Sobre ideologias cegas e maternidade

Por 31 Comentários


paul goyette via Compfight cc

paul goyette / Creative Commons

Desde que eu criei o blog, há dois anos, tenho evitado falar sobre alguns assuntos aqui. Parto, amamentação (seja ela exclusiva, com complemento ou prologada), são questões que frequentemente causam brigas e discórdia nas redes sociais. É como se cada mãe tivesse a sua verdade, e muitas não suportam a ideia de que ela não seja única – se você questiona, acaba sendo atacada com tamanha veemência, que beira o desrespeito. E eu, que detesto guerrear, acabo ficando na minha, por achar que ganho mais ficando quieta.

Acontece que outro dia presenciei uma situação que mexeu comigo, e que esbarra justamente naquilo sobre o que não costumo discutir – a ideologia cega e surda que ronda a maternidade. O caso era o seguinte: uma amiga, mãe de três filhos (ou seja, alguém que entende provavelmente mais das nuances da vida de mãe do que eu, que só tenho uma filha – e considerando apenas isso, alguém que eu ouviria se estivesse passando por alguma dificuldade), me contava que estava muito preocupada com a irmã e seu sobrinho. O bebê, que nasceu de parto domiciliar com algumas complicações (o que não é o foco desse post, que fique bem claro, até porque não tenho nada contra parto feito em casa, desde que com uma equipe competente e assumindo-se conscientemente a responsabilidade pela escolha), estava com algumas semanas de vida e com praticamente o mesmo peso de nascimento. Mesmo assim, sua irmã se recusava a complementar as mamadas, pela crença de que apenas o peito devia lhe bastar (apesar do alerta de todas as mulheres da família, que viam que a criança não estava bem).

Eu sei e todo mundo sabe que não existe melhor alimento para o bebê do que o leite materno. Também acredito que a melhor opção é sempre o aleitamento exclusivo até os seis meses de vida. Também acho que muitos dos casos em que o complemento com leite artificial é dado poderiam ser evitados, pela orientação certa, pela pega correta, pela alimentação e ingestão de líquido em quantidade suficiente e pelo descanso da mãe. Também acho que para um bebê que não ganha peso, o ideal inicialmente é intensificar as mamadas, sem se prender a horários (porque quanto mais o pequeno sugar, mais leite haverá). Mas daí a dizer que todas as mães conseguem amamentar exclusivamente, que basta apenas vontade, eu discordo completamente. Tanto é assim que, mesmo na época em que as fórmulas não existiam, as amas de leite nutriam os filhos alheios.

Mas voltando ao caso que eu contava, o bebê não ganhava peso. “Mas e o pediatra, o que orientou?”, vocês devem estar se perguntando (porque foi exatamente a pergunta que fiz para essa minha amiga). A resposta: “Que pediatra? Ela se recusou a levá-lo ao médico e a dar as vacinas, porque acredita que isso seja anti-natural. Ela diz que os bebês sempre sobreviveram sem isso – aliás, que são coisas que só prejudicam o desenvolvimento da criança”. Sobre vacina eu também não vou discutir nesse post (mas fico à disposição para quem quiser debater o assunto – só que aí terão que me ouvir falar sobre a história da epidemiologia e de quantas mortes foram e continuam sendo evitadas porque vacinamos nossos filhos).

Aí eu me pergunto: onde foi parar o instinto materno? Porque se ele estivesse sendo ouvido, seria impossível ignorar um bebê chorando de fome o dia todo. Seria impossível manter-se fixada à uma ideologia pronta sem discuti-la – para não se colocar em uma posição de incompetência, segundo o olhar daqueles que a seguem (porque, é claro, muita gente estava aplaudindo sua resistência “aos padrões impostos pela incompetente medicina atual”).

O final da história é que depois de muitos apelos (e da ação da avó da criança – essa sim uma mãe que fez o que deveria fazer: colocar o dedo na ferida e chamar sua filha à razão), o bebê foi levado ao pediatra, quase em situação de internação. A mãe recebeu várias orientações para aumentar sua quantidade de leite; e até que consiga amamentar exclusivamente (o que pode ou não vir a acontecer), o bebê receberá complemento. Ganhou peso e passa muito bem.




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Comentários (31)

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  1. Bruna Barbalho disse:

    Por isto este blog é de longe para mim, o melhor para nós mamães. rs Detesto posicionamentos extremistas e cada um sabe onde seu calo mais aperta. Mas, penso que ouvir o outro lado da moeda e refletir sobre outro ponto de vista é importante.Importante ouvir outras experiências de vida. E até pensar…e se fosse comigo? o que faria? talvez parassemos de condenar tantas outras mamães.
    Também evito me misturar em assuntos tão polêmicos como estes (amamentação e parto) e penso que nem deveriam ser polêmicos. Mas as extremistas são tão donas de suas verdades, que coitada daquela que pensa diferente. será bombardeada. E tudo que a gente não precisa neste período de mãe novata (ou não, mas me considerarei sempre novata em cada fase nova dos meus filhos)é alguém me crucificando. Parabéns pelo post mais uma vez. E viva o sexto sentido (o de mãe). rs

  2. Jenifer disse:

    Eu tive que dar suplementos para a Sofia e mesmo assim ela mamou até mais de dois anos…

  3. Tânia Magalhães disse:

    Às vezes tenho a impressão de que estamos regredindo ao ver tamanha cegueira e radicalismo. A maternidade deve ser tratada com leveza, visto que o nascimento de um bebê causa mudanças definitivas na vida da família. Parabéns pelo blog!

  4. Julia disse:

    Parabéns pela coragem de escrever este post. Espero que não venham pessoas extremistas te criticar, mas, se acontecer, saiba que muita gente, como eu, aplaude sua posição de harmonia. De entender que ser mãe é adaptar-se, rever conceitos, voltar atrás. Que todas mães devem tentar fazer o melhor para seus filhos, de acordo com seus valores, mas nunca deixando que a crença seja maior que o bem-estar do bebê/criança.

    • Nívea Salgado disse:

      Oi, Julia,

      Obrigada pelo apoio e pelo carinho. Não sei se escrever esse post foi um ato de coragem ou de loucura, mas pelo retorno que tenho tido acredito que as pessoas tenham entendido a mensagem e que concordem com ela.

      Grande beijo para você, espero sempre sua visita,

      Nívea

  5. erica disse:

    Oi Nivea eu moro na Inglaterra e tive meu filho Luca aqui, hoje ele tem 9 meses. Aqui o parto normal eh a norma, e eu que sou super otimista nunca me preocupei com isso, achei bem melhor do que a cesarea (nao que eu tenha sido contra ela antes). Queria tentar como minha avo, que deu a luz a 6 filhos. Entrei em trabalho de parto com 41 semanas, fui monitoroda constantemente. Depois de umas 20 e poucas horas de parto o medico decidiu fazer cesarea de emergencia, porque segundo ele o bebe estava comecando a ficar estressado. Quando o Luca nasceu ele nao chorou, dai foi um alvoroco porque um time de emergencia entrou para recussitar meu filho, foram 15 minutos sem parar, eu fiquei meu chocada. Ele nasceu com Apgar 0. Foi para UTI, e se submeteu ao passive cooling, ou seja abaixaram sua temperatura normal em 3 graus, de 36C para 33C, doses de morfina altissimas e ele passou frio tremendo por 3 dias, ele tinha tanto tubo que eu nao so conseguia segurar na sua maozinha. Prognostico incerto, pesando para o negativo, possivelmente teria sequelas. VOu resumir ficamos 9 dias no hospital. Hoje ele esta super bem e com desenvolvimento muito adiantado, sem sequelas. Durante minha estada na UTI, um bebe morreu. Dai entendi, nao importa se voce amamenta, ou da formula, da a luz naturalmente ou por cesarea. O que importa eh o resultado um filho feliz e com saude, e eh so isso que importa.

  6. erica disse:

    Oi Nivea meu filho de certa forma eh um milagre. No dia que ele nasceu o obstetra, ingles, que fez o parto me pediu desculpas com lagrimas nos olhos, dai eu pensei que nao ia levar um filho para casa… Eu conheci outros pais na UTI, uns que ja estavam meses la, e realmente voce abre seus olhos para muitas coisas. As vezes as pessoas se apegam a coisas nao importantes e se esquecem que uma ideologia eh so isso uma ideologia. Ele superou as expectative de todos e hoje anda com 9 1/2 meses. Eu diria as maes que se apegam a coisas bobas, pensem nos pais na UTI e nos bebes que ficam meses, as vezes anos no hospital e nunca viram o ceu ou foram para casa, ou deitaram no seu bercinho, dai pense sera mesmo que eh o fim do mundo amamentar ou nao. Beijos grandes de Londres.

  7. Parabéns, Nivea, adoro seu blog! Assim como você, tb acho péssimo ficar levantando bandeiras e defendendo isso ou aquilo…. Mas casos como esse não tem como não ser comentados! Ainda mais na era de evolução em que nos encontramos – acessibilidade de informação na palma das mãos!! Infelizmente é mais comum que imaginamos! Beijos grandes!

  8. Parabéns! A primeira vez que li algo inteligente sobre o assunto. Algumas mulheres simplesmente não tem leite! Seja um problema hormonal ou glandular! Minha avó sofreu, minha mãe sofreu e eu também. As pessoas pressupõe que você simplesmente não quer amamentar e te condenam. Eu tinha paixão por amamentar meu Heitor, mas não tive leite e precisei complementar. Sofri por ter que fazer isso e sofri pelos comentários… obrigada.

  9. Olá Nivea!
    Esse livro, dentre outras questões, aborda o porquê das amas de leite.
    Algumas trechos são bem pesados mas a leitura é rica.
    http://www.redeblh.fiocruz.br/media/livrodigital%20(pdf)%20(rev).pdf

  10. Oi, Sara, fiquei com bastante vontade de ler. Obrigada pelo envio 🙂

    Bjs,
    Nívea

  11. Nívea Salgado , só tem uns trechos pesados quando descreve alguns cuidados com as crianças numa época em que elas não tinham valor (como somos mães ficamos tristes ao saber desses detalhes). Mas é ótimo. 🙂

  12. Cida Avila disse:

    Esta Mãe não deveria ter tido filhos. Sem comentários mãe desnaturada quase mata o bebê de fome . tem que complementar com mamadeira…

  13. Eliana Cabrera disse:

    Oi, Nica, querida… Que bom te ver comentando amamentação. Um assunto difícil para uns e fácil para outros. Sempre irá gerar alguns desconfortos. O que importa é que haja informação correta às pessoas. E suporte a quem irá amamentar: sono, alimentação, hidratação… A amamentação exclusiva até os 6 meses de vida é, como bem disse, fundamental para a criança. Mas o apoio à mãe e à família também é importante. Para quem tiver dificuldades no ato de amamentar, o melhor a fazer é procurar um profissional habilitado a ajudar. Tem dúvidas? Pergunte a quem sabe… Os Bancos de Leite Humano (o mais próximo de sua residência) podem orientar por telefone ou onde procurarem pessoalmente para quem não souber onde ir e precisar de ajuda. Uma Unidade de Saúde de referência… E o apoio da família neste ato! Ah, isso é fundamental. A curva de peso esperada do bebe nos primeiros dias de vida também é importante ter claro, conhecer.
    Não podemos nos esquecer que julgamentos precipitados são ruins na medida que levam a decisões precipitadas também. Sejam de que parte forem realizados. Nada melhor que a busca de esclarecimento e apoio possibilitando decisão com melhor clareza e consciência (de fato) da situação. Antes de complementar, leve para uma avaliação. Podem ser utilizadas estratégias para tentar manter o aleitamento, em sendo o desejo desta mãe. Pode ser dado aquela orientação que faltava. Enfim, pode ser fundamental para a definição do Aleitamento Materno exclusivo até os seis meses de vida.
    Quanto aos outros assuntos polêmicos que evitou comentar por não ser assunto neste post, gostaria de ler seu posicionamento um dia destes… Contribuiria com outros milhares de motivos sobre os benefícios da vacinação e/ou ajudando a derrubar outros tantos mitos ruins recentemente criados ou ressurgidos das cinzas, que a envolvem. São Milhões de vidas salvas.
    Além de discutir o parto domiciliar ou outras coisinhas mais. rs… Beijos, querida!

    • Nívea Salgado disse:

      Eli, “tia” querida,

      Obrigada pelo seu comentário, tão completo, tão sábio, tão cheio de conhecimento! Amaria ver aqui um texto seu sobre os benefícios da vacinação aqui no blog – certamente completíssimo, por toda sua bagagem como médica especialista em Epidemiologia. Fica o convite e meu grande beijo!

  14. Val disse:

    Olá, Nívea! Minha história é bem parecida com a da Erica, que comentou acima.
    Ao fim uma gravidez sem nenhuma intercorrência, minha bebê nasceu de parto normal após 27 horas de trabalho de parto, sendo monitorada durante todo esse tempo.
    No momento do parto, ela teve uma asfixia grave, que os médicos não conseguiram explicar. Depois de 10 minutos de tentativa de reanimação, ela foi entubada e levada para a UTI. Ficou 3 dias em hipotermia neuroprotetora, tratamento em que o bebê é submetido a temperaturas muito baixas com o intuito de proteger o cérebro de possíveis sequelas decorrentes da asfixia. Durante o tratamento, o bebê fica totalmente sedado, pois de outra forma não suportaria a temperatura.
    Depois de 5 dias de entubação, ela finalmente pôde respirar sozinha. Somente no quinto dia é que pude vê-la de olhinhos abertos.
    Foram 18 dias de UTI. Por 13 dias, ela foi alimentada por meio de uma sondinha que ia da boca ao estômago. Precisou de tratamento de fonoaudiologia, para que fosse verificado se tinha condições de mamar. Como teve uma convulsão na segunda hora de vida e o eletroencefalo continuava mostrando uma possível atividade convulsiva, ela tomava gotinhas de Gardenal, que a deixavam extremamente sonolenta. Resultado: ela não tinha ânimo para pegar o peito durante as mamadas. Como a mamadeira exige menos esforço, essa ela pegava, mesmo quase dormindo.
    Após a alta, em casa, fiquei tentando amamentar durante 2 meses. Tomei remédios para aumentar a produção de leite, que era insuficiente, como eu já havia verificado no Banco de Leite, ao ordenhar a cada 3 horas para que ela recebesse meu leite pela sondinha durante a internação. Em casa, quanto mais espertinha ela ficava, menos interesse demonstrava pelo peito. Tentei de tudo, de relactação a bombinha para tirar meu leite e dar na mamadeira. Mas não deu. Hoje, com 3 meses, mama exclusivamente leite artificial.
    Por algum tempo me culpei, pensava que deveria ter tentado mais, que tinha feito algo errado, que tinha demorado pra pedir ajuda especializada… Mas depois de reviver toda a história mentalmente, e muitas vezes, acabei “me perdoando”. O histórico era muito complexo para que eu me permitisse ficar deprimida por causa da amamentação. Entendi que o que importa é que minha pequena, apesar do quadro grave inicial, é uma criança totalmente saudável, com desenvolvimento absolutamente normal e precoce em alguns aspectos, segundo a neuropediatra.
    Sonhamos muitas coisas quando estamos grávidas. Idealizamos… Julgamos outras mães… Depois de tudo o que passei, aprendi que, no fim das contas, o que importa mesmo são as grandes coisas, como a vida, a saúde, o amor. O resto a gente dá um jeito, a gente contorna. Sim, depois de viver essa experiência, coloquei a amamentação na categoria do “resto”. E assim pude superar a frustração e me dedicar de corpo e alma a essa nova vida que tanto precisa de mim. Com peito ou não.

  15. Priscilla disse:

    Muito interessante o comentário sobre as amas de leite. Nunca havia pensado sobre isso! As xiitas defensoras da amamentação exclusiva defendem que a humanidade só sobreviveu graças ao leite materno. Sim, isso é verdade! Mas se esqueceram que o leite materno pode ter vindo de outra fonte, que não a mãe. Estou enfrentando graves problemas para amamentar e realmente já tentei tudo o que estava ao meu alcance, exaustivamente. A frustração é enorme! Talvez a maior culpa que eu vá carregar por toda a minha vida, com certeza. É insuportável a dor de saber que não fui o bastante para vencer todas as dificuldades. Mas me questiono muito até que ponto devemos insistir em algo que simplesmente não está funcionando. As ideologias cegas às vezes atrapalham pois acabam por desconsiderar as peculiaridades de cada um. Não, não sou uma mãe preguiçosa, insolente ou fraca. Deus viu cada lágrima derramada em prol de amamentar o meu filho. Meu marido é testemunha viva do meu esforço. E meu filho, embora tenha apenas 19 dias e ainda não seja capaz de entender o que está acontecendo, um dia saberá das tentativas desesperadas e insistentes que fiz (e ainda vou fazer por longos e longos dias até que eu aceite finalmente a realidade). Mesmo assim, não consegui! Sou uma derrotada? Talvez! Mas sou valente o suficiente pra colocar meu filho acima do meu orgulho. Se não deu para amamentar, puxa, então preciso de uma alternativa!! Os longos dias de insistência acabaram por estressar meu bebê e deixá-lo faminto. Até onde eu devo insistir? Os longos dias de insistência me deixaram muito além de toda a minha capacidade física e emocional de suportar qualquer coisa! E então? Continuou insistindo nas ideologias da maternagem? Continuo sonhando com aquela imagem bonita da Nívea Stellman amamentando sorridente, maquiada e feliz? Ou parto pro plano B? Infelizmente não tenho uma ama de leite que possa me ajudar a amamentar meu filho. Se houvesse eu com certeza daria um jeito de conseguir que ela viesse aqui e nutrisse meu filho com o melhor alimento do mundo. Mas não há! Então tenho que me render à indústria farmacêutica. Sim, eu também não gosto da indústria farmacêutica. Sei que existe muita pilantragem por trás disso. Mas também existe muitos sobreviventes que se beneficiaram desta indústria. E agora? O que eu faço? Sim, eu vou me culpar pra sempre! Talvez um dia eu até me arrependa. Mas tenho plena consciência que fiz o que pude e que estava disponível para mim neste momento. Mas não deu! Não deu e ponto!!! Acabou!!! Que a culpa me consuma pra sempre, mas preciso ver meu filho crescendo e se desenvolvendo, de um jeito ou de outro.

    • Ketly disse:

      Não se sinta culpada, Priscilla. sei que o primeiro sentimento é esse, tb senti quando tive que começar a complementar, recebi críticas, mas o que importa é que vc tentou e agora, seja com leite materno ou fórmula, seu filho cresça saudável. Tenho uma amiga que adotou um recém nascido e ele foi criado com fórmula é bem por isso é menos saudável ou menos inteligente que qq outra criança. Acho importante ter campanhas de amamentação, mas a maioria, como a que vc citou, mostra um “glamour” que não existe e que deixam as mães que por qq motivo não puderem amamentar mais frustadas.

  16. Paula disse:

    Adorei seu blog!
    Parabéns pelos textos!

    Acho que nós queremos cuidar de nossos filhos a nossa maneira.
    Mas também que devemos ouvir certos conselhos que na maioria das vezes são de alguém que já foi mãe e sabe muito bem da situação!!
    Serei mãe de primeira viagem (17 semanas) e sei que em determinados momentos estarei diante de situações que ficarei perdida!
    Terei que ouvir alguém, precisamos abaixar a “crista” e ouvir!
    É muita “auto suficiência”, muita falta de humildade de certas mães..

  17. Sílvia disse:

    Parabéns pela realidade do seu blog. Ele retrata bem nosso dia a dia, as dúvidas, os medos, inseguranças e as frustrações. Logo após o nascimento da minha filha tive dificuldade para amamentar, pois tinha pouco leite. Acabei entrando com complemento, por não suportar o desespero da minha bebê de fome. Entrei num grupo virtual de amamentação que, no lugar de me ajudar, me atrapalharam bastante, graças exatamente a este extremismo. Eu tentava exaustivamente que ela mamasse mesmo sem ter leite, o que era desgastante demais pra ela e pra mim. Meus seios ficaram na carne viva e eu chorava desesperadamente por não conseguir amamentar. Toda a pressão de ficar só no LM me deixou muito estressada, o que acredito que tenha afetado (e muito) minha produção. Vi seu depoimento sobre a complementação que você fez pra sua bebê, conversei com outras mães e desencanei. Aos poucos meu leite foi aumentando e eu retirando a fórmula, ao passo que hoje minha filha só se alimenta do meu leite. Não existe um manual pra maternidade. Cada mãe sabe da sua realidade e isso deve ser respeitado.

  18. Rochelly disse:

    Oiii. Gosto muito do seu blog e sempre leio, é a primeira vez que comento, mas acho que farei isso sempre. 🙂
    Li também os comentários, e senti vontade de compartilhar a minha história.
    Com 40 semanas e 4 dias de gestação, minha princesa veio ao mundo de parto natural, da maneira que eu queria. Após isso mais um sonho ia se realizar que era amamentar. Mas ela nasceu muito pequena e não realizava a pega corretamente. Sofri, pois machucou demaaaais meu seio e ela sofria pq não saciava a fome. Ela chorava, não dormia muito. Minha sogra, meu marido e minha mãe sempre comigo me dando força. E eu não queria complementar. Queria aleitamento exclusivo. Até que meu marido, como sempre carinhoso e calmo, conversou comigo e disse que eu não seria menos mãe ou fraca por complementar com fórmula. Então, mesmo chorando, eu dava mamadeira e falava pra ela e pra ele a cada mamadeira que era temporário, só até ela fazer a pega corretamente e mamar apenas meu peito. E graças a Deus e ao apoio do meu marido eu consegui, ela ficou mais forte, o meu bico finalmente saiu por completo e hoje é só mama o meu leite. E é a minha riqueza.
    Tenho amigas que tiveram bebê na mesma época que eu. E não conseguiram, antes de passar por isso eu achava que mães não amamentavam porque não queriam, hoje entendo que nem sempre é possível, tem mães que o leite não é o suficiente, tem bebês que não querem o peito. E em nenhum desses casos uma mãe é melhor ou pior que a outra, todas fazem de tudo pra seu bebê crescer forte e saudável. E depois que conversei com essa amiga, ela ficou mais tranquila e dava a mamadeira sem culpa. Tudo por nossos filhos.

    Parabéns pelo blog.
    Beijinho.

    • Nívea Salgado disse:

      Oi, Rochelly,

      Que lindo seu depoimento, muito obrigada por compartilhá-lo!

      Tenho certeza de que ajudará muitas leitoras que passarem por aqui.

      Grande beijo e apareça sempre,

      Nívea

  19. keila disse:

    Não consegui abrir o arquivo sobre as amas de leite, alguém pode me enviar? keilamiranda07@gmail.com

  20. Eduarda disse:

    Não consegui amamentar como esperava (tenho mamilo invertido) e sempre me sinto um lixo por causa disso. Vai ser uma frustração que vou carregar para o resto da vida. É horrível você ver todas na maternidade dando o peito normalmente e só você não conseguir, me sentia uma aberração 🙁

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