Que tipo de escola queremos para os nossos filhos?

Por 14 Comentários


Catarina entrou na escola há menos de um ano e está muito bem adaptada ao local que escolhemos. Acho que fomos felizes com a escolha: vejo que ela se sente acolhida, curiosa sobre as novidades pedagógicas que lhe são apresentadas e o mais importante – feliz e segura naquele ambiente. Mas, infelizmente, essa escola oferece apenas educação infantil, o que significa que daqui a poucos anos teremos que mudá-la novamente.

Nas redondezas da minha casa acontece o seguinte: é necessário reservar com antecedência mínima de dois anos os colégios mais disputados da região. E mesmo assim sem a certeza de que você conseguirá uma vaga. Por isso, estou em cima da hora para iniciar minha busca pela próxima escola, se desejar que Catarina frequente as mais conhecidas e conceituadas.

Sendo assim, tenho conversado com muitos pais com filhos que estudam nesses colégios. Alguns deles optaram por colocar os filhos desde cedo nesses locais, para garantir a vaga no ensino fundamental, quando a procura é mais acentuada. E o que tenho ouvido com frequência tem me deixado um pouco preocupada, confesso.

A grande questão é que em muitos desses colégios os alunos com dificuldade mínima de aprendizado têm sido convidados a se retirar da escola (dessa forma, ficam ali os melhores alunos somente, aqueles que no futuro demonstrarão um bom desempenho em testes e vestibulares). Não, não estou falando de adolescentes rebeldes que tumultuam as aulas e que atrapalham o andamento de toda a turma, ou que infernizam a vida dos professores. Estou falando de crianças de quatro, cinco anos de idade que simplesmente não aprenderam o conteúdo que as outras crianças da turma já assimilaram. Ouvi recentemente de uma mãe de um menininho de quatro anos que ela se sentia pressionada pela escola, porque seu filho ainda não sabia ler e escrever seu próprio nome e o de todos os coleguinhas da sala. E não foi a primeira vez que escutei algo parecido…

Resumindo, fico receosa em colocar minha filha em um ambiente escolar como esse, em que a cobrança e a competitividade são impostas desde cedo. Claro que eu acredito que uma educação de boa qualidade seja fundamental e que abre muitas portas no futuro. Só me pergunto se não prefiro que minha filha seja naturalmente curiosa, que aprenda brincando e sem pressões, como nas escolas em que eu estudei há trinta anos. Locais onde os professores a conheçam pelo nome, que saibam quem é sua família, que procurem entender suas dificuldades e a ajudem a superá-las, ao invés de indicar um psicoterapeuta (quando não um psiquiatra, para um tratamento de TDAH). Escolas que valorizem o indivíduo, a inclusão social, o prazer pelo conhecimento e a cidadania, e não um local que a julgue, para definir se ela é boa o bastante para fica ali.

Será que estou errada?




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Comentários (14)

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  1. Que escola nós queremos para nossos filhos? | Bem Que se Quis | 1 de novembro de 2014
  1. Adriane Câmara disse:

    Olá Nívea!

    Como sempre, seu texto (e sua preocupação)é muito pertinente e ponderada. Este assunto rende muita discussão e debate no campo educacional, e não vou entrar nesta seara.

    Contudo, fico pensando que, uma das premissas básicas da escola é a FORMAÇÃO das crianças/pessoas/cidadãos. Então cabe perguntar: se uma escola pressiona e/ou até mesmo exclui uma criança de 04 anos porque ainda não sabe ler, que tipo de formação ela está oferecendo, tanto à criança quanto aos pais? Porque a escola não encara o desafio de ensinar esta criança a superar seus desafios e respeitar seu tempo pessoal de aprendizado, por exemplo? Em termos mercadológicos, esta lógica da “exclusão por resultados” é antiga: é mais fácil e barato excluir do que formar. O aluno “atrasado” libera a vaga para os montes que estão na fila para entrar.

    Eu ainda me pergunto: este tipo de escola pode mesmo fazer propaganda dos resultados dos seus alunos? Pois, se ela supostamente selecionou os “melhores” lá no início, que tipo de desafios esta escola enfrenta, especialmente com relação à aprendizagem e ao respeito e direito ao tempo de aprendizagem dos seus alunos?

    Um abraço!

    Adriane.

    • Nívea Salgado disse:

      Oi, Adriane,

      Concordo com tudo o que você disse! Perfeito!

      Que tipo de escola pode fazer propaganda de seu ensino se na verdade já fez uma bela triagem daqueles que mais precisavam de ajuda?

      É para pensarmos.

      Grande beijo,

      Nívea

  2. Jenifer disse:

    É mesmo uma escolha muito difícil, quando fui escolher a escola das minhas filhas fui conhecer várias escolas e conversar com pais que tem seus filhos em alguma delas… optei por escolher a que valoriza o individuo e o tempo de cada criança, a infância não volta e elas serão bastante cobradas no futuro, hoje só quero que tenham uma infância feliz!
    Bjs

  3. Oi Nivea! Sabe que esse eu e minha irmã estávamos conversando exatamente sobre esse assunto outro dia… E concluímos que , infelizmente, toda a nossa formação e educação curricular e formal, se norteia numa única diretriz: aprovar no Vestibular!!Não se preocupam em formar seres humanos de verdade, completos, cidadãos … Nossas “crianças” completam o segundo grau craques, super preparados para o vestibular mas, a maioria… não conhece a si mesmo, nem o mundo que os cerca! Não têm olhos nem ouvidos treinados para olhar ao seu redor, ou para dentro de si mesmos, para descobrirem a sua real vocação!!E, é aí , mais uma vez, que nós, pais podemos e devemos fazer a nossa parte, a nossa lição de casa!!Ampliar os horizontes dos nossos filhos, apresentando o mundo real a eles, com sua beleza e seus problemas! Sua arte e seus conflitos! Será que daremos conta? Espero que sim… bjos

  4. Selene disse:

    Olá, Nívea! Tudo bem?
    Coloquei a minha filha na escolinha há pouco mais de um mês e ainda não senti de perto essas situações que você colocou.
    No entanto, tive a possibilidade e o cuidado de colocá-la em uma escola que acompanha o aluno até o 4o. ano, justamente para evitar essas mudanças num momento em que ela já pudesse estar bem adaptada.
    Quanto aos alunos com dificuldade de aprendizado, parece mesmo que as escolas particulares estão bem atrás no tratamento dessas questões. Converso com professoras próximas de mim, de cidades aqui do interior, próximas de São Paulo, e até Paraná, que dão aula em rede pública, e todas dizem que, ainda que em condições longe de serem ideais, as escolas públicas trabalham melhor com esses alunos. E isso desde alunos com necessidades especiais.
    No entanto, e contraditoriamente, existem alunos também da rede pública, que não sabem nem escrever seus nomes, quando já deveriam saber muito mais. Imagine se “alguns” desses alunos migrarem para uma escola particular. Nem devem ser aceitos.
    Enfim, acompanhemos nossos filhos e filhas porque enfrentar tudo isso é para nós e infelizmente, para eles também.
    Um grande abraço!

    • Nívea Salgado disse:

      Oi, querida, tão bom ver você por aqui!

      Concordo que em algumas cidades a rede pública pode mesmo estar melhor preparada para lidar com essa questão (não é o caso da cidade de São Paulo, ou pelo menos da maioria das escolas públicas daqui, mas sei que a situação é melhor em outros lugares). De modo geral o Brasil ainda está engatinhando quando se fala em educação e melhor aproveitamento do potencial de cada criança – o caminho nesse sentido é árduo, mas trabalhemos para chegar lá.

      Grande beijo,

      Nívea

  5. Olhe Fabiane Gomes, Lucilene S. F. Oliveira, Carin Erhardt!!!

  6. Está certíssima, realmente dá medo desse novo método de ensino…

  7. Olá Nivea. Tenho uma pequena de cinco anos, desde seu primeiro ano de idade estudava em uma boa escola, porém uma escola com um direcionamento mais maternal. Quando completou seus dois anos e meio, mesmo eu com uma certa dificuldade a mudanças, até porque me cobro muito por ser mãe solteira, decidi colocá la em uma escola mais avançada a um método de ensino mais direcionado, desde então senti uma grande evolução em seu comportamento e principalmente diante de suas atividades diárias, sinto sua satisfação a cada exercício de casa que realizamos juntas, as saudades que sente de seus amiguinhos a cada feriado prolongado e me deixa tranquila e me faz acreditar que está acolhida entre seus coleguinhas, as palavras de carinho ao flar de seus professores tbm me faz acreditar que tens bons relacionamentos. Ao notar esses sentimentos e o seu crescimento ao longo destes anos eu só posso esperar que ela tenha um execelente rendimento dentro de ambos os objetivos, não penso em mudá la de escola, ela vem num rítmo muito positivo e com um acompanhamento minucioso dentro de suas disciplinas e expectativas. O fato é, acredito que tudo deve acontecer no seu momento, as crianças são muito novas e o ambiente de ensino deve seguir um rítmo natural e leve, sem rigidez, pressão ou qualquer situação que venha expor dificuldades desnecessárias a criança podendo lhes desencadear uma experiencia traumática e as vezes por toda a vida. Existem excelentes escolas das quais não é necessário esta conduta tão militarista. Acredito que uma criança que apresenta boa desenvoltura diante de suas atividades e dificuldades diárias ao longo da sua trajetória escolar, desenvolverá naturalmente bons resultados independente de ser a melhor escola, ou uma boa escola.
    Beijos

  8. jordana disse:

    Gostaria de dicas sobre a escola internacional ou a canadense? !!!!

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