Você já deve ter visto pessoas com nanismo. Embora na maioria das vezes esses indivíduos sejam retratados de maneira pejorativa, é importante saber que, exceto pelo tamanho, eles não se diferem em nada dos outros. Aliás, são raros aqueles que nascem com o transtorno e têm a capacidade intelectual prejudicada – geralmente ela não é comprometida e essas pessoas podem levar uma vida de boa qualidade. A grande dificuldade, na maior parte das vezes, passa a ser o preconceito.

Mas você sabe por que alguém nasce com nanismo? “Fator hereditário!” pode ser a sua resposta. De fato, pais com nanismo podem ter filhos com o transtorno, mas isso não é uma regra. Na verdade, trata-se muito mais de uma questão genética do que hereditária. Inclusive, estima-se que 80% dos bebês que nascem com alteração genética que impede o crescimento normal dos ossos apresentam uma “mutação nova” (ou seja, são os primeiros na família a apresentar nanismo). Assim, a condição está, sim, normalmente atrelada aos genes, mas não necessariamente é herdada (hereditária).

Veja também: Curva de crescimento e peso 

A seguir, você entende melhor quais são as causas do nanismo, como identificá-lo e quais adaptações são importantes para que essas pessoas tenham uma vida normal.

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nanismo

Imagem: 123RF

Como eu sei que meu filho tem nanismo?

A principal característica do nanismo é justamente a altura: os homens possuem uma estatura menor que 1,45 cm e as mulheres têm menos de 1,40 cm (são 20% menores em relação às outras pessoas da mesma idade e sexo). Mas será que ainda na infância é possível identificar o nanismo? A resposta é sim. Aliás, logo no pré-natal, por meio de ultrassom, o médico pode levantar a hipótese. Como por meio do exame o profissional consegue identificar o tamanho do bebê, ele pode averiguar se há alguma desproporcionalidade. Contudo, na maioria das vezes, é depois do nascimento que se chega ao diagnóstico. Exames radiológicos e genéticos podem ser solicitados para a confirmação.

O ideal, sempre, é que no primeiro ano de vida o pediatra acompanhe o crescimento da criança. Nas consultas, o profissional deve medir e pesar o bebê, para montar sua curva de crescimento e avaliar se o desenvolvimento segue o ritmo adequado ou se há alguma alteração.

Tipos de nanismo

Existem duas categorias diferentes. Uma delas chama-se nanismo hipofisário ou pituitário (ou ainda nanismo proporcional). Nesse caso, o tamanho dos órgãos mantém a proporcionalidade de acordo com a altura da pessoa. E também há o nanismo desproporcional, cujo tipo mais comum é a acondroplasia. Aqui, as diferentes partes do corpo crescem de maneira desigual (a pessoa pode ter pernas, braços e dedos curtos, cabeça desproporcional ao corpo com a testa saliente e tronco pequeno).

No segundo caso, a causa é exclusivamente genética. Já em relação ao nanismo proporcional, ele pode ser desenvolvido (além de causa genética) por alteração metabólica ou por problemas com o hormônio do crescimento (GH). E vale saber que certas condições na infância podem levar a alterações no crescimento, como desnutrição, deficiências hormonais, doenças crônicas e síndromes genéticas.

Lidando com a condição

Pessoas com nanismo geralmente têm muita dificuldade de acessibilidade. Para perceber isso, basta pensarmos um pouco: aqueles com menos de 1,45 cm podem não conseguir alcançar uma torneira, os botões para acessar o caixa eletrônico, bancadas de cozinha e por aí vai… Por isso, adaptações em casa são necessárias.

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Também é importante que crianças com nanismo mantenham um acompanhamento multidisciplinar, pois o transtorno, especialmente nos primeiros anos de vida, pode levar a complicações motoras, respiratórias e ortopédicas. Uma rede de apoio para trabalhar a autoestima dessa criança é válida também, porque o preconceito, infelizmente, é muito comum em relação às pessoas com nanismo.

Aliás, se você que está lendo este post é mãe ou pai de uma criança que não tenha nascido com nanismo, a sua tarefa é fundamental nesse processo: converse sempre com o seu filho para mostrar que as diferenças não comprometem em nada o direito de todos ao convívio respeitoso. Ensinar nossos filhos a praticar empatia desde cedo é fundamental!