Quando um filho nasce, você acha que vai ensinar muita coisa a ele. Aliás, por aqui, eu nunca cansei de dizer que uma das melhores partes da paternidade ou da maternidade é justamente a oportunidade de mostrar o mundo ao seu pequeno. O que você demora um pouco a descobrir é que não ensina mais do que aprende. Porque com eles nós descobrimos muito, sobre os outros e sobre nós mesmos.

Você já parou para pensar, por exemplo, nas vezes em que pediu para seu filho esperar? Para ter um pouquinho de paciência, ao fazer uma solicitação a você? “Não precisa gritar, não precisa chorar, já estou indo, é assim mesmo”. Estamos repetindo essas frases a todo momento – mas quem disse que já incorporamos esse mesmo aprendizado? Se um filho demora para sentar, engatinhar, andar, somos os primeiros a nos impacientar. Se um filho cospe a mandioquinha pela terceira vez, durante a fase de introdução alimentar, achamos que ele nunca aprenderá a come-la. Se o pequenino acorda no meio da noite durante seis meses, temos certeza de que as noites sem interrupção, bem dormidas, deixarão de acontecer para sempre.

Imagem: 123RF

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Um filho te mostra que as coisas levam um tempo para amadurecer, e não adianta lutar contra isso. Nenhum bebê nasce sabendo falar – ele levará mais de um ano, às vezes mais de dois, para se fazer entender. Nenhuma criança aprende a ler com dois anos (e na hipótese mais improvável de que você consiga essa “proeza”, ele definitivamente não dará qualquer utilidade àquele conhecimento naquela hora. Então para quê?). Mas não é raro que nos peguemos desejando pular algumas etapas. Você pensa: “eu não aguento mais essa dependência! Quero um pouquinho de sossego, de tempo para mim, sem ter alguém berrando do outro lado do banheiro”. Só que não dá para acelerar as coisas. Não dá para esticar as mamadas para um intervalo de cinco horas, se você tem um recém-nascido em casa.

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Ter um filho te mostra que a paciência passa também por compreender que você não tem domínio sobre tudo (muito pelo contrário, você controla muito pouco). Aqui eu me programei para engravidar em um determinado ano, mas só consegui dois anos depois. Achei que ia colocar minha filha na escola quando completasse dois anos, mas, por conta dos problemas respiratórios que surgiram, tive que esperar até quase três. Comprei o melhor canguru do mundo, tendo certeza de que sairíamos para passear com ele todos os dias – eu só não contava que Catarina o odiaria, e se debateria todas as vezes em que tentei coloca-lo (até que eu desisti e acabei deixando no fundo do armário).

Uma criança te ensina que é preciso repetir mil vezes, para ser entendida. Até lá, ela jogará a colher no chão, baterá na mão do amiguinho tentando pegar seu brinquedo, terá uma crise de birra para conseguir o que deseja. É preciso ter consistência no que se fala, e principalmente no que se faz. Ou alguém espera que o filhote pare de berrar se é exatamente o que você faz quando perde a bendita paciência?

Falando parece fácil. Mas é tão difícil, que passamos a vida exercitando essa qualidade. E um filho nos ajuda muito nesse trabalho!