Brigas entre os filhos: um olhar realista sobre a relação entre irmãos

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Como andam as brigas entre os filhos aí na sua casa? Esse é um assunto que rende muita conversa entre as mães que tem dois ou mais filhos, não é verdade? Será que temos muita expectativa de que os filhos vivam sempre em perfeita harmonia? Será que rotulamos a relação entre eles?

É exatamente sobre isso esse texto da querida Fabiana Oliveira, que passa a compartilhar suas experiências como mãe de dois aqui no Mil Dicas de Mãe. Dá uma espiadinha e depois me conta: como são as brigas entre seus filhos, e como você as encara?

Por Fabiana de Toledo Oliveira

Quando me perguntam se meus filhos se dão bem, eu nunca sei exatamente o que responder. Não porque eu ache que eles se dão muito mal ou que brigam além da conta. Longe disso… O que me inquieta é que essa questão das brigas entre os filhos, em geral, contém expectativas irreais e eu procuro fugir delas. A verdade é que não consigo olhar para a relação dos meus filhos com um senso de avaliação classificatório. Eles são irmãos e, nessa condição, vivem uma relação amorosa intensa, permanente, diária, complexa e naturalmente inconstante. Exatamente como outros relacionamentos íntimos e duradouros que vivenciamos na vida.

Sim, se eles estivessem sempre em pé de guerra ou se esbanjassem amor e sintonia o tempo todo, a resposta viria mais fácil. E eu conheço, é claro, famílias em que as brigas entre os filhos extrapolam os limites. Mas meus filhos não ocupam esses extremos. Existem, entre eles, muitos momentos de parceria, cumplicidade, diversão e planos para convencer a mamãe de alguma coisa que renderia um não. Mas também acontecem gritos, empurrões, tapas, provocações e encheções, que haja espírito evoluído e mente zen pra aguentar.

brigas entre os filhos

Meus filhos, Eduardo e Elis, e sua relação de irmãos, saudável e complexa. | Foto: Arquivo pessoal / Proibida a reprodução.

A impressão que eu tenho é que irmãos experimentam a primeira relação afetiva mais espinhosa de suas vidas. Irmãos disputam, compartilham, têm de lidar com comparações descabidas, sentem ciúme… Eles vivem todos os perrengues da alta intimidade e se conhecem a fundo, tendo de tolerar todas as falhas e dificuldades desse outro alguém que está ali todo santo dia. E vivem isso tudo bem cedo, porque, afinal, são humanos recém-chegados ao planeta. Ou seja, não contam com a tal da maturidade, que poderia aliviar bastante essa barra.

A verdade é que meus filhos se dão bem sim. Mas muitas vezes não. Eles se amam pra valer, mas tem horas que querem se esganar. Eles estão juntos e curtem essa companhia na aventura louca que é crescer. E eu, então, tento me manter o tempo todo atenta para não classificar essa relação difícil e bonita, que o mundo insiste em rotular. “Vivam esse amor sem adjetivos, meus filhos… E a mamãe estará sempre aqui, tentando equilibrar a emoção e a chateação que é mediar, deixar fluir e fortalecer o vínculo único que vocês carregam: o de irmãos.”

brigas entre os filhos

E que a gente não se engane: qualquer relação afetiva saudável inclui conflitos e desavenças. | Foto: Arquivo pessoal / Proibida a reprodução.


 



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Comentários (1)

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  1. Carol Cardoso disse:

    Adorei o texto! É bem assim que me sinto vendo a relação dos filhos aqui em casa. Momentos de encher os olhos de lágrimas de tanto orgulho de amor envolvido e em outros vontade de sair e deixar o pau quebrando de tanto separar as briguinhas. É difícil não sobrecarregar o mais velho com a responsabilidade de sempre ceder, de não rotular que ele já entende mais as coisas. Fujo disso à todo momento mas com muito trabalho interno. Ser mãe de 2 é verdadeiramente um aprendizado de mediação de conflitos! Acho que nós podemos ser facilmente juízas em câmera de arbitragem!

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