Tabaco, álcool e outras drogas

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Conversando com a Dra. Bianca Lundberg, nossa querida médica colaboradora para assuntos relacionados à puberdade e adolescência, ela sugeriu um tema importantíssimo para o blog: o uso de tabaco, álcool e (outras) drogas. Como profissional da saúde, sei como essas substâncias podem ser extremamente prejudiciais para a vida de um jovem, trazendo consequências que podem modificar (para pior) o resto de sua vida. Por isso, independente da idade de seu filho hoje, gostaria do fundo do coração que você colocasse atenção nos dados que apresentamos a seguir. É com uma maternidade/paternidade atuante, que acompanha o desenvolvimento dos filhos, muitas vezes impondo limites, que damos condições para que eles cresçam saudáveis e felizes!

fumo

Por Dra. Bianca Lundberg

Neste post eu resolvi abordar um assunto delicado com vocês: o uso de tabaco, álcool e drogas. E para demonstrar a extensão do problema juntos aos nossos jovens, trouxe dados de uma pesquisa de 2012 (PeNSE 2012), realizada em todo o Brasil, com alunos de escolas públicas e privadas do nono ano (adolescentes de aproximadamente 14 anos).

Em relação ao tabaco, 19,6% dos pesquisados já o haviam experimentado pelo menos uma vez, 15,4% desses com 13 anos ou menos. Não houve diferença na distribuição entre moças e rapazes (ou seja, as meninas e os meninos experimentaram o tabaco igualmente).

Pesquisando o álcool, o resultado de experimentação pulou para 66,6% (com mais de 50% já tendo tomado 1 dose inteira da bebida). Vejam que dado importante: 26% dos adolescentes relataram consumo nos 30 dias anteriores (sugerindo uso frequente e não pontual), realizado em festas, com os amigos, onde o próprio adolescente comprou a bebida ou a conseguiu em sua casa.

Passando para as drogas, 7,6% dos alunos já haviam experimentado alguma substância (maconha, cocaína, lança-perfume, crack ou ecstasy). A maconha foi a droga escolhida em 34,5% dos casos.

A maioria dos jovens tinha percepção e consciência de que a família reprovava todos esses comportamentos (ou seja, eles sabiam que era errado).

Temos que saber que o tabaco é uma das causas mais importantes de morte no mundo de hoje. Geralmente o adulto fumante teve seu primeiro contato na adolescência. O cigarro pode ser porta de entrada para o uso de outras substâncias (costume de fumar e beber nas baladas, por exemplo). O jovem deve ser informado que não só o cigarro faz mal, outras formas de tabaco também – uma vez perguntei sobre cigarro a uma moça e a resposta foi “de jeito nenhum, odeio cigarro, eu só uso narguilé (cachimbo de água)”.

O consumo de álcool, por sua vez, é mais estimulado pela sociedade, e até aceito pela família (brindar no Ano-Novo, dividir uma latinha de cerveja com o filho…). Infelizmente, o baixo custo e a facilidade na aquisição de bebidas trazem o álcool para o cotidiano do jovem: nas festas, baladas, botecos, mercados e casas. O adulto MADURO geralmente bebe para apreciar o sabor, o momento. O adolescente bebe para se enturmar, se desinibir, conseguir conversar com alguém, para ganhar dos amigos na bebedeira… Enfim, para ficar bêbado. E isso é um passo para os acidentes e brigas, para a perda de controle, e até para uso de drogas.

O jovem geralmente se interessa pelas drogas, pois vê somente o efeito “bom” delas nas pessoas ( apesar das tentativas da sociedade para que ele diga “não”): o amigo fica mais esperto, ou mais relaxado, mais feliz, se esquece das preocupações…Se no círculo de amigos isso é aceito e esperado, é difícil o adolescente resistir. Nessa categoria das drogas também entram os medicamentos controlados, as anfetaminas e os anabolizantes (os últimos muito comuns atualmente para a melhora da aparência física e performance).

Como saber se seu filho pode virar dependente de tudo isso? Bom, a experimentação e uso recreativo podem começar e terminar na juventude, ou virar vício e se estender para a vida adulta. Não temos como determinar com certeza absoluta. Como o adulto usuário de tabaco, álcool e drogas geralmente teve o primeiro contato na juventude, é importantíssimo que os pais estejam atentos e atuantes junto a seus filhos nessa fase.

Existem alguns fatores de proteção: família próxima que tem diálogo e limites claros desde cedo, a presença de alguma religião e a prática de esportes (exceto para o uso dos anabolizantes). Por outro lado, os jovens estão em maior risco quando: a família e/ou amigos fazem uso das substâncias, a dinâmica familiar é ruim, o desempenho na escola é insatisfatório, há baixa autoestima, entre outros.

E o que pode ser feito para que as consequências não sejam tão devastadoras?

-lembre-se de que a PRIMEIRA referência de seu filho ou filha é você, apesar da adolescência trazer dezenas de outras referências;

-informe-se sobre o tabaco, álcool e drogas;

-conheça as amizades de seu filho/filha, que lugares frequentam, seus hábitos;

-acompanhe o desempenho escolar de seu filho e em outras atividades;

-converse sobre suas preocupações, imponha limites, sempre tentando estabelecer uma relação de confiança. A reação do jovem pode não ser boa, deixe-o pensar sobre o discutido e retome a conversa. Não espere pelo momento certo para conversar, ele não existe.

-dê exemplos de problemas a curto prazo para convencer o adolescente: brigas, acidentes e perda de controle sobre a própria vida.

bianca




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Comentários (1)

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  1. Lygia Camargo disse:

    Parabéns, seu trabalho é da maior importância para todos nós, cidadãos, pais, avós!

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