Após perder o bebê, mãe recebe dinheiro de móveis do quarto do pequeno

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Quem já viveu a perda de um filho relata que a dor é imensurável. Imagine: você faz o enxoval, escolhe as roupas, os brinquedos, o nome, monta o quartinho, planeja o parto – e faz milhares de outros planos para aquela nova vida. E logo depois de dar à luz, acaba surpreendida pela notícia de que o pequeno não sobreviveu (eu me arrepio só de pensar, porque quem é mãe sabe que você já ama muito aquele bebê, mesmo antes que ele saia da barriga). Pois foi isso o que aconteceu com a Renata Senise. Mãe da Bella, ela e a filha foram diagnosticadas com herpes tipo 1 logo depois do parto – e a filhota, mesmo na UTI, acabou não resistindo.

Mas a história de perda acabou não sendo só de tristezas, e é por isso que eu trago esse relato no blog. Ganhar a solidariedade, empatia e acolhimento das pessoas nesse momento também pode fazer parte da realidade de quem passa por essa situação. Felizmente isso ocorreu na experiência da Renata: não querendo nem mais olhar para o quartinho da filhota, ela recebeu a oferta de ajuda da própria arquiteta (que o montou) para desmontá-lo. E mais: a própria loja onde ela adquiriu os móveis ofereceu a opção de levar tudo de volta ao estabelecimento e devolver a ela o dinheiro investido.

“Quando liguei para agendar a data, a pessoa que combinou tudo comigo disse ‘nós vendemos mais que móveis, vendemos sonhos. E se o seu não foi do jeito que você queria, não faz sentido você ficar com esses móveis'”, relatou a mãe no Facebook, em um post que já conta com quase 3 mil curtidas em duas semanas. Vem ver o que essa mamãe passou (e resgatar a fé na humanidade):

Quando fui montar o quarto da Bella eu sabia exatamente o que eu queria. Contratei uma arquiteta maravilhosa que ajudou a transformar meu sonho em projeto. Juntas escolhemos as coisas mais encantadoras, e os móveis, lindos, lindos!!

Só o cheiro deles me fazia sonhar. Era o cheiro da Bella chegando. Só que ela nunca veio. E aquele cheiro virou cheiro de saudades. Aquele quarto já não fazia mais sentido, pois ele jamais seria ocupado por sua dona. Eu nem conseguia entrar nele direito. Tão lindo. Tão vazio.

Eis que a linda da arquiteta decidiu me ajudar quando chegou a hora de desmonta-lo (hora essa que eu escolhi – foi tudo no meu tempo). E ela ligou na loja para saber mais como eles poderiam ajudar nessa hora tão doída. E, diferentemente de qualquer outra loja deste mundo atual em que vivemos, eles me deram duas opções lindas: ou mandariam um funcionário desmontar e embalar tudo e, quando eu quisesse, eles mandariam novamente uma pessoa para montar tudo, sem custo, ou então viriam buscar os móveis e me devolveriam todo o dinheiro. Sim, depois de 6 meses eles receberiam tudo de volta. Pensei, pensei, e optei pela segunda oferta. Meu próximo neném já vai ter muita coisa da irmã mais velha, nada mais justo do que ter seus próprios móveis. Quando liguei para agendar a data a pessoa que combinou tudo comigo disse “nós vendemos mais que móveis, vendemos sonhos. E se o seu não foi do jeito que você queria, não faz sentido você ficar com esses móveis”.

Hoje foi dia deles retirarem tudo. Abrir a porta e sentir aquele cheiro me desmontou inteira. Segurei o choro no fundo da garganta. Um dos moços que veio foi o mesmo que montou tudo pra mim. E eu vi neles uma tristeza de estarem fazendo isso. Eles foram a gentileza em pessoa. Viram que eu estava atordoada e falaram pra eu ficar na sala enquanto eles desmontavam tudo. Fizeram graça para me fazer rir. Juro que achei que eles fossem me abraçar no final. E falaram que voltarão para montar o próximo quarto. Que fazem questão.

(…) No meio desse mundo frio, duro e egoísta, vejo cores e bondade e amor. Obrigada por esse amor. Vocês fizeram a diferença na minha história com a Bella, e isso é incrível!“.


 



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