Ao ter contato com o universo literário, a criança amplia seu vocabulário, levanta hipóteses sobre as palavras que desconhece, se inspira no modelo do adulto leitor, estimulando o hábito da leitura, e estrutura suas narrativas. Conte para seu filho (a) a história da chapeuzinho vermelho!

Ela também tem contato com diferentes culturas, amplia seu repertório visual, por meio das imagens e ilustrações dos livros, e tem a possibilidade de construir mundos possíveis, processo em que a imaginação será a norteadora das grandes aventuras que a criança viverá.

A contação de histórias é uma ação que entretém, orienta e instiga a criança de uma forma divertida, além de contribuir com a formação de seu caráter e auxiliar nos momentos de frustrações, a partir da representatividade dos personagens nas narrativas.

A história da chapeuzinho vermelho

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Houve, uma vez uma graciosa menina; quem a via ficava logo gostando dela, assim como ela gostava de todos; particularmente, amava a avozinha, que não sabia o que dar e o que fazer pela netinha.

Certa vez, presenteou-a com um chapeuzinho de veludo vermelho e, porque lhe ficava muito bem, a menina não mais quis usar outro e acabou ficando com o apelido de Chapeuzinho Vermelho. Um dia, a mãe chamou-a e disse-lhe:

Vem cá, Chapeuzinho Vermelho; aqui tens um pedaço de bolo e uma garrafa de vinho; leva tudo para a vovó; ela está doente e fraca e com isso se restabelecerá.

Põe-te a caminho antes que o sol esquente muito e, quando fores, comporta-te direito; não saias do caminho, senão cais e quebras a garrafa e a vovó ficará sem nada.

Quando entrares em seu quarto, não esqueças de dizer “bom-dia, vovó,” ao invés de mexericar pelos cantos.

Farei tudo direitinho, – disse Chapeuzinho Vermelho à mãe, e despediu-se.

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A avó morava à beira da floresta, a uma meia hora mais ou menos de caminho da aldeia. Quando Chapeuzinho Vermelho chegou à floresta, encontrou o lobo; não sabendo, porém, que animal perverso era ele, não sentiu medo.

-Bom dia, Chapeuzinho Vermelho, – disse o lobo todo dengoso.

-Muito obrigada, lobo.

-Aonde vais, assim tão cedo, Chapeuzinho Vermelho?

-Vou à casa da vovó.

-E que levas aí nesse cestinho?

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-Levo bolo e vinho. Assamos o bolo ontem, assim a vovó, que está adoentada e muito fraca, ficará contente, tendo com que se fortificar.

-Onde mora tua vovó, Chapeuzinho Vermelho?

-Mora a um bom quarto de hora daqui, na floresta, debaixo de três grandes carvalhos; a casa está cercada de nogueiras, acho que o sabes, – disse Chapeuzinho Vermelho.

Enquanto isso, o lobo ia pensando:

“Esta meninazinha delicada é um quitute delicioso, certamente mais apetitosa que a avó; devo agir com esperteza para pegar as duas.”

Andou um trecho de caminho ao lado de Chapeuzinho Vermelho e foi insinuando:

-Olha, Chapeuzinho Vermelho, que lindas flores! Por quê não olhas ao redor de ti? Creio que nem sequer ouves o canto mavioso dos pássaros! Andas tão ensimesmada como se fosses para a escola, ao passo que é tão divertido tudo aqui na floresta!

Chapeuzinho Vermelho ergueu os olhos e, quando viu os raios do sol dançando por entre as árvores, e à sua volta a grande quantidade de lindas flores, pensou:

“Se levar para a vovó um buquê viçoso, ela certamente ficará contente; é tão cedo ainda que chegarei bem a tempo.”

Chapeuzinho saiu da estrada e penetrou na floresta

Saiu da estrada e penetrou na floresta em busca de flores. Tendo apanhado uma, achava que mais adiante encontraria outra mais bela e, assim, ia avançando e aprofundando-se cada vez mais pela floresta a dentro.
Enquanto isso, o lobo foi correndo à casa da vovó e bateu na porta.

-Quem está batendo? – perguntou a avó.

-Sou eu, Chapeuzinho Vermelho, trago vinho e bolo, abre-me.

Levanta a taramela, – disse-lhe a avó; – estou muito fraca e não posso levantar-me da cama.

O lobo engoliu a vovó

chapeuzinho vermelho

Desenho com Chapeuzinho vermelho e o lobo

O lobo levantou a taramela, a porta escancarou-se e, sem dizer palavra, precipitou-se para a cama da avozinha e engoliu-a. Depois, vestiu a roupa e a touca dela; deitou-se na cama e fechou o cortinado.

Entretanto, Chapeuzinho Vermelho ficara correndo de um lado para outro a colher flores. Tendo colhido tantas que quase não podia carregar, lembrou-se da avó e foi correndo para a casa dela. Lá chegando, admirou-se de estar a porta escancarada; entrou e na sala teve uma impressão tão esquisita que pensou:

“Oh, meu Deus, que medo tenho hoje! Das outras vezes, sentia-me tão bem aqui com a vovó!” Então disse alto:

O lobo engoliu a chapeuzinho vermelho

Bom dia, vovó! – mas ninguém respondeu.

Acercou-se da cama e abriu o cortinado: a vovó estava deitada, com a touca caída no rosto e tinha um aspecto muito esquisito.

-Oh, vovó, que orelhas tão grandes tens!

-São para melhor te ouvir.

-Oh, vovó, que olhos tão grandes tens

-São para melhor te ver.

-Oh, vovó, que mãos enormes tens!

-São para melhor te agarrar.

-Mas vovó, que boca medonha tens!

-É para melhor te devorar.

Dizendo isso, o lobo pulou da cama e engoliu a pobre Chapeuzinho Vermelho.

O caçador aparece e salva a chapeuzinho vermelho

chapeuzinho vermelho

Historia da Chapeuzinho Vermelho em quadrinhos

Tendo assim satisfeito o apetite, voltou para a cama, ferrou no sono e começou a roncar sonoramente.

Justamente, nesse momento, ia passando em frente à casa o caçador, que ouvindo aquele ronco, pensou:

“Como ronca a velha Senhora! É melhor dar uma olhada nela, é ver se está se sentindo mal.”

Entrou no quarto e aproximou-se da cama; ao ver o lobo, disse:

-Eis-te aqui, velho impenitente! Há muito tempo, venho-te procurando!

Quis dar-lhe um tiro, mas lembrou-se de que o lobo poderia ter comido a avó e que talvez ainda fosse possível salvá-la; então pegou uma tesoura e pôs-se a cortar- lhe a barriga, cuidadosamente, enquanto ele dormia.

Após o segundo corte, viu brilhar o chapeuzinho vermelho e, após mais outros cortes, a menina pulou para fora, gritando:

-Ai que medo eu tive! Como estava escuro na barriga do lobo!

Em seguida, saiu também a vovó, ainda com vida, embora respirando com dificuldade. E Chapeuzinho Vermelho correu a buscar grandes pedras e com elas encheram a barriga do lobo.

Quando este acordou e tentou fugir, as pedras pesavam tanto que deu um trambolhão e morreu.

Os três alegraram-se, imensamente, com isso. O caçador esfolou o lobo e levou a pele para casa; a vovó comeu o bolo e bebeu o vinho trazidos por Chapeuzinho Vermelho e logo sentiu-se completamente reanimada; enquanto isso, Chapeuzinho Vermelho dizia de si para si: “Nunca mais sairás da estrada para correr pela floresta, quando a mamãe proibir!”

Lição para os pais

É claro que deixar as crianças fazerem uma viagem pela floresta sozinha parece algo muito distante da nossa realidade – mas, ao mesmo tempo, que pai ou mãe nunca se perguntou qual o momento certo de dar mais responsabilidades e independência para os filhos que estão crescendo?

Nesse sentido, a história da Chapeuzinho Vermelho ensina que os filhos vão errar no caminho, não importa quantas vezes os pais avisem ou deem conselhos. Mas também vão aprender com cada nova experiência.

Por isso, uma lição para os pais é desenvolver o vínculo familiar e afetivo com os filhos.

Quanto mais saudável e próxima a relação entre pais e filhos, mais as crianças confiarão em seus conselhos e sentirão confiança para contar sobre seus erros, pedindo ajuda quando necessário.

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