A maternidade e as amizades – reflexões de Ano Novo

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Época de fim de ano, para mim, sempre é nostálgica. Eu paro para fazer um balanço do último período, de tudo o que acho que foi positivo e aquilo que gostaria de modificar para os próximos 365 dias. Embora a passagem do dia 31 de dezembro para 01 de janeiro seja simbólica, pois são dias como quaisquer outros, a esperança na renovação reaparece, como se pudéssemos fazer tudo diferente (e podemos! Aliás, podemos sempre!). Por isso há alguns dias venho pensando nas coisas que ficaram para trás, e foi inevitável a lembrança de alguns amigos que já não fazem parte do meu dia-a-dia.

A maternidade é uma dádiva na vida de uma mulher. Ganha-se muito, aprende-se como nunca se havia imaginado ser possível! Mas, pelo menos enquanto os filhos são pequenos, exige bastante da mãe. Hoje eu posso dizer que praticamente não tenho tempo livre: se não estou exercendo meu papel materno, estou cuidando do marido, da casa, trabalhando… E quando chega finalmente o fim de semana, é muito provável que as poucas horas de descanso sejam compartilhadas com um número pequeno de pessoas: pais, sogros, irmãos, cunhados e alguns amigos. E aquela amiga da época de faculdade de quem você morre de saudades? Ou a outra, que você encontrou por acaso no mês passado e com quem ficou de marcar um café? Pois é, nem sempre foi possível encontrá-las, embora a vontade continue grande…

Eu me lembro de quando ainda não tinha filhos e vi algumas amigas “sumirem”, depois que viraram mães. E me perguntava se comigo iria acontecer o mesmo. Sinceramente, eu sentia com certa tristeza o distanciamento, mas não o julgava. Conhecia-me bem o suficiente para saber que eu tentaria colocar em prática uma rotina, que não combinaria com saídas noturnas, por exemplo. Há um certo tempo (quando Catarina tinha cerca de 1 ano), uma de minhas irmãs mais novas (que ainda não tem filhos), me questionou se de fato era necessário tanto rigor, se eu não poderia participar mais de alguns eventos familiares marcados no período da noite. E respondi que aquele poderia não ser o modelo adotado por muitas mães, mas definitivamente era o que eu tinha escolhido para minha filha, até que ela tivesse idade para participar sem choros, manhas ou uma criança levada à exaustão. Progressivamente, voltei a ter uma vida social mais ativa (agora com 3 anos, Catarina já consegue ir a casamentos, festas, etc), mas ainda com limitações. Ao invés de terminar a noite do réveillon tomando café da manhã às 5 h como era de costume, nossa festa foi até à 1 h, e eu achei que estava de ótimo tamanho.

Se por um lado a maternidade pode nos afastar de alguns amigos, ela cria espaço para que outros entrem em nossa vida, ou fortalece laços já existentes. Não há nada mais gostoso do que sentar com outra mãe e bater um longo papo, pois nessa troca você aprende, ensina, dá risada, vê lágrimas brotarem… É a mãe da amiguinha da escola, a vizinha que tem filhos que batem à sua porta para brincar, e até a amiga de longa data, que também está na fase de achar que a seção infantil da livraria é dos programas mais excitantes para um fim de semana. Basta que você respeite o jeito que cada uma escolheu para exercer o papel de mãe (porque senão vira uma fogueira de vaidades ou pior, uma briga de torcida – porque parto, amamentação e outros assuntos maternos podem criar tanta discussão quanto futebol, política ou religião) e deixe as crianças brincarem (elas são ótimas nisso!).

Com esse post não estou querendo dizer que não seja importante alimentar as amizades de todos os tipos, inclusive com as amigas que ainda não são mães. Muito pelo contrário! Que em 2014 eu possa ter muitos reencontros! E se você, amiga de quem ando sumida, estiver lendo essas palavras, me ligue ou escreva! Está mais no que na hora de colocar em prática esse desejo de Ano Novo!

amigas




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