A falta de eletricidade e a filha que dorme bem

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dormindo

Hoje ficamos sem luz aqui em casa (aliás, estou escrevendo esse post no iPad, iluminada apenas pela luz da tela do tablet e por duas velas). Como meu marido só voltaria para casa mais tarde, ficamos, eu e Catarina, na escuridão, tendo uma à outra como companhia. É nessas horas que percebo o quanto a vida moderna nos afasta de uma rotina mais simples e tranquila. Se estivéssemos com eletricidade, teríamos assistido a algum desenho animado, ou brincado até mais tarde. Mas na falta de outra opção, sentamos no sofá para contar historias, ou simplesmente apreciar a chuva que caía lá fora.

Em geral, Catarina leva muito tempo para pegar no sono. Mas hoje, com essa horinha de poucas palavras, muito carinho e meia luz, a pequena se entregou muito mais rápido. O que confirma a tese da minha mãe, de que “essa garota não dorme porque você a estimula demais. Tem que baixar a luz da casa toda na hora de colocá-la na cama!”.

Temos uma rotina da hora de dormir (com banho, pijama, leite, escovar os dentes, xixi e finalmente cama), mas a verdade é que tudo acontece em alta velocidade. Porque paralelamente a isso, a casa está super acesa: televisão ligada, computador, jantar dos adultos… No fundo eu sei que isso interfere no sono de Catarina, principalmente porque ela quer participar das conversas, ver o pai que chegou em casa e sentir- se parte da família. Mas ao mesmo tempo não consigo desligar a casa toda para que ela desacelere aos poucos.

Não há como negar que os hábitos familiares mudaram, e que provavelmente por isso as crianças durmam muito menos hoje do que se dormia na minha infância. Não participávamos da maioria das conversas familiares até nos aproximarmos da adolescência (não que isso tenha me feito muita falta, principalmente porque tenho duas irmãs, portanto companhia de mesma faixa etária constante). Mas se Catarina não conversar com os pais, com quem mais trocará ideias por aqui? Engraçado esse mundo dos filhos únicos, em que ficam rodeados por adultos, mas sem poder seguir a mesma rotina. E daí surge o conflito (“não quero dormir, não estou com sono, quero ficar na sala”), principalmente para os filhotes mais insistentes, ou, digamos, mais animados!

Apesar de lamentar que o microondas não funcione para esquentar as travessas, que esteja perdendo o capitulo da novela (sim, eu voltei a ter o direito de ver a novela das 9! Não é que algumas coisas realmente voltam ao normal depois da maternidade – com exceção da barriga, que fique claro!) e que o Wi-Fi não possa ser usado (vida de blogueira sem internet decente é uma caos!), admito que a ausência da luz propiciou um fim de dia maravilhoso. Se não dá para ser calmo assim todos os dias, que saibamos aproveitar quando essas oportunidades aparecem!




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Comentários (5)

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  1. Tamara disse:

    AMO “Não é que algumas coisas realmente voltam ao normal depois da maternidade – com exceção da barriga, que fique claro!”. Hahaha!

  2. Ana Papp disse:

    Em casa às 20h30 a casa começa a desacelerar, desligamos a TV, escovamos os dentes, lemos uma historinha já a meia luz, rezamos com as luzes apagadas e sono profundo!!! Só depois de dormirem ligo de volta a TV e volto para o computador terminar alguma pendência do trabalho.

  3. O relato acima faz com que a nossa infância venha fazer um paralelo ao acontecido. Falo a nossa infância pq nos dias de hoje é quase impossível "nos" disciplinarmos.

  4. Fernanda, sua rotina para colocar Catarina (nome lindo) para dormir, me fez lembrar da minha rotina, há 35 e 33 anos. Sempre, deitava com meus filhos para fazê-los dormirem, quando pequenos; cantava sempre uma música de Dorival Caymmi que tinha como versos “Vento que balança as folhas do coqueiro /Vento que encrespa as ondas do mar/ Vento que assanha os cabelos da morena/ Me traz notícias de lá . E, às vezes, dormia, e meu filho me acordava dizendo ” mamãe, vc está errando a música”. Contava também histórias. Tinha um livro de histórias, com 365 histórias. Cada dia uma historinha. Quanto tempo!!! Hoje, tenho um netinho maravilhoso, de 4 aninhos. Que mora longe de mim. Sinto muitas saudades!!

  5. Ai, querida, preciso mandar sua afilhada passar um mês na sua casa! Quem sabe ela não volta reprogramada? Beijos!

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