Sobre os sentimentos da nossa mudança

Por 2 Comentários


Mudar não é fácil. Não estou falando apenas da nossa recente mudança de casa, não, mas sim de todas aquelas que precisamos enfrentar em nossas vidas. Não é fácil crescer, amadurecer, ganhar dentes, aprender a andar, a falar, a ler… Já pensou em todas as mudanças pelas quais nossos pequenos passam, nos primeiros anos de vida? Algumas dessas modificações nós percebemos serem sofridas, outras só nos damos conta quando já aconteceram. Mas é quando você precisa mudar junto com seu filho que você percebe que é difícil pra caramba, minhas amigas.

Mudamos, enfim! A expectativa de um ano inteiro se concretizou, e cá estamos nós na casa nova. E se eu disser para vocês que a transição foi suave, tranquila, vou estar mentindo. Mas eu sabia que seria assim, pois sou aquele tipo de pessoa que sente muito as despedidas. Da casa antiga, das lembranças guardadas em cada cômodo, da escola que Catarina frequentava, dos amigos. Tanto é que, nas primeiras 24 horas pós-mudança, eu teria desistido, se isso fosse possível. Como numa cena de filme, dirigi até o lar antigo com as lágrimas correndo soltas, e cheguei a pensar em mil argumentos para que o comprador desistisse do negócio. Agora, lembrando, chega a ser cômico!

Obrigada à Franelis por todo o apoio na mudança! Vocês foram ótimos!

Engraçado como mudar é ter que se reencontrar no novo local que você escolheu. Por outro lado, é uma ótima oportunidade de se redescobrir, já que longe das referências externas antigas, tendo que montar novamente um lar, você precisa saber o que quer, o que não quer, o que deseja para sua família, para seu filho! E nessa mudança de casa eu mantive boa parte da Nívea antiga, mas descartei também aquilo que já não servia mais (e estou falando de muito mais coisas do que roupas e objetos!).

Mudar é ver que o filho sente saudade dos amiguinhos do condomínio, dos programas que você fazia no bairro, e até das atividades que aconteciam em um local específico, que já não faz parte da sua vida. Vamos ter que adaptar a brincadeira das princesas que pegavam seus cavalos (de madeira, no parquinho do prédio antigo), e corriam pela floresta até encontrarem seus castelos.

Mudar é dar valor a coisas que você tinha, e que você nem imaginava serem tão bacanas! Como o silêncio ou o barulho dos passarinhos, logo pela manhã. Mas é também descobrir novos locais para passear, e tirar aquela peça de decoração que você nunca usou do fundo do baú (mas não é que ela combina perfeitamente com o estilo do lugar?).

Mudar é sentir um medo danado de ter tomado a decisão errada. Porque você já estava acomodada à casa antiga, já conhecia todos os pontos positivos e negativos de morar ali, da escola do bairro que você escolheu para seu filho estudar, já tinha uma rede de apoio de amigas, mães dos coleguinhas da sua filha (e era tão bom!). Na casa nova você demora até para conhecer os vizinhos do mesmo andar, quanto mais para ter liberdade de pedir uma cebola no meio de uma receita, porque a geladeira esvaziou.

Mudar é se deparar com o caos, com mil caixas de papelão recheadas com as suas coisas, que nunca parecem ir embora (olha que você passa dias e dias guardando tudo, mas não acaba!). É não saber onde está uma simples folha de papel sulfite, para o filho fazer um desenho.

Mudar é perder a paciência tentando transferir linha telefônica e internet. Mas é também um bom momento para conseguir um plano mais barato, que te atende melhor!

Mudar, depois do choque inicial, é bom demais! É olhar para a frente e perceber que você pode escrever um enredo diferente com os mesmos personagens, e que é divertido exatamente porque você ainda não sabe todo o desenrolar da história. Mas sabe que o final será feliz!

Nascer do sol na casa nova! Para mim, mais do que uma imagem, o símbolo do início de uma nova fase!

Eu e Cacá na casa nova! Descobrindo novas brincadeiras!




Arquivado em: Nossa história Tags:

Comentários (2)

Trackback URL

  1. Eliete disse:

    Olá! Adorei o seu relato, eu passei por uma mudança bem radical no ano passado, em fevereiro essa mudança completa 2 anos. Eu e minha família mudamos para os EUA, no início senti muito medo e pensava muito nas crianças mas graças a Deus elas se saíram bem melhor do que eu. Hoje estamos adaptados a quase tudo, ainda sinto muita falta da comida e do calorzinho baiano mas aqui estamos num lugar com mais oportunidades, cidade mais tranquila, vejo q fizemos a coisa certa e no momento certo. Amo os seus posts, super me identifico com eles. Bjs

  2. Fabiana disse:

    Olha, estou passando por isso é VC descreveu exatamente minhas angústias… Achei que era só eu…. Obrigada!

Deixe seu comentário

Receba nossas dicas por e-mail