Alguns dos momentos mais difíceis que passei com Catarina em seu primeiro ano de vida estavam relacionados ao choro. Confesso que muitas vezes não conseguia identificar a causa de tanto chororô (tudo fica mais fácil quando é fome, sono ou uma fralda encharcada – e quando não é?), e chegava a me desesperar por não saber como acalmá-la. Gosto de falar sobre isso porque parece que, quando nasce um bebê, nasce uma mãe totalmente preparada para identificar suas necessidades e satisfazê-las, não é verdade? Mas as coisas não funcionam assim (aliás, nos primeiros meses de vida dos pequenos, está mais para o contrário), porque, até que você aprenda a interpretar os “pedidos” do filhote, vai chão!

Se você tem tido esse problema aí na sua casa, de não conseguir fazer o bebê parar de chorar, saiba que não está sozinha (eu e milhões de mães por aí também passamos pelo mesmo e sobrevivemos!). E para ajudá-la eu compartilho agora dicas práticas de mãe, que funcionam de verdade (e que talvez ninguém tenha te contado até agora). Dá uma espiadinha (e boa sorte, estarei torcendo para que o pequenino fique bem calminho por aí!):

1) Técnica dos 5 “S”: desenvolvida pelo pediatra americano Harvey Karp, um dos principais pesquisadores do mundo em sono infantil, essa técnica tem bombado na internet e costuma deixar os bebês calminhos em poucos minutos. São cinco passos (que eu explico direitinho aqui, inclusive mostrando um vídeo de como fazer) para acalmar o filhote, mas muitas crianças já cessam o choro nas primeiras etapas. O segredo, especialmente para os recém-nascidos, é deixar o pequenino se sentir como se estivesse dentro do útero: com as mãos bem firmes ao lado do corpo, enrolado, quentinho e escutando sons que remetam à vida intrauterina. Você começa enrolando-o em uma manta, vira-o de barriga para o lado ou para baixo (porque, segundo o médico, eles não gostam de ficar virados para cima, pois sentem insegurança nessa posição), faz “shhhh” na orelhinha, balança levemente, e, finalmente dá algo para ele sugar. É simplesmente fantástico na prática, e toda mãe deveria conhecer.

Imagem: 123RF

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2) Banho de balde (ofurô): assim como a técnica acima, a proposta aqui é remeter o pequeno aos meses dentro do útero, o que fará com que ele se acalme, por se sentir aquecido e seguro. Para o banho, deve ser usado preferencialmente um balde especial para essa finalidade (que garante mais segurança, por ter acabamento sem bordas ou outros detalhes cortantes, que possam machucar o pequeno) preenchido com água até a altura do peito do bebê. A água precisa estar quentinha e é indicado colocar duas gotinhas de óleo de lavanda, que possui propriedades relaxantes. Depois é só colocar o filhote na água e segurá-lo pela cabecinha ou pelos ombros. Ele acabará ficando em uma posição com os braços e pernas firmes, bem parecida com a que permanecia na barriga da mãe – e muitos relaxam tanto que até dormem! Mas atenção: tenha tudo a mão e não desgrude os olhos por um segundo, pois há sempre a chance do balde virar.

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3) Embalo na rede: quem tem uma rede guardada em casa vai gostar de saber que ela pode ser a solução para os choros incessantes. A dica aqui é acomodar o pequeno na peça (no seu colo ou não) e fazer movimentos suaves, balanços leves. A rede já tem a vantagem de se moldar ao corpo e envolvê-lo como num abraço (o que traz segurança aos pequenos), enquanto os balacinhos tranquilizam (nesse mesmo sentido, o sling também pode ser eficaz – e ainda deixa o bebê próximo a você). E a técnica tem se mostrado realmente efetiva: em algumas maternidades de Maceió, mini-redes têm sido implantadas em UTIs para auxiliar no tratamento de prematuros. Segundo pediatras desses locais, as sonecas feitas na rede (chamadas de sono terapêutico) diminuíram a necessidade de prescrição de glicose, muitas vezes utilizada para aliviar o estresse dos pequenos pelo parto ocorrido antes do tempo.

 

4) Casa calma: mesmo que a criança ainda não vá dormir, manter a casa com pouco barulho (sem televisão e outros aparelhos ligados) e com as luzes desligadas (ou apenas uma fonte de meia-luz) são atitudes que ajudam a parar o choro. A ideia é propiciar um ambiente calmo, onde o pequeno sinta que está seguro e possa relaxar. Se estiver calor, não deixe de tirar o excesso de roupas do filhote (pode até ser esse o motivo do choro) ou, se for um dia de frio, tenha o cuidado de manter a criança bem quentinha, pois enquanto ela sentir essa sensação de desconforto térmico não irá se acalmar. Aproveite o momento e faça massagens no filhote, com movimentos constantes (a shantala pode ser uma ótima opção). Esse conjunto de medidas pode desacelerar o ritmo do bebê e, consequentemente, cessar seu choro (que é, nesse caso, uma forma dele demonstrar que quer descansar e não consegue).

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5) Ofereça estímulos: apesar de ser uma medida controversa à de cima, pode ser que, em alguns casos, essa seja uma forma mais eficaz de fazer o filhote parar de chorar. Isso porque o tédio, por incrível que pareça, também é um motivo de choro! Vale distrai-lo com brinquedos, móbiles, um pote da calma ou até mesmo a vista da janela (que aqui em casa fazia o maior sucesso! Felizmente o choro do fim do dia coincidia com a chegada dos moradores do prédio, e Catarina adorava olhar os carros entrando no condomínio!). E para aumentar ajudar na distração do choro, facilitando que o pequeno foque sua atenção em outra coisa, vale até conversar ou cantar!

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Além de todas essas sugestões a dica de ouro é sempre (tentar) manter a paciência para acalmar o filhote. Posso falar por experiência própria: quando tentamos de tudo para fazer um filho para de chorar e não conseguimos, a frustração chega de forma intensa, e é difícil não desanimar (ou se desesperar mesmo!). Contudo, se estressar com a situação só diminui as chances de tranquilizar o bebê. Confie no seu potencial e procure transmitir segurança e calma – com o tempo, descobrimos por conta própria a maneira mais indicada para que eles relaxem. E caso você já tenha descoberto a do seu filho, não deixe de me contar nos comentários, para dividirmos mais dicas com outras mães!