais conhecidas e que, felizmente, se resolve sozinha, é a irritativa – causada pelo colírio de nitrato de prata, que é aplicado na primeira hora de vida do bebê. Ela surge nos primeiros três dias de vida do bebê e some espontaneamente. Com os colírios atuais, é cada vez mais rara sua ocorrência.

Um outro tipo de conjuntivite neonatal é provocado pela bactéria que causa clamídia, a doença sexualmente transmissível mais comum em todo o mundo. Ela surge em geral entre o 5º e o 12º dias de vida, e causa vermelhidão nos olhos do bebê, secreção, inchaço nas pálpebras e na conjuntiva (branco do olho). Infelizmente o colírio de nitrato de prata não é muito eficiente em sua prevenção – por isso, toda gestante deve fazer o teste para saber se apresenta essa bactéria e, em caso positivo, fazer o tratamento com antibióticos ainda durante a gestação. Se não tratada, a bactéria da clamídia pode ser transmitida da mãe para o bebê no momento em que ele passa pelo canal vaginal, causando conjuntivite e até mesmo pneumonia.

O tipo mais grave de conjuntivite no recém-nascido é causado por uma outra bactéria, a da gonorreia. Ela aparece em geral entre o 2º e o 4º dias de vida do bebê, e traz os mesmos sinais daquela causada pela bactéria da clamídia, só que mais intensos. A saída de pus dos olhinhos é intensa, assim como o inchaço dos olhos e a vermelhidão. Se não tratada, pode levar até à cegueira do bebê (por isso, em caso de suspeita, corra para o médico!). O colírio de nitrato de prata é eficaz contra ela, por isso sua aplicação logo após o parto é importantíssima.

Como é possível prevenir a conjuntivite no recém-nascido?

Com um bom pré-natal e o uso de colírio de nitrato de prata logo após o nascimento do bebê. Se ainda durante a gestação for detectada a presença de bactérias causadoras da clamídia e da gonorreia, é possível o tratamento com antibióticos, sem que o bebê seja afetado.

Há ainda a possibilidade do bebê adquirir uma conjuntivite viral, por contato com pessoas de seu convívio que estejam doentes. Para evitá-la, mantenha as pessoas infectadas longe do bebê e lave sempre as mãos antes de pegar o pequeno. Embora deixe o bebê irritado, esse tipo costuma desaparecer naturalmente após uma semana.

O que fazer se meu bebê estiver com conjuntivite?

A primeira coisa a fazer é falar com o pediatra, que dará as orientações de como proceder com seu filhote. No caso de conjuntivites bacterianas, é necessário o uso de antibióticos, que deverão ser prescritos pelo médico.

conjuntivite bebe

De qualquer forma, mantenha o bebê isolado de outras crianças, como os irmãos, e troque sua roupa de cama e toalha diariamente. Mantenha os olhinhos limpos de secreção usando gaze estéril embebida em soro fisiológico, usando sempre uma para cada olho. Faça o movimento de limpeza de dentro para fora, ou seja, do cantinho do olho em direção à orelha.

E, por fim, mantenha a medicação até a data recomendada pelo médico. Não pare antes mesmo que a conjuntivite aparentemente tenha melhorado, para que não haja uma piora do caso.




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Comentários (9)

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  1. Conjuntivite no bebê: dicas de prevenção e tratamento : Mil dicas de mãe | 2 de março de 2015
  1. Bianca Gama disse:

    Bom dia! O uso do colírio do nitrato de prata não é necessário em todos os casos, e consiste numa intervenção para determinados bebês de mães de grupos de risco, conforme exames realizados no pré-natal.
    Mais informações aqui:

    Credé – Aplicação do Colírio de Nitrato de Prata

    Esse procedimento consiste em pingar uma gota de colírio de nitrato de prata em cada olho do recém-nascido de forma rotineira. Esse procedimento foi introduzido em 1881, para o controle da oftalmia gonocócica do recém-nascido (uma espécie de conjuntivite bastante grave, que é contraída no momento do nascimento, a partir do contato com secreções genitais maternas contaminadas com a bactéria), que era comum naquela época. O procedimento então passou a ser utilizado em todos os hospitais e continua sendo assim até hoje. A questão é que, bebês que nascem por cesariana, por exemplo, não passaram pelo canal vaginal, portanto, não tem chances de adquirir a doença. Alguém, por favor, me explica, POR QUE ELES TAMBÉM RECEBEM O COLÍRIO ROTINEIRAMENTE? (minha filha recebeu e nasceu por cirurgia cesariana!) E tem mais, o colírio de nitrato de prata resulta em um alto índice de conjuntivite química e é ineficaz contra a Chlamydia (que em muitas regiões é a causa mais comum de oftalmia neonatal atualmente). Além disso, medicamentos tópicos aplicados aos olhos dos recém-nascidos podem reduzir a abertura ocular e inibir respostas visuais. Isso pode atrapalhar a interação visual entre a mãe e o bebê durante a primeira hora de vida. Infelizmente, o colírio de nitrato de prata (Credé) é recomendado (ainda) pelo Ministério da Saúde, e alguns estados têm legislação específica para o seu uso, mas ninguém pode ser OBRIGADO a deixar seu RN ser submetido a esse método ultrapassado que não previne a oftalmia por clamídia e ainda promove conjuntivite química. É absurdo. O que se pode fazer é solicitar ao obstetra (no caso de não ser um obstetra humanizado) que faça a cultura andovaginal para gonorreia durante o pré-natal. Com o resultado negativo em mãos, é possível argumentar com o pediatra durante a consulta pré-natal e exigir que seu bebê NÃO receba o colírio. Se o uso for necessário, o colírio de nitrato de prata pode ser substituído pela eritromicina, que previne tanto a oftalmia gonocócica quanto a por clamídia, ou seja, é mais eficaz. Além disso, mesmo que seja necessário o uso do colírio ele pode ser aplicado 1h após o nascimento do bebê. A primeira hora de vida do bebê não deve ser perturbada, mãe e bebê devem ser deixados em paz.

    http://doulaliziane.blogspot.com.br/2014/01/cuidados-com-o-recem-nascido.html

    • Nívea Salgado disse:

      Olá, Bianca,

      Obrigada pelo seu comentário.

      De fato existem outros métodos de prevenção da conjuntivite neonatal além do colírio de nitrato de prata. Mas enquanto o Ministério da Saúde o coloca como método de referência, não podemos deixar de citá-lo.

      Além da eritromicina (a pomada é o método oficialmente recomendado nos EUA para todos os bebês), sobre a qual você fala, há também a iodopovidona, que aparentemente é ainda mais eficaz como método de prevenção contra as conjuntivites de causa bacteriana – tanto que foi escolhida como a recomendação oficial em todo o Estado do Espírito Santo. Entretanto, aparentemente, ela também é capaz de produzir conjuntivite irritativa e não funciona contra as conjuntivites virais (sendo a causada pelo vírus da herpes a mais preocupante).

      Beijos,

      Nívea

    • Andréa disse:

      Oi Bianca!

      Ótimo comentário!
      Já havia comentado sobre isso no post do Facebook, com algumas dessas informações.
      Só acrescentando, num grupo de gravidez e parto tive a informação de que o nitrato de prata não é mais recomendado pelo ministério da saúde, sendo substituído pot iodopovidona (o que não é de todo bom). No entanto, não encontrei o documento que trata sobre.
      Meu filho nasceu de parto normal num hospital particular (pelo convênio, não foi humanizado, mas é raridade!). Deixei claro que não queria nitrato de prata, mas autorizei a eritromicina; não investiguei clamídia ou gonococo. Acredito que não aplicaram nada, pois peguei meu bebê ainda na primeira hora, no quarto, e ele não tinha nada nos olhos. Ele não teve nenhuma conjuntivite.

  2. Martha disse:

    Oi. Minha bebê tem 3 meses e desde quando nasceu, apresenta secreção nos olhos.
    Levei no oftalmologista e o mesmo disse que ela havia nascido com um bloqueio no canal lacrimal dela. Quando chorava saia lágrimas que enxarcavam o canal e produziam essa secreção.
    Estou fazendo exercício e tratamento com antibiótico em semanas intercaladas.
    Alguém já teve problema parecido?
    Martha

  3. JAQUELINE ANDRADE MAIA disse:

    A minha filha tem o canal lacrimal entupido, estou fazendo tratamento para não precisar de cirurgia. Os sintomas são bem parecidos com a conjutivite

  4. marcia disse:

    Meu Bebê esta com 45dias, desde a hora q foi aplicado o nitrato, o olho dele fica lacrimejando,passei no pediatra e ela disse que p canal lacrimal esta entupido e me aconselhou fazer massagem para abrir…Será que com essa massagem o canal abre?

  5. Tania Santos disse:

    Eu aconselho limpar os olhos com chá de camomila. Na minha Salomé resolver o problema por completo. Ela tinha 1 mês e meio

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