Sobre as coisas de mãe que você não conta para (quase) ninguém

Por 16 Comentários


Outro dia saí como uma amiga para tomar um café. A semana estava sendo muito puxada, com trabalho até a raiz dos cabelos e noites mal dormidas causadas pela tosse da pequena. Se eu normalmente não sei o que é tempo livre, naqueles dias eu não tinha tempo nem mesmo para almoçar. E antes de jogar as coisas para o alto e dizer que eu não queria mais brincar daquilo, decidi tirar uma horinha do meu dia para dividir aquele sentimento com alguém que eu sabia que me entenderia.

Imagem: Mike Kniec via Compfight cc

Imagem: Mike Kniec via Compfight cc

Conversamos sobre a loucura do fim do ano, sobre a promessa de que 2014 seria um ano mais tranquilo (que não foi cumprida, nem por mim, nem por ela), sobre os filhos e as perspectivas para o futuro. E no fim, aconteceu algo que me tocou muito: contamos uma à outra histórias pessoais que talvez mais ninguém no mundo, além de nós duas, saibamos – e que assim continuará sendo.

Porque, sim, existem passagens da nossa história como mãe das quais nós não nos orgulhamos, mesmo que aos olhos dos outros não tenham nada demais. Pode ser a culpa por ter ido trabalhar achando que o filho ficaria bem, quando o que aconteceu foi ele ter piorado da febre. Ou a tristeza dos primeiros meses (que algumas sentem em função da queda hormonal, da solidão de ficar em casa com um bebê que interage muito pouco, ou simplesmente da falta de experiência que gera expectativas exageradas e uma auto-cobrança imensa), que definitivamente você não queria ter sentido. Mas ali, bem no fundo do coração, acredito que todas nós tenhamos um pontinho que nos traz lágrimas aos olhos e que faríamos diferente se pudéssemos voltar no tempo.

Todas as vezes em que olho para trás e identifico um desses momentos, vejo que o aprendizado da maternidade é feito, inevitavelmente, com base em erros e acertos. E é fácil falar que não dá para acertar sempre – mas quando erramos com um filho… Ai, como é difícil! Mas a maior prova de crescimento, de que evoluímos e crescemos, é justamente saber que faríamos de outro modo, que hoje reconhecemos como melhor para ele.

Se hoje eu pudesse desejar algo a cada uma de vocês, é que tivessem uma amiga com quem pudessem falar até sobre essas passagens – sem julgamentos, apenas com compreensão mútua. Alguém que te entenderá se você disser que fez macarrão com molho pronto no jantar porque simplesmente não tinha forças para fazer algo melhor; ou que teve vontade de dirigir até a praia, só para ter algumas horas de sossego. Porque se no mundo da maternidade há sempre alguém para colocar o dedo na ferida e discordar das suas escolhas, há também pessoas nas quais você encontra apoio, respeito e um ombro amigo.




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Comentários (16)

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  1. Shirley disse:

    Chorei no dia. E chorei hoje lendo esse post. Lindo! Obrigada também pelo ombro amigo, compreensão e pelas nossas deliciosas conversas. Bjs. Shi

  2. Bom dia, Nívea!!
    Realmente há coisas que deveríamos compartilhar com alguém que nos entenda perfeitamente. E quando não há esse alguém? Por mais que nosso dia seja corrido, estressante e cheio de tarefas, podemos sim tirar um tempinho para tomar um simples café. Fico triste com as minhas amigas (se é que são mesmo!), porque nunca tem tempo. E sinto falta dessas conversas, as que tínhamos antes de ter filhos… desabafo!!
    Amo seu blog!! Parabéns!!

  3. erica disse:

    oie e que mae que nao precisa de outra mae para desabafar, sem critica, sem julgar. Eu tive uma amiga que achei que teriamos isso em comum, mas nossa amizade mudou tanto que eu nao conto nada daminha vida, filhos etc, da para dizer que somos conhecidas hoje e nao amigas. Eu conto para meu marido ou para uma amigo, isso mesmo eh ele que cuida dos filhos. Infelizmente tem muita gente que quer dar veredito sem conhecer a situacao toda.

  4. clarisse disse:

    Me emocionei com o texto! A gente vive numa sociedade que cobra demais da mulher. Temos que ser super esposas, super mães, super profissionais… Tem horas que só queremos ser mulher. Precisamos de um abraço, um carinho. Deveria ser obrigatório para a mulherada uma pausa durante o dia para um café e uma prosa com amigos verdadeiros!! Sem julgamentos, pois nós mesmas já somos críticas demais com nós mesmas!!! beijos

  5. Danielle Albuquerque disse:

    Estamos juntas

  6. Patricia disse:

    Sei bem é essa situação.
    Sinto muita falta de uma amiga pra conversar. Alguem q escute sem julgar. Faz muita falta uma pessoa em q possa se abrir

  7. Lindo depoimento! Parabéns!
    Mãe erra… mãe acerta. …
    E isso é que constroi uma boa e humana relação com nossos filhos.
    Beijos!
    Ana Heloisa (Sos Mamãe & cia)

  8. Adriane disse:

    Nossa, é tão verdade, e lendo isso justamente hoje, estou tão cansada, exausta. Estou grávida de 24 semanas e tenho um filho de 2 anos e 5 meses, as vezes sinto que não tenho vida própria. As pessoas julgam, algumas até chegam a questionar. Hoje me sinto triste, desamparada, mas mesmo assim o amor que sinto pelo meu filho é maior que tudo. Mas e tem alguém pra entender isso????

    • Nívea Salgado disse:

      Oi, Adriane,

      Mesmo que não tenha ninguém para te ouvir aí, saiba que fiquei feliz com seu comentário! Porque é isso mesmo: aqui sempre tem alguém para ouvir e entender tudo o que você está sentindo 🙂

      Grande beijo, espero que você fique bem!

      Nívea

  9. eliete disse:

    Oi, adorei o post…eu realmente queria alguém que além de me ouvir tambem me compreendesse e não dissesse:” Isso é coisa da sua cabeça”…bjosss

  10. daiana disse:

    Lindo esse post!há uma necessidade enorme de termos pessoas para compreender nós mamães,a sempre alguem para apontar e quase nunca alguem para entender e estender a mão ou ombro amigo!
    Me indentifiquei muito adoro ler seus post me revigora e me faz ver que alguem do outro lado que possa nós apoiar mesmo virtualmente,bjs

  11. é… hoje eu entendo que tem coisas que só de mãe pra mãe pra entender…….

  12. Nessas horas uma amiga faz muita falta, eu não tenho uma amiga, mas converso com a minha irma que tem uma filha da mesma idade que a minha.

  13. Eu dividi muitos desses momentos com um amigo muito querido, que me entende e me escuta melhor do que as amigas que tenho.

  14. michelle maia disse:

    Isso é MÃE!!! Essa palavrinha tão pequena de significado enorme…..

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