Animais de estimação na família: tudo o que você precisa saber sobre o assunto!

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Eu me lembro até hoje do dia em que eu e minhas irmãs ganhamos uma cachorrinha. Como foi um presente-surpresa (e que surpresa!) de uma pessoa da família, minha mãe passou mais de uma hora com os olhos arregalados, enquanto minhas irmãs se apaixonaram instantaneamente pelo novo membro da casa. Eu fiquei ali, sem saber o que pensar – se por um lado ela era a coisa mais fofa do mundo, por outro eu já conseguia estimar que ela necessitaria de muitos cuidados. No fim, Tilim (que se chamou assim porque na época a fada Tinker Bell era conhecida como Tilim-tim ou Sininho), ficou conosco 14 longos anos, foi muito amada e mora em nossos corações para sempre.

Essa bonitinha aqui é a Peggy, que chegou à família depois da Tilim e que recebe Catarina na casa da vovó

Essa bonitinha aqui é a Peggy, que chegou à família depois da Tilim e que recebe Catarina na casa da vovó

Conto isso, porque já recebi inúmeros pedidos de leitoras para que eu falasse sobre a chegada de um animal de estimação à família. Elas trouxeram dúvidas muito interessantes, e que, imaginei eu, seriam as mesmas de tantas mães que acompanham o blog. Por isso, entrei em contato com a equipe da Cão Cidadão, criada em 1998 pelo zootecnista Alexandre Rossi (que comandou o quadro Dr. Pet (Rede Record) e, atualmente,  apresenta o programa Missão Pet (no canal por assinatura National Geographic) e o quadro Desafio Pet (no Programa Eliana, SBT). A organização é referência em consultas de comportamento e adestramento em domicílio (além disso, minhas duas irmãs tiveram excelentes experiências com o trabalho de seus adestradores junto a seus animais).

E então, quer saber o que fazer se você já tem um animal de estimação e tem um bebê a caminho? Se existe uma raça mais indicada para quem tem criança em casa? O que fazer se seu filho pediu um animal de estimação? Todas essas respostas foram dadas pela adestradora e consultora comportamental Cassia Rabelo Cardoso dos Santos, da equipe da Cão Cidadão, a seguir.

 

Quais os benefícios de se ter um animal de estimação, principalmente no que se refere ao desenvolvimento das crianças?

A companhia de animais de estimação estimula as crianças em vários aspectos: responsabilidade, cuidado com outro ser vivo, familiarização com outra espécie. Do ponto de vista da saúde, pesquisas também já comprovaram que crianças que convivem com animais desde a mais tenra idade estão menos sujeitas a alergias do que aquelas que nunca conviveram com nenhum animal.

 

Pode-se dizer que existe uma raça de gato/cachorro mais adequada para diferentes faixas etárias das crianças? Se sim, quais são as raças que mais se adequam a famílias com bebês? E quais se adequam melhor a famílias com crianças pequenas?

Na verdade, não são as raças de cães e/ou gatos que mais se adequam a bebês ou crianças, mas sim a idade em que estão as crianças. Nesse sentido, se a família nunca teve um animal de estimação, o ideal é que um pet seja trazido para o convívio com a família quando a(s) criança(s) da casa já tenha(m) ao menos cinco anos de idade, pois, nessa fase, são capazes de compreender melhor as necessidades e cuidados que um pequeno animal de companhia demanda. De qualquer forma, se a família já tem um animal de companhia, seja ele cão ou gato, quanto mais sociabilizado ele for (ou seja, mais habituado à convivência com vários estímulos, inclusive com os próprios seres humanos), maiores serão as chances de essa convivência ser bastante proveitosa.

 

É possível dizer quais raças de gato/cachorro não são adequadas para famílias com bebês ou crianças pequenas ou isso é um mito?

Algumas raças de cães e gatos tendem a ser mais tolerantes a estímulos diferentes, como à interação com bebês. Mas, de qualquer forma, o fator preponderante para essa convivência ter maiores probabilidades de dar certo diz respeito mais a uma boa sociabilização do pet quando filhote, do que à raça propriamente dita. A família pode ter um pet de raça conhecidamente mais tolerante com crianças, mas, se na fase de filhote ele não tiver sido habituado à convivência com elas, através de experiência positivas, podem surgir problemas.

 

Adotar um animal sem raça definida é uma boa opção para a família?

Qualquer que seja o pet escolhido, com ou sem raça definida, pode ser uma boa opção, desde que se invista bastante em uma boa sociabilização na idade correta (filhote). Lembrando sempre que crianças devem ser sempre supervisionadas quando interagirem com qualquer animal.

 

O adestramento do animal de estimação é recomendado principalmente para quais situações? É possível o adestramento em qualquer idade do animal?

O adestramento certamente ajuda a melhorar a convivência entre o pet e a família, mesmo que não existam problemas comportamentais específicos. Através dos treinos de adestramento, cria-se uma forma de comunicação eficaz entre o animal e a família. E a capacidade de aprendizado do animal de companhia perdura durante toda sua vida. Basta ter paciência e persistência nos treinamentos.

 

Como deve ser a socialização entre o bebê/a criança e o animal? Quais os principais cuidados que se deve tomar?

A dica principal é sempre associar a presença do bebê/crianças a consequências muito prazerosas para o animal.  Muitos acreditam que o pior que pode ocorrer com a chegada do nenê é o ciúme que o cão possa vir a sentir do pequeno “humaninho”. Mas, na verdade, os problemas comportamentais surgem em razão da ansiedade gerada pelas mudanças drásticas que ocorrem na rotina e na interação do cão com a família.  Dessa forma, para evitar modificações bruscas, o ideal é que as mudanças no dia a dia (horários de passeios, alimentação, etc.) já ocorram gradativamente durante a gravidez, programando uma rotina com os cães que seja compatível com a presença de um bebê em casa.  Com relação às crianças, deve-se mostrar aos filhos que os animais também sentem dor, desconforto, precisam de um horário para dormir e comer, e não devem ser importunados o tempo inteiro. É importante também sempre criar situações positivas para os cães quando estiverem interagindo bem com as crianças, recompensando-os pelos comportamentos adequados.

 

Como proceder em caso de ciúmes do animal em relação a algum membro da família?

Geralmente, situações que geram ciúmes surgem porque o animal se sente em desvantagem em relação à situação. Isso pode ocorrer, por exemplo, quando, na presença de um bebê ou criança, o pet não receba tanta atenção e passa a associar a presença deles com algo ruim. Por isso, deve-se fazer exatamente o contrário: quando bebês e crianças estiverem presentes, o pet deve receber bastante atenção, petiscos e brinquedos que valorize muito.

 

É muito comum ver crianças pedindo a seus pais um animal de estimação. O que deve ser principalmente levado em conta para tomar essa decisão?

A decisão de trazer um animalzinho para casa deve ser analisada com cuidado. Trata-se de um ser com necessidades específicas, que viverá bastante tempo e precisa ter garantido seu bem-estar. Assim, “presentear” uma criança com um animal de estimação envolve muito mais cuidados e planejamento do que comprar um brinquedo. É importante verificar se a família toda tem o desejo de ter um animalzinho como companhia, refletindo sobre todos os cuidados que envolverá o dia a dia de todos.

 

Qual é o papel da família na criação de um animal de estimação?

Todos os membros da família devem estar cientes de que o animal de estimação possui necessidades específicas e que elas devem ser garantidas, visando uma boa convivência entre todos. Com esse pequeno cuidado, a parceria entre a família e o pet tende a ser bastante prazerosa e proveitosa para todos.

 

* Agradecimentos à Cassia Rabelo Cardoso dos Santos por ter compartilhado conosco tanto conhecimento. 




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Comentários (2)

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  1. Melhores amigos! : Mil dicas de mãe | 15 de abril de 2014
  1. Tamara Foresti disse:

    To achando que a Catarina vai ganhar um irmãozinho de 4 patas 😉

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