A sífilis é uma infecção sistêmica, de evolução crônica, causada por bactéria espiroqueta, o Treponema pallidum. Doença de ampla variedade de apresentações clínicas, é conhecida desde o século XV.

O contato sexual é a principal via de transmissão, seguida pela transmissão vertical para o feto durante gestação de uma mãe com sífilis não adequadamente tratada. Pode ser transmitida também por transfusão sanguínea.

sífilis

Aproximadamente 30% dos pacientes não tratados tem acometimento tardio do coração, do sistema nervoso central e de outros órgãos que podem se desenvolver após a infecção inicial.

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Mudanças na sociedade em relação ao comportamento sexual e o advento da pílula anticoncepcional, em 1960, fizeram com que o número de casos de sífilis aumentasse.

Em estudo publicado pela Organização Mundial de Saúde (OMS), em 2010, foi estimada a ocorrência de 11 milhões de novos casos de infecção por Treponema pallidum em adultos entre 15 e 49 anos, sendo a maior incidência no continente africano.

Sífilis no Brasil

 

sífilis

 

No Brasil, as estimativas da OMS de infecções por sífilis na população sexualmente ativa, a cada ano, são de 937 mil casos, no entanto, a sífilis adquirida não é de notificação compulsória, levando as estimativas dos números de casos dessa doença à subnotificação.

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O crescente aumento do número de casos de sífilis é reflexo, além da melhoria no registro dos casos de infecção, dos comportamentos de risco ao qual os pacientes têm se exposto.

O surgimento de medicamentos que tratam doenças sexualmente transmissíveis (DST) e que propiciam uma sobrevida maior aos infectados com o vírus HIV levou a população a se tornar mais destemida e menos cuidadosa na prevenção dessas doenças.

Sintomas de sífilis

O primeiro sintoma da sífilis é uma ferida que não sangra e não dói, que surge após o contato direto com a ferida de sífilis de outra pessoa. No entanto, os sintomas têm tendência a ir evoluindo, variando de acordo com a fase da infecção: sífilis primária

Sífilis primária

sífilis

 

O estágio inicial da doença, que surge cerca de 3 semanas após o contato com a bactéria responsável pela doença, o Treponema pallidum.

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Essa fase é caracterizada pelo aparecimento do cancro duro, que corresponde a uma pequena ferida ou caroço que não dói ou causa desconforto, e que desaparece após cerca de 4 a 5 semanas, sem deixar cicatrizes.

Nos homens, essas feridas geralmente aparecem em volta do prepúcio, enquanto nas mulheres elas surgem nos pequenos lábios e na parede vaginal.

Também é comum o aparecimento dessa ferida no ânus, na boca, na língua, nas mamas e nos dedos das mãos. Neste período, também podem surgir ínguas na virilha ou próximo à região afetada.

Sífilis secundária

 

infecção urinária

Foto: Freepik

Após o desaparecimento das lesões do cancro duro, que é um período de inatividade pode durar de seis a oito semanas, a doença poderá entrar novamente em atividade caso não seja identificada e tratada.

Desta vez, o comprometimento ocorrerá na pele e nos órgãos internos, já a bactéria foi capaz de multiplicar e se espalhar para outros locais do corpo por meio da corrente sanguínea.

As novas lesões são caracterizadas como manchas rosadas ou pequenos caroços acastanhados que surgem na pele, na boca, no nariz, nas palmas das mãos e nas plantas dos pés, podendo haver algumas vezes também descamação intensa da pele.

infecção urinária

Foto: Freepik

Outros sintomas que podem surgir são:

  • Manchas vermelhas na pele, na boca, no nariz, nas palmas das mãos e nas plantas dos pés;
  • Descamação da pele;
  • Ínguas em todo o corpo, mas principalmente na região genital;
  • Dor de cabeça;
  • Dor muscular;
  • Dor de garganta;
  • Mal estar;
  • Febre leve, geralmente abaixo de 38ºC;
  • Falta de apetite;
  • Perda de peso.

Essa fase continua durante os dois primeiros anos da doença, e surge em forma de surtos que regridem espontaneamente, mas que passam a ser cada vez mais duradouros.

Sífilis terciária

corrimento patológico

Mulher segurando plaquinha de sorriso em frente ao seu abdômen. Foto: Freepik

A sífilis terciária aparece em pessoas que não conseguiram combater espontaneamente a doença na sua fase secundária ou que não fizeram o tratamento adequado. Neste estágio, a sífilis é caracterizada por:

  • Lesões maiores na pele, boca e nariz;
  • Problemas em órgãos internos: coração, nervos, ossos, músculos, fígado e vasos sanguíneos;
  • Dor de cabeça constante;
  • Náuseas e vômitos frequentes;
  • Rigidez do pescoço, com dificuldade para movimentar a cabeça;
  • Convulsões;
  • Perda auditiva;
  • Vertigem, insônia e AVC;
  • Reflexos exagerados e pupilas dilatadas;
  • Delírios, alucinações, diminuição da memória recente, da capacidade de orientação, de realizar cálculos matemáticos simples e de falar quando há paresia geral.

Esse sintomas costumam surgir depois de 10 a 30 anos da infecção inicial, e quando o indivíduo não é tratado. Por isso, para evitar complicações em outros órgãos do corpo, deve-se fazer o tratamento logo após o surgimento dos primeiros sintomas da sífilis.

Diagnóstico

corrimento patológico

Mulher com dores abdominais ao sentar-se no banheiro. Foto: Freepik

Os sintomas da sífilis costumam ser muito similares a sintomas de outras doenças, então o médico deve realizar exames específicos para conseguir fazer o diagnóstico.

Se você foi diagnosticado com sífilis, é importante notificar ao seu parceiro ou parceira para que ele ou ela possa também realizar os exames necessários para o diagnóstico. Se der positivo, quanto antes dar início ao tratamento melhor.

Quando diagnosticada precocemente, a sífilis não costuma causar maiores danos à saúde e o paciente costuma ser curado rapidamente.

Tratamento

 

Corrimento vaginal fisiológico

Mulher de calcinha segurando uma flor. Foto: Freepik

O tratamento para sífilis mais indicado pelos médicos é feito à base de penicilina, um antibiótico comprovadamente eficaz contra a bactéria causadora da doença.

Uma única injeção de penicilina já é o bastante para impedir a progressão da sífilis, principalmente se ela for aplicada no primeiro ano após a infecção. Se não, o paciente poderá precisar de mais de uma injeção.

A penicilina, aliás, é o único tratamento recomendado por especialistas para mulheres grávidas diagnosticadas com sífilis. Mesmo que o tratamento nesses casos seja bem-sucedido, o bebê também deverá ser tratado com antibióticos depois de nascer.

Durante o primeiro dia de tratamento, o paciente poderá sentir aquilo que os médicos chamam de reação de Jarisch-Herxheimer, que inclui uma série de sintomas, como febre, calafrios, náuseas, dores nas articulações e dor de cabeça. A boa notícia é que esses sintomas não costumam demorar mais do que um dia.

Durante o tratamento da sífilis, o paciente deverá fazer visitas regulares ao médico para garantir que está tudo bem.