Eu não sei se vocês que acompanham o blog já perceberam, mas a verdade é que eu sou uma mãe cheia de “regrinhas”. Sim, eu sou aquele tipo de mãe que diz que a lição de casa vem antes da televisão, que fica brava quando a filha enrola para se arrumar para a escola (porque atrasos não deveriam acontecer, embora eles vivam acontecendo por aqui), que insiste para que a pequena coma mais três colheres, na tentativa de ver o prato um pouco mais vazio. Trocando em miúdos, eu sou a chata da casa, que tenta colocar a rotina em ordem a todo o custo, e fica resmungando quando a família não colabora (o que me torna mais chata ainda!). Alguma semelhança com o que acontece por aí também? Ufa, bom saber que não estou sozinha, e que sou apenas o que chamamos de uma mãe ligeiramente normal!

Imagem: 123RF

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Mas, de uns tempos para cá, eu tenho tido vontade de ser diferente. De levar a vida de maneira mais leve, de curtir o presente, de tornar alguns dias especiais, com pequenas ações… E não é por acaso: eu me dei conta de que o tempo passa muito rápido, e que é uma grande besteira marcarmos no calendário os momentos que temos para curtir os filhos. Às vezes esperamos o mês inteiro por uma determinada festa, ou pela oportunidade de levá-los a um passeio incomum. O que significa que perdemos cerca de trinta outros dias deixando de fazer algo memorável, inesquecível, e que ficará marcado no coração de todos.

Hoje eu tinha o compromisso de assistir a um filme que será lançado na semana que vem (Mogli, o Menino Lobo, da Disney – aguardem, que em breve eu conto tudo sobre esse filmaço por aqui!). Era no meio da manhã de um dia de semana – e por que não levar Catarina? Não era dia de natação, com planejamento chegaríamos sem atrasos à escola – então por que não? Simplesmente porque era uma terça-feira? Porque não daria tempo de almoçar em casa (e não seria delicioso sair da rotina e comer fora)?

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Dá trabalho preparar tudo com antecedência (desde antecipar suas tarefas na véspera, para ter algumas horas livre, passando pelo lanche da mochila, que já sairia conosco cedinho, até o uniforme, que seria colocado depois do cinema)? Claro que dá! É certo que aquele dia “quadradinho”, em que você faz tudo igual, é muito mais tranquilo – você já tem tudo planejado, preparado, no automático, não precisa nem pensar para executar!

Mas vocês não imaginam a alegria da pequena com esse “dia especial” que vivemos! Ela pulou da cama, se arrumou em dois segundos (ah, se fosse sempre assim!), tomou café sem rodeios, ajudou a preparar sua mala, fez a lição direitinho, caprichosamente, e no horário combinado. Foi um grande companheira durante o filme, cheia de opiniões, risadas e carinhas de espanto, devorou um pratinho de sushis que comprei na saída, e chegou da escola dizendo que havia contado para todos os amigos as aventuras que tínhamos vivido.

Vejam que não foi uma grande viagem, não foi o restaurante mais caro da cidade, e não compramos nada de lembrança. E mesmo assim foi um dia espetacular, daqueles que eu sei que nós duas nos lembraremos com carinho, simplesmente porque tivemos a oportunidade de vivenciá-lo juntas!

Pode ser que você esteja pensando: mas meu trabalho não é ir ao cinema, não poderia fazer o mesmo com o meu filho. Talvez você pense que com o orçamento apertado da família, não poderia almoçar fora de casa. Mas dá para arrumar uma cestinha com uma tolha e sanduíches, e fazer um piquenique no parque mais próximo (ou no quintal mesmo!). Dá para surpreender o filhote com uma volta a pé no bairro, regada a picolé, mesmo que ele seja preparado no seu freezer com suco natural.

No fundo tudo o que precisamos é o desejo de sair da zona de conforto. De desligar a televisão, o celular e se propor a fazer algo diferente. Dá trabalho, mas quando você ouve do filhote, no momento em que ele está fechando os olhinhos na cama, que aquele foi um dos dias mais felizes de todos, você só se perguntará por que esperou tanto tempo para fazer isso!