Essa semana, a Ana Carolina, uma das leitoras do Mil Dicas de Mãe, me mandou um e-mail muito importante: ela contava que teria que retornar ao trabalho em breve e que estava sofrendo com o desmame da filha. Existiam dois grandes problemas: a pequena se recusava a tomar mamadeira e também a ingerir qualquer outro alimento que não fosse leite materno. E aí eu pensei: “puxa, como será que posso ajudar nesse caso?”. Porque a verdade é que o desmame de minha filha Catarina aconteceu de forma muito natural, aos 9 meses de vida. Ela já tomava complemento desde o fim do primeiro mês, portanto já estava adaptada à mamadeira e ao sabor do leite artificial. E após um resfriado mais forte, em que passou alguns dias entupida e sem conseguir mamar direito, meu leite praticamente acabou e ela perdeu o interesse pelo peito. Foi simples assim: ela desmamou, e para mim a amamentação terminou da melhor forma possível – eu estava satisfeita e tranquila.

Aí eu me dei conta que não tinha muitas dicas para dar sobre desmame, principalmente aquelas práticas, que só quem vivenciou o processo intensamente poderia passar. E foi com o objetivo de ouvir mães que realmente entendiam das dificuldades do desmame, que eu postei na fan page do Facebook pedindo ajuda às nossas leitoras. Foram tantas respostas legais, respeitosas, que fiquei muito feliz com o resultado dessa interação, pois percebi que havia sido criado um canal de comunicação que traduzia o espírito do blog desde seu início – o de trocar experiências e dicas de maternidade. A vocês que responderam, o meu muito obrigada! Como resultado dessa conversa, surgiu esse post, onde eu fiz um resumo das dicas que foram colocadas lá. Espero que ajudem a Ana e todas as outra mães que enfrentam esse desafio!

Em primeiro lugar, eu gostaria de comentar que o retorno ao trabalho não precisa ser necessariamente o fim do aleitamento materno. Aliás, até os seis meses de vida, o ideal é que o bebê seja alimentado apenas com o leite da mãe (muito superior a qualquer complemento, pois tem os nutrientes necessários para seu crescimento e desenvolvimento, é de fácil digestão, causa menos cólica e é um protetor contra alergias e infecções). Por isso, sempre que possível, a mãe deve fazer a ordenha/retirada do leite com bombinha e armazenar o leite para que o cuidador do bebê o alimente nas horas de sua ausência. Para que sua produção continue em boa quantidade, a ordenha deve ser feita também durante o período de trabalho. E vale lembrar que até o bebê completar seis meses, a legislação trabalhista garante dois períodos de meia-hora durante o dia para que a mãe consiga amamentá-lo (se não for o suficiente para ir de encontro ao filhote, use para a ordenha do leite!).

Independentemente de você manter o aleitamento materno ou alimentar o bebê com fórmula artificial depois de seu retorno ao trabalho, uma coisa é certa: terá que optar por um copinho ou mamadeira, para que alguém dê o leite ao bebê . Os especialistas costumam indicar o copinho, pois ele não traria prejuízo à fala e mastigação do bebê como a mamadeira. Há mães que se adaptam super bem com o copo (mesmo que no início tenham que usar um modelo de transição); uma amiga minha que teve seu bebê prematuramente me contou que na UTI neonatal eles ensinam a técnica, e que seu filho nunca precisou de mamadeira. Outro ponto a favor do copinho é inquestionável: ele não necessita de um segundo desmame. Mas então vocês podem me perguntar: “quer dizer que você é contra mamadeira?”. Estaria sendo hipócrita em dizer isso, porque eu optei por ela com minha filha (no meio de toda a turbulência que foram os primeiros meses do pós-parto, ela foi uma ajuda muito bem-vinda). Após algumas tentativas de troca de bico, Catarina se adaptou super bem a um modelo de fluxo lento, em que tinha que fazer mais força para mamar (e isso foi na tentativa e erro, então, se eu pessoalmente puder deixar alguma dica pessoal é – se o bebê não se acostumou com uma determinada marca, tente várias, porque com outra ele pode se adaptar!). Ah, e nada de usar de leite de vaca até um ano! O contato prematuro com esse tipo de leite pode causar alergias no pequeno.

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Agora vamos às dicas das nossas leitoras, como prometido:

– Se com você o bebê se negar a tomar leite na mamadeira/copinho ou mesmo suco, pode ser uma boa ideia deixar a tarefa para o pai ou avó. Isso porque o bebê sente o cheiro do leite da mãe, o que poderá dificultar o processo do desmame. Se não houver outra pessoa para substituir você nesses momentos, use uma roupa de outra pessoa para modificar o cheiro que o bebê vai sentir.

– O desmame gradual é super positivo, mas requer tempo e paciência: comece retirando a mamada da tarde, depois a da manhã, e finalmente a da noite (porque nesse horário a mamada pode fazer parte do ritual de sono, e por isso sua retirada tende a ser a mais difícil).

– Se a recusa do bebê com o copinho/mamadeira for intensa e você não tiver ninguém para ajudá-la no processo, deixe passar um pouquinho da hora da mamada. Com mais fome o bebê poderá ficar mais aberto às outras formas de receber o leite.

– Você pode tentar dar o leite com uma colherzinha até que o bebê se acostume à mamadeira ou copinho (se o bebê for maiorzinho, você pode tentar o canudinho!). Lembre-se de que ele também terá que se acostumar a um novo sabor, caso tenha que passar às fórmulas artificiais (então, paciência!). Há inclusive mamadeiras que já vêm com uma colher adaptada na ponta, com essa da foto!

Mamadeira Pigeon Baby com colher

Mamadeira Pigeon Baby com colher

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– Justamente para auxiliar na adaptação ao novo sabor, você pode usar a técnica de translactação para começar a dar a fórmula ao bebê. Ela consiste em colocar uma cânula junto ao peito; por isso, ao sugar o peito da mãe, o bebê também tomará a fórmula artificial (embora a técnica seja comumente usada para causar o efeito contrário – fazer com que o bebê que por alguma razão está tomando leite artificial possa voltar ao leite materno, estimulando a produção com a sucção do peito da mãe). Se você ficou com vontade de conhecer mais a respeito, recomendo a leitura desse post que fizemos sobre o assunto – tem um vídeo explicativo muito legal).

– Para que o bebê pegue a mamadeira, você pode tentar começar a mamada com o peito, e em seguida colocar o bico da mamadeira. Para alguns a “tapeada” funciona!

– Para os filhotes maiores, que já entendem melhor a situação, você pode dificultar ao máximo o peito e conversar com ele sobre o copo/mamadeira. Uma de nossas leitoras colocou band aid nos bicos e disse que estava machucado, e o filho entendeu!

– Por fim, considere a opção do desmame natural (ou seja, espere até que o bebê deixe o peito, por si mesmo), se você se sentir à vontade com ela . Quando ficam um pouco maiores, os bebês passam a ter outros interesse, e com isso podem deixar sozinhos o peito da mãe. Vá conversando, que com o tempo eles entendem!

E você, como enfrentou o desmame? Aliás, conta pra gente, até que idade amamentou? Tem alguma dica sobre o assunto para compartilhar conosco? Ajude a transformar esse nosso cantinho em um espaço de altas dicas!

 

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